Tópico dos incêndios florestais

E não é só isso, batemos todo o mundo em quantidade de ignições, essa é outra que pode ser atribuida principalmente ao eucalipto, até mesmo por esse artigo se pode ler que uma folha pode viajar 5 kms e atear o fogo noutro local, mas o pessoal acha que é tudo igual...

Ya, eu por acaso isso da folha incandescente por KMs nao sabia, fiquei parvo quando soube ha uns dias um comandante referir isso.

Quer dizer eu sabia que viajava umas dezenas de metros, OK, nao fazia ideia é que eram...milhares de metros....impressionante...
 
Este fogo ja ultrapassou varias zonas onde em condições normais seriam zonas favoraveis para a sua contenção... o combate deve estar nas lonas. Nao vejo outra explicação. Ja nem a temperatura atmosferica joga contra.

Olhando ao perimetro assinalado, tanto a oeste da A23 como na Gardunha e mesmo parque da serra da Estrela ha imumeras zonas naturalmente desflorestadas, rochosas ou de densidade de combustível manifestamente baixa, ter chegado onde chegou é estranho.

Sou um tipo atento a incendios florestais e tive breve formacao teorica nos fenonenos de propagação, apesar de ser um manifesro ignorante no assunto. Apesar disso volto a dizer que a dimensao que este incendio tem é surreal. De Avô à Soalheira? Custa muito a acreditar.

É verdade, esse que referes concentra atualmente mais de 1600 pessoas e mais de 500 meios e não o conseguem controlar, é de uma dimensão brutal. Atualmente está a chegar a uma zona com menos mato, vamos ver se o resolvem.

Uma coisa que não percebi ontem, nos jornais fartam-se de criticar o governo pela falta de comunicação, o PM a comunicar as medidas que vai tomar e os 3 canais genéricos cortam-lhe o pio a meio, que raio...:sh)
 
É verdade, esse que referes concentra atualmente mais de 1600 pessoas e mais de 500 meios e não o conseguem controlar, é de uma dimensão brutal. Atualmente está a chegar a uma zona com menos mato, vamos ver se o resolvem.

Uma coisa que não percebi ontem, nos jornais fartam-se de criticar o governo pela falta de comunicação, o PM a comunicar as medidas que vai tomar e os 3 canais genéricos cortam-lhe o pio a meio, que raio...:sh)

Nao percebo tambem.

E acho piada a esta oposiçao toda escandalizada, em especial o PS, só sabem criticar em alturas de pico de incendios.....chega a Setembro e ja ng quer saber e assim tem sido, e em vez de criticar com telhados de vidro, podiam ao menos apresentar cada vez mais propostas mesmo que no inverno, mas aí nao dá chamariz ne...

Houve atraso ao chamar o mecanismo europeu ou la como se chama? ok, critiquem o governo, isso e outras eventuais coisas ( nao sei ?? ) agora este alarido todo? queria ver outros partidos a lidar com o assunto...

Enquanto nao se perceber que isto é um problema que tem décadas e tem sido (em parte ) ignorado pelos sucessivos governos, nada feito.
 
Este fogo ja ultrapassou varias zonas onde em condições normais seriam zonas favoraveis para a sua contenção... o combate deve estar nas lonas. Nao vejo outra explicação. Ja nem a temperatura atmosferica joga contra.

Olhando ao perimetro assinalado, tanto a oeste da A23 como na Gardunha e mesmo parque da serra da Estrela ha imumeras zonas naturalmente desflorestadas, rochosas ou de densidade de combustível manifestamente baixa, ter chegado onde chegou é estranho.

Sou um tipo atento a incendios florestais e tive breve formacao teorica nos fenonenos de propagação, apesar de ser um manifesro ignorante no assunto. Apesar disso volto a dizer que a dimensao que este incendio tem é surreal. De Avô à Soalheira? Custa muito a acreditar.

Estou em sentido contrário contigo [:D]. Cada vez tenho menos paciência para achismos e tudologia (seja aqui, nos redes sociais ou nos órgãos de comunicação social). Comentei relativamente ao hotel, porque andei lá na zona há 1 ano e meio, de jipe, e do que me recordo, a vegetação predominante é arbustiva, numa encosta que desce sobre o mesmo. Além disso o hotel fica no que considero o perímetro urbano, mas se quisermos ser mais rigorosos, na "zona de interface urbano-florestal".

Não comento o incêndio como um todo, porque considero que não tenho grau de conhecimento da zona, nem das condições climatéricas a cada momento. e sinceramente, já nem me apetece ter... Só comento quando vejo certezas escritas que, tecnicamente, não me parecem muito acertadas.

