Crise desde 2011, 2022,... 2099... Até quando?[AVISO Página#2709-Post#81255]

Não é verdade, nos ultimos anos aumentaram.

E claro que há degração, e o SNS vai continuar a piorar até ficar como no Brasil.

de 2010 para 2013 tivemos uma queda acentuada da casa dos 100k para os 80k, dai andou estável a rondar os 86k até nova quebra acentuada em 2021 (covid?!) voltando a recuperar para valores mais perto da média anterior com um máximo de 85k em 2023.
achas que a culpa é das parturientes estrangeiras e não de todo serviço que envolve obstetrícia que lidava com os 100k e os 86k e nos últimos 4 anos só lida com menos de 85k.
 
Eu vou ser um pouco advogado do diabo nesta questão da greve da CP.

Daquilo que fui vendo, parece que a greve existe não por capricho, mas porque o governo se recusa a assinar um acordo que foi delineando e aprovado nas variadas reuniões que existiram, justificando que não o pode fazer por ser "governo provisório". Algo que no entanto não proibiu de tomar outras decisões e assinar outros acordos.

Entendo a razão da greve, de certa forma apoio por uma questão de principio.

Aquilo que me preocupa e tem preocupado nestas situações é o uso da greve como forma de chantagem para impor condições por parte dos sindicatos/trabalhadores. Principalmente em funções que são de certa forma essenciais ao dia-a-dia, seja transporte públicos ou outros.
 
Eu vou ser um pouco advogado do diabo nesta questão da greve da CP.

Daquilo que fui vendo, parece que a greve existe não por capricho, mas porque o governo se recusa a assinar um acordo que foi delineando e aprovado nas variadas reuniões que existiram, justificando que não o pode fazer por ser "governo provisório". Algo que no entanto não proibiu de tomar outras decisões e assinar outros acordos.

Entendo a razão da greve, de certa forma apoio por uma questão de principio.

Aquilo que me preocupa e tem preocupado nestas situações é o uso da greve como forma de chantagem para impor condições por parte dos sindicatos/trabalhadores. Principalmente em funções que são de certa forma essenciais ao dia-a-dia, seja transporte públicos ou outros.

Entendo a questão principio de que falas, mas a montante há todo uma cadeia de princípios que na minha opinião invalidam qualquer simpatia por este movimento ou aceitação do principio. Penso que qualquer pessoa simpatizaria com qualquer que fosse o grupo de trabalhadores que exigissem para si a reparação de uma injustiça. Injustiça essa comprovada.
O que acontece é que os vencimentos da CP e as regalias da CP, não são um pouco melhor que a generalidade da sociedade, são muitíssimo melhores que a generalidade da sociedade. Basta explorar os vencimentos e as regalias para se ter uma surpresa...

Alguns diriam, mas então, eles é que estão bem, quem recebe menos é que devia receber como eles. É uma utopia, simplesmente o país iria à falência se assim fosse. Se assim fosse porque não aumentar já para 5000€ o SMN para todos!

O que acontece neste e em muitos outros casos do sector público (no privado não existe) é que um grupo de um sector sem ou pouca concorrência, com uma lei laboral impenetrável e governos constantemente à "caça" de votos, têm a faca e o queijo na mão, conseguindo chantagear e desvirtuar através da "força" o que na realidade seria a capacidade da empresa e do país pagar a estes trabalhadores.
 
já viram que os sectores onde os sindicatos são mais fortes são também aqueles em que os serviços são mais mrdosos?

e já viram que quando os serviços mrdosos são privados o cliente pode simplesmente mudar para outro melhor, enquanto nos serviços públicos não há alternativa e tem de se pagar o serviço mrdoso na mesma?


fica para reflexão.
 
Um dado que anda um bocado "fora do radar" e que interessa para um debate informado: em 2023 uma dívida de +- 1800 M € foi limpa do balanço da CP com dinheiro do OE.

A "desculpa" perante a UE - para que o estado não fosse acusado de apoio indevido - é que a CP estaria a ser compensada pela prestação de cerca de 17 anos de serviço público.

E com o balanço (quase) "limpo" a CP podia avançar para a emissão de nova dívida para a compra de novo material circulante. Por outro lado, há algum material que será comprado com fundos europeus.

Quanto seria a taxa de juros exigida por quem empresta do dinheiro, se o estado não estivesse como guarda-costas da CP?

É que tudo isso conta para o suposto "lucro" que a CP dá ...

