O tema que vou abordar a seguir, acredito que não seja interessante para muitos. Mas para quem cresceu a ver infraestruturas industriais abandonadas na beira da estrada e a interrogar-se da história daqueles edifícios, talvez tenha algum interesse.
No entanto, não deixa de ter algumas curiosidades interessantes.
A primeira pergunta que faço, pois parece-me que o auge desta empresa terá sido anterior à minha existência. Alguém se recorda dos colchões Climax? Por aí volta da década de 80?
Pois, a existência desta empresa está intrinsecamente ligada à Molaflex, que por si só também tem algumas peculiaridades interessantes.
Aliás, sem a ascensão do nazismo na Alemanha, a Molaflex provavelmente não teria visto a luz do dia. Já que um dos sócios, o senhor Siegfried Weinberg, um judeu alemão teria fugido para Portugal em 1937. Aqui conhece a família Moreira e em 1951, a empresa nasce pelo dr. Eugénio de Araújo Moreira e o senhor Siegfried Weinberg.
A atividade inicial da empresa era apenas a produção de molas para estofos ou carcaças de molas. A produção de colchões só inicia em 1954 com o fabrico diário de apenas 5 colchões.
Porém, nesse mesmo ano o senhor Siegfried Weinberg falece. Por esta altura, o Máximo Weinberg, o filho de Siegfried Weinberg, ainda teria apenas 16 anos.
No entanto, há uma outra figura que se torna incontornável para a Molaflex, o Ruy Moreira, filho do dr. Eugénio Moreira. É este quem toma as rédeas à empresa e a ele se deve muito do seu desenvolvimento.
Há aqui um parêntese que deve ser feito. Talvez não seja do conhecimento geral. Este Ruy Moreira é o pai do Rui Moreira, atual presidente da câmara do Porto.
A figura de Ruy Moreira e a Molaflex (Blog Conhecer Milheirós de Poiares)
O filho de Siegfried Weinberg, o Máximo Becker Weinberg, vendeu a participação da família na Molaflex na década de sessenta e em 1969, cria uma sociedade chamada Climax Portuguesa - Equipamentos e Mobiliário de Conforto S. A. R. L. que se irá instalar em Mem Martins. Aliás, o nome da sociedade está associado ao seu primeiro nome.
Já agora, deixo aqui esta curiosidade e até pode ser de alguma forma útil. Em 1986, as sociedades anónimas deixaram de se chamar “S. A. R. L.” para ser apenas “S. A.”, segundo o
decreto-lei n.º 262/86, de 2 de setembro.
Na estrutura acionista desta empresa, já podemos encontrar em 1975 que as Fábricas Lúcia António Beteré S. A. (FLABESA) tinham uma importante fatia das ações. Porque esta empresa é importante? Não são menos que os colchões Flex, os atuais proprietários da Molaflex.
Diário do Governo n.º 216/1975, Série III de 1975-09-18, páginas 7093
Na década de 80 foi encontrada documentação, que a FLABESA tinha 35% das ações, enquanto o Máximo Weinberg 30%, o restante capital devia estar disperso por menores acionistas. Embora este fosse o administrador-delegado da empresa.
Diário da República n.º 29/1989, Apêndice 2, Série III de 1989-11-02, páginas 4600
No entanto, ocorre um desastre, em 1989 o Máximo Weinberg falece num acidente de automóvel em Silves. Mais ou menos pela mesma altura, que a FLABESA estava a adquirir a Molaflex. O que não deixa de ser uma coincidência estranha.
Judeus. Como eles mudaram Portugal - artigo revista Sábado
Nos anos seguintes, muito provavelmente a FLABESA acaba por sair do capital da Climax, tanto que em 1993 já não há qualquer referência a esta empresa no conselho de administração.
A década de 90 acredito que não tenha sido um período fácil para a empresa, pois terá ficado órfã do seu principal impulsionador e também de um grande acionista. Aliás, as nomeações e as renúncias nos órgãos sociais da empresa, leva-nos a pensar isso.
Por fim, por volta dos anos 2000, finalmente é adquirida pelo grupo Aquinos, que estabelece posteriormente a produção próxima da sua sede em Tábua.
https://www.climaxoficial.com/
Pela envergadura das instalações fabris em Mem Martins, leva-nos a pensar no que terá sido esta empresa.
Fotografias de 2012.
Fonte
Local na Atualidade - Google Maps