E não é só isso, batemos todo o mundo em quantidade de ignições, essa é outra que pode ser atribuida principalmente ao eucalipto, até mesmo por esse artigo se pode ler que uma folha pode viajar 5 kms e atear o fogo noutro local, mas o pessoal acha que é tudo igual...

Será? Não será mais adequado relacionar o número de ignições com a aplicação da energia de activação, que pode ser uma folha ou outro tipo de fenómenos, com o estado de divisão da matéria (vegetação arbustiva), grau de humidade da mesma, etc.?
 
Ruie34 o que referes na ultima parte em quote ao AFCivic nao invalida o que ele disse, quer dizer, acho que as 2 coisas vao no mesmo sentido.

Quanto aos entendidos nas TVs , felizmente falam muitos dos que sabem, neste caso geógrafos, engenheiros silvicultores/florestais , comandantes de bombeiros, etc.


Aí em cima referiram que este incendio parece de facto fora do comum, eu n sei se é habito mas nestes dias os operacionais e mesmo os populares e jornalistas no terreno apontam muito vento errático ou seja forte e muda de direcção constantemente...talvez isso prejudique mais que o habitual?
 
Será? Não será mais adequado relacionar o número de ignições com a aplicação da energia de activação, que pode ser uma folha ou outro tipo de fenómenos, com o estado de divisão da matéria (vegetação arbustiva), grau de humidade da mesma, etc.?

Claro que o podes relacionar com vários fatores, o facto é que as projeções de um incêndio em eucaliptos é muito maior do que em qualquer outra vegetação, é a isto que me refiro e penso que não tem discussão, ou tem?
 
Claro que o podes relacionar com vários fatores, o facto é que as projeções de um incêndio em eucaliptos é muito maior do que em qualquer outra vegetação, é a isto que me refiro e penso que não tem discussão, ou tem?

O que tem discussão é se isso é contabilizado nas estatísticas como uma nova ignição. E se esse tipo de fenómenos é assim tão recorrente, que permita ter uma expressão significativa no número de ignições.
 
O que tem discussão é se isso é contabilizado nas estatísticas como uma nova ignição. E se esse tipo de fenómenos é assim tão recorrente, que permita ter uma expressão significativa no número de ignições.

A questão é que se uma folha viaja 5 kms e começa o fogo num local completamente diferente do foco inicial, não é contabilizado como ignição? É que ouço constantemente falar de incêndios que tiveram várias ignições não muito distantes, como se separa uma ignição cometida por uma pessoa de uma cometida por uma folha a arder, quando não sabemos a sua origem?
 
A questão é que se uma folha viaja 5 kms e começa o fogo num local completamente diferente do foco inicial, não é contabilizado como ignição? É que ouço constantemente falar de incêndios que tiveram várias ignições não muito distantes, como se separa uma ignição cometida por uma pessoa de uma cometida por uma folha a arder, quando não sabemos a sua origem?

Dependendo de cenário, pode ser fogo-posto, trovoadas secas, provocado por um comboio ou linhas eléctricas, por exemplo.

Um incêndio que comece num eucaliptal não te provoca projecções a 5 km em poucos minutos. Esse tipo de projecções está por norma associada a correntes convectivas provocadas pelo próprio incêndio. Ora, para isto acontecer, já tem que ser um incêndio com alguma envergadura. Exceptuam-se aqui incêndios em cenários de ventos muito fortes.

Por norma associa-se uma ignição a uma ocorrência, e consequentemente um despacho de meios para um diferente teatro de operações. Quando se diz que no fatídico dia de Pedrogão houve mais de 500 ignições, quer dizer, que foram realizados despachos de meios para mais de 500 episódios diferentes.
 
Dependendo de cenário, pode ser fogo-posto, trovoadas secas, provocado por um comboio ou linhas eléctricas, por exemplo.

Um incêndio que comece num eucaliptal não te provoca projecções a 5 km em poucos minutos. Esse tipo de projecções está por norma associada a correntes convectivas provocadas pelo próprio incêndio. Ora, para isto acontecer, já tem que ser um incêndio com alguma envergadura. Exceptuam-se aqui incêndios em cenários de ventos muito fortes.

Por norma associa-se uma ignição a uma ocorrência, e consequentemente um despacho de meios para um diferente teatro de operações. Quando se diz que no fatídico dia de Pedrogão houve mais de 500 ignições, quer dizer, que foram realizados despachos de meios para mais de 500 episódios diferentes.

Pelo livro dos bombeiros um foco secundário pode ser considerado uma ignição, portanto não sei onde ficam as estatísticas.[;)]

Foco secundário – ponto exterior, separado do perímetro do incêndio principal, onde se verifica a ignição de um novo foco de incêndio;

https://www.enb.pt/admin/docs/repositorio/Combate a Incêndios Florestais.pdf

Ou seja, essas 500 ignições foram ou não algumas delas projeções de material incandescente?
 