Somem os +- 3200 M da TAP, mais estes +- 1800 M €; são +- 5000 M €. E se calhar vamos ter de pagar uns milhozitos à antiga CEO da TAP e (fala-se) em cerca de 200-300 M € em possíveis indemnizações aos funcionários afectados pelo plano de reestruturação da TAP na altura da pandemia.

Em democracia tudo é "debatível" consoante a inclinação ideológica de cada um, mas no final do dia temos que pensar que os recursos são escassos e se usamos tanto dinheiro para sustentar transportes (e falta aqui as PPPs rodoviárias com valores de mais de 1000 M € anuais) o guito há de faltar em outro lado.

E por falar em transportes já está marcada uma greve de alguns dias da Carris.
 
Última edição:
Eu só fico a pensar que os últimos dias foram um desastre para quem têm uma empresa na zona de Lisboa pois tivemos: feriado do 25A; apagão; 1º de Maio (com algum pessoal a "forçar" ponte); e agora esta quase paralização durante quarta, quinta e sexta.

Nunca esquecer que sem produção e serviços é difícil fazer redistribuição ... só se for no mundo dos unicórnios das Mortáguas.
 
Ó amigo, que não seja por isso. Eu faço-te o obséquio de simplificar a mensagem.

Tu não queres (não defendes) privatizar a CP porque tens essencialmente 2 medos:

1- Que ninguém queira a CP porque os colaboradores têm maus vícios e como consequência, o estado tenha que colocar dinheiro na CP quando ela for "privada"
2- Por outro lado, tens medo que a privatização seja fraudulenta e "entreguem" a CP a "amigos"

Nem um nem outro medo tem sentido. Explico já mais abaixo.

Apenas faria sentido defenderes a causa pública, defenderes o modelo socialista e o estado social aplicado aos transportes ferroviários e com essa premissa, defenderes que terias medo que os privados não prestassem um (bom) serviço público.

Bem, mesmo este argumento ideológico, válido do ponto de vista teórico, é desmentido pela prática (greves de 15 dias constantemente) com um péssimo serviço público.

Resta-nos os teus medos da privatização.
A prática volta a mostrar que tanto o medo 1 e o medo 2 são completamente infundados. No caso do medo 1, em as empresas privatizadas as pessoas moldaram-se ao novo contexto (empresa privada), no caso do medo 2, todos os teus medos são na verdade uma projeção, nepotismo e entregar a empresa a amigos é o que acontece agora com a empresa pública!

Espero que tenha sido claro para ti desta forma.

Pois, são opiniões. Não temos que concordar em tudo.

Ideologia é por definição aplicar a mesma resolução a todos os problemas. Depois fazem-se falsas analogias porque é fácil.

Eu não funciono bem assim. Gosto de fazer análises de contexto e sectoriais.

Apenas isso. Não me importo minimamente com os rótulos que podem resultar desta postura. Vivo bem com o meu comunismo ferroviário [:D]
 
Um dado que anda um bocado "fora do radar" e que interessa para um debate informado: em 2023 uma dívida de +- 1800 M € foi limpa do balanço da CP com dinheiro do OE.

A "desculpa" perante a UE - para que o estado não fosse acusado de apoio indevido - é que a CP estaria a ser compensada pela prestação de cerca de 17 anos de serviço público.

E com o balanço (quase) "limpo" a CP podia avançar para a emissão de nova dívida para a compra de novo material circulante. Por outro lado, há algum material que será comprado com fundos europeus.

Quanto seria a taxa de juros exigida por quem empresta do dinheiro, se o estado não estivesse como guarda-costas da CP?

É que tudo isso conta para o suposto "lucro" que a CP dá ...

Somem os +- 3200 M da TAP, mais estes +- 1800 M €; são +- 5000 M €. E se calhar vamos ter de pagar uns milhozitos à antiga CEO da TAP e (fala-se) em cerca de 200-300 M € em possíveis indemnizações aos funcionários afectados pelo plano de reestruturação da TAP na altura da pandemia.

Em democracia tudo é "debatível" consoante a inclinação ideológica de cada um, mas no final do dia temos que pensar que os recursos são escassos e se usamos tanto dinheiro para sustentar transportes (e falta aqui as PPPs rodoviárias com valores de mais de 1000 M € anuais) o guito há de faltar em outro lado.

E por falar em transportes já está marcada uma greve de alguns dias da Carris.

Sugeri desmantelar mais atrás mas sou socialista.[:D]

Quem vem a seguir começa do zero. Faz os investimentos que quer e ficamos amigos na mesma sem lastros.

O que não falta por aí são fixbuses disponíveis para assegurar serviço durante o desmantelamento.
Não morre ninguém.
 
