O Ventura disse ontem na entrevista 3 coisas:
- que aprova com o que concorda independentemente de quem propõe
- que não pretende lugares em troca de aprovações, isto é, que não exige a participação formal no governo
- que não proporá moções de censura e/ou que não permitirá que haja governo do PS na actual AR (o Chega poderia permiti-lo abstendo-se num cenário onde o PS se uniaa ao Livre ou BE por exemplo).
isto foi dito, alguns dos pontos repetidamente após questão confirmatoria da jornalista sobre se queria mesmo dizer o que estava a dizer.
agora vamos ver se cumpre.
Ninguém fala nisso mas os únicos que têm uma opção a tomar é o PS.
a humildade democrática deveria fazê-los abster-se sobre projectos de lei que são comuns ao PSD
relembro que o PSD comportou-se irrepreensivelmente em maiorias relativas do PS no passado, nomeadamente se estiverem em causa questões de aplicação do PRR.
infelizmente não me parece que haja reciprocidade mas o risco de novas eleições estará do seu lado.
da esquerda do PS sabemos que nunca há como contar com alguma coisa. Mas o PS tem um papel no sistema e responsabilidades.
relembre-se também que mesmo durante a geringonça o PSD aprovou e acordou projectos que eram necessários.
A estratégia que o PNS anunciou de oposição total tenho sérias dúvidas que o resultado de eleições próximas seja melhor, o ciclo mudou porque a esmagadora maioria da população já não os queria lá e vão ter que passar pelo período de nojo.
tudo isto parece chinês dada a elevada inflamação que vivemos. Mas há regras democráticas não escritas sobre o funcionamento dos regimes parlamentares que parece que toda a gente se esquece agora e que só existem quando o PS governa…
pena que tantos achem que não há e que o único papel que sabem vestir é detonar tudo e que os governos não consigam governar em maiorias relativas com negociação.
Por último
recusar-se uma coligação não é espezinhar ninguém. Há valores muito diferentes e os eleitores sabem disso e devem ser respeitados (ambas as partes).
recusar-se a negociar com qualquer partido, sim, será. Seja o chega ou seja o PS ou até os outros.
e aí está a diferença. Negociações pontuais e abertas a todos não quebram qualquer promessa na minha opinião e qualquer eleitor ponderado perceberá isso.