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Pelo livro dos bombeiros um foco secundário pode ser considerado uma ignição, portanto não sei onde ficam as estatísticas.[;)]



https://www.enb.pt/admin/docs/repositorio/Combate a Incêndios Florestais.pdf

Ou seja, essas 500 ignições foram ou não algumas delas projeções de material incandescente?

Um foco secundário é por norma tratado como pertencendo à ignição inicial.

Nessas a 5 km poderá ser contabilizado, tal como referi atrás. Mas esses acontecimentos são raros, e neste tipo de cenários não são contabilizados assim. O que te estou a explicar, é que, a terem sido, são em número residual.

O facto de lermos num relatório/artigo cientifico, que algo pode acontecer, não quer dizer que o aconteça com uma frequência susceptível de influenciar as estatísticas e a realidade. Ou seja, podemos estar a falar de 1% ou menos. Se influenciasse de forma significativa, 500 ignições num dia de calor eram "peaners"[;)].

PS: Um foco secundário é claramente provocado por uma ignição, dado que tecnicamente sem "ignição", não existe incêndio. Outra coisa é o tratamento estatístico.
 
Um foco secundário é por norma tratado como pertencendo à ignição inicial.

Nessas a 5 km poderá ser contabilizado, tal como referi atrás. Mas esses acontecimentos são raros, e neste tipo de cenários não são contabilizados assim. O que te estou a explicar, é que, a terem sido, são em número residual.

O facto de lermos num relatório/artigo cientifico, que algo pode acontecer, não quer dizer que o aconteça com uma frequência susceptível de influenciar as estatísticas e a realidade. Ou seja, podemos estar a falar de 1% ou menos. Se influenciasse de forma significativa, 500 ignições num dia de calor eram "peaners"[;)].

PS: Um foco secundário é claramente provocado por uma ignição, dado que tecnicamente sem "ignição", não existe incêndio. Outra coisa é o tratamento estatístico.

Certo, eu percebi isso, mas se para tratamento estatístico tens 500 ignições no incêndio de Pedrogão, achas que só 1% é que seriam focos secundários? E os restantes 99% seriam o quê?

De qualquer das formas eu referi essa questão das ignições secundárias na lógica de que num incêndio em eucalipto é muito mais susceptivel de acontecer do que noutra especie qualquer. Nem estava a pensar nesta questão estatistica, mas agora fiquei curioso.[;)]
 
Certo, eu percebi isso, mas se para tratamento estatístico tens 500 ignições no incêndio de Pedrogão, achas que só 1% é que seriam focos secundários? E os restantes 99% seriam o quê?

De qualquer das formas eu referi essa questão das ignições secundárias na lógica de que num incêndio em eucalipto é muito mais susceptivel de acontecer do que noutra especie qualquer. Nem estava a pensar nesta questão estatistica, mas agora fiquei curioso.[;)]

Não tiveste 500 ignições no incêndio de Pedrogão. Tiveste mais de 500 ignições, naquele dia, no país todo.
 
Não tiveste 500 ignições no incêndio de Pedrogão. Tiveste mais de 500 ignições, naquele dia, no país todo.

Ok, mas a minha questão mantem-se, essas 500 ignições só 1% é que seriam focos secundários? Achas mesmo isso?
 
Ok, mas a minha questão mantem-se, essas 500 ignições só 1% é que seriam focos secundários? Achas mesmo isso?

Na minha opinião, não são relevantes estatisticamente.

Quando estava nos bombeiros, era normal, num dia de calor, termos 1 ou 2 ignições no municipio. Multiplica isto por todos os municípios que possuem área florestal, e vês que esses números não podem ser significativamente afectados por projecções a grande distância (5 km, como referes).

PS: relembrar que, para essas projecções acontecerem, tens que ter um grande incêndio com correntes convectivas formadas, ou um fenómeno meteorológico extremo (vento) em dia de muito calor.
 
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Na minha opinião, não são relevantes estatisticamente.

Quando estava nos bombeiros, era normal, num dia de calor, termos 1 ou 2 ignições no municipio. Multiplica isto por todos os municípios que possuem área florestal, e vês que esses números não podem ser significativamente afectados por projecções a grande distância (5 km, como referes).

PS: relembrar que, para essas projecções acontecerem, tens que ter um grande incêndio com correntes convectivas formadas, ou um fenómeno meteorológico extremo (vento) em dia de muito calor.

Basta pegar nas estatiscas de ontem, por exemplo, tens 128 ignições, eu diria que mais de metade destas seriam projeções, não acredito que haja tanta ignição isolada num dia como ontem. Mas claro que estamos a supor.

https://fogos.pt/estatisticas
 
Basta pegar nas