Engraçado que nesta greve não vi maquinistas, revisores etc a segurar cartazes a manifestar-se pelos seus direitos ou algo do género.

Simplesmente não foram trabalhar, ficaram em casa ou foram passear, algo assim.

Greve devia de ser assim, tinham de comparecer no trabalho na mesma mas não trabalhavam, porque isto mais parece falta de vontade de trabalhar do que outra coisa.

Claro, funciona assim em regime de monopólio corporativista.
 
E chegam com pouco seguimento da gravidez no país de origem. Obviamente que estes numeros precisam de ser aprofundados para saber a influência deste factor.



Percepções.
 
Sugeri desmantelar mais atrás mas sou socialista.[:D]

Quem vem a seguir começa do zero. Faz os investimentos que quer e ficamos amigos na mesma sem lastros.

O que não falta por aí são fixbuses disponíveis para assegurar serviço durante o desmantelamento.
Não morre ninguém.

Mas qual é mesmo a vantagem de vender carruagens ao A, ferramentas ao B e edifícios ao C, comparada com vender a operação toda ao D?
Para o país é claramente vantajoso vender a operação toda e a mesma continue a funcionar sem flixbuses a fazer de conta que são comboios!
 
Mas qual é mesmo a vantagem de vender carruagens ao A, ferramentas ao B e edifícios ao C, comparada com vender a operação toda ao D?
Para o país é claramente vantajoso vender a operação toda e a mesma continue a funcionar sem flixbuses a fazer de conta que são comboios!

Já disse. Ficas sem lastro de passivos ocultos para o lado do estado e reduzes significativamente os contenciosos futuros.

Uma vez que a empresa pública tem contabilidade organizada, é facil demonstrar que é insolvente pelo que todo o processo de despedimentos e alienação patrimonial é rápido e mais simples.

Da prejuízo: fecha. Capitalismo a trabalhar.

Ao memo tempo abre-se um concurso de concessão aberto em condições de concorrência e transparencia a partir do zero e fica assim assegurado o serviço por quem o quiser explorar.

Esquemas: não. Obrigado.
 
Última edição:
já viram que os sectores onde os sindicatos são mais fortes são também aqueles em que os serviços são mais mrdosos?

e já viram que quando os serviços mrdosos são privados o cliente pode simplesmente mudar para outro melhor, enquanto nos serviços públicos não há alternativa e tem de se pagar o serviço mrdoso na mesma?


fica para reflexão.

É a tal questão da posição de chantagem que esses serviços ganharam ao longo dos tempos.
Não havendo alternativa têm a faca e o queijo na mão.
Deixaram o monstro crescer de tal forma em que nem famosos serviços mínimos funcionam.
 
É a tal questão da posição de chantagem que esses serviços ganharam ao longo dos tempos.
Não havendo alternativa têm a faca e o queijo na mão.
Deixaram o monstro crescer de tal forma em que nem famosos serviços mínimos funcionam.

Repito: isso é e código do trabalho essencialmente.

A lei da greve não está adaptada à realidade do país actual.

Por outro lado, ninguém é obrigado a trabalhar numa empresa estatal com baixo salário. É efectivamente um opção do trabalhador. Ninguém obriga os maquinistas da CP a trabalhar na CP . Podem optar ar por assentar tijolo, apanha do morango ou outra coisa qualquer.
 
Já disse. Ficas sem lastro de passivos ocultos para o lado do estado e reduzes significativamente os contenciosos futuros.

Uma vez que a empresa pública tem contabilidade organizada, é facil demonstrar que é insolvente pelo que todo o processo de despedimentos e alienação patrimonial é rápido e mais simples.

Da prejuízo: fecha. Capitalismo a trabalhar.

Ao memo tempo abre-se um concurso de concessão aberto em condições de concorrência e transparencia a partir do zero e fica assim assegurado o serviço por quem o quiser explorar.

Esquemas: não. Obrigado.

Continuas a pensar numa lógica tipo PPP. O estado não precisa ficar com obrigações sobre prejuízos ou dívidas.
Já para não falar que fazer despedimentos coletivos no estado Português é simplesmente uma ficção.

Esquemas! Para ti vender a CP como um todo é poder cair num esquema, vender aos pedaços não! Isso não tem lógica nenhuma, se os intervenientes estiverem lá para "roubar", tanto roubam de uma só vez como aos bocados.

Numa lógica de interesse nacional, penso que nem tu serias capaz de dizer que podíamos bem passar sem comboios! Nesse sentido, não faz sentido absolutamente nenhum, a privatizar a empresa, deixar o país anos sem comboios a circular à espera de vender os ativos e à espera que alguém fizesse uma empresa do zero, quando podias vender a empresa toda sem parar os comboios (como se fez com a TAP).
 
Vendo as coisas duma forma meramente conceptual a privatização faria sentido e vai de encontro à minha faceta mais liberal.

Mas sendo pragmático e cínico tenho que conceder que o Eduardo209 não deixa de ter razão em parte da sua argumentação; o que não falta em pt são negócios em que o estado é literalmente empalado ... ou situações em que o privado só entra com garantias principescas (basicamente o privado não quer correr riscos e isso começa a ser crony capitalism).

E não digo isto tipo "boca da tasca"; há todo um historial nos últimos anos que suporta o ponto de vista expresso:

- salvo erro na altura do PPC houve uma garantia de cerca de 600M € (não citem o valor sff, é de memória) do estado na entrada dos privados; e houve a questão dos Airbus que a TAP já tinha encomendado (não estou a dizer que é irregular usar esses Airbus; apenas que foi uma mais valia para a entrada dos privados);

- a quantidade de ex-políticos que estiveram/estão no topo da ANA, Lusoponte, Mota, na própria TAP (na altura em que esteve privatizada), etc;

- tranches de imobiliário que pertencia ao "Banco Mau" e foi alienado pela Parvalorem à preço de banana e pouco depois foi vendido por privados por muito mais dinheiro;

- a forma como uma % significativa do Novobanco foi vendido à Lone Star com garantias de pelo menos 3900M € para cobrir imparidades (dizia-se que até poderia ser um montante superior) ... agora está a distribuir dividendos e vai ser colocado novamente em bolsa;

- contratos das PPPs rodoviárias blindados e com compensações principescas caso o tráfego fosse baixo (como disse o Eduardo209 é uma situação win-win para quem fica com a concessão);

Infelizmente, se puxasse pela cabeça de certeza que tinha mais para escrever :(
 
Última edição:
No fundo num sítio em que a governação é uma bandalheira acaba por não haver boas soluções. É como na regionalização ou na maior atribuição de poderes e competências às CM: em teoria eu concordo, mas na prática num país em que a justiça e a ética das elites é um lodo, só estamos a institucionalizar mais burocracia e potenciais focos de corrupção e desvio de dinheiro público.

é complicado ...
 
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Continuas a pensar numa lógica tipo PPP. O estado não precisa ficar com obrigações sobre prejuízos ou dívidas.
Já para não falar que fazer despedimentos coletivos no estado Português é simplesmente uma ficção.

Esquemas! Para ti vender a CP como um todo é poder cair num esquema, vender aos pedaços não! Isso não tem lógica nenhuma, se os intervenientes estiverem lá para "roubar", tanto roubam de uma só vez como aos bocados.

Numa lógica de interesse nacional, penso que nem tu serias capaz de dizer que podíamos bem passar sem comboios! Nesse sentido, não faz sentido absolutamente nenhum, a privatizar a empresa, deixar o país anos sem comboios a circular à espera de vender os ativos e à espera que alguém fizesse uma empresa do zero, quando podias vender a empresa toda sem parar os comboios (como se fez com a TAP).

Já andamos às voltas. Já expliquei porque não concordo com privatização à portuguesa em que se privatiza o lucro fácil e o estado fica com o prejuízo ( passe o slogan).

Em resumo: se e o processo de privatização for aberto à comunidade empresarial e investidores particulares: sim. Se o processo for com barreira às entrada desenhado fato à medida para entregar a amigos: não.

Não vou contribuir para encher o barulho a políticos corruptos em nome de qualquer ideologia. Isso querem eles...

Eu tbm gostava de receber o filé minhon da esfera pública para gerir e deixar a gordura para o estado.

Então nesses contratos em que os activos permanecem na posse do estado com risco zero é sempre a aviar e registradora a contar.

O capitalismo à portuguesa para enganar quem gosta de o ser. Não quero.
 
No fundo num sítio em que a governação é uma bandalheira acaba por não haver boas soluções. É como na regionalização ou na maior atribuição de por às CM: em teoria eu concordo, mas na prática num país em que a justiça e a ética das elites é um lodo, só estamos a institucionalizar mais burocracia e potenciais focos de corrupção e desvio de dinheiro público.

é complicado ...

Há ainda a questão de ser um país e um mercado pequenos, o que dificulta a existência de verdadeira concorrência, proporcionando episódios de concertação entre empresas. A justiça ser uma anedota é um bónus!
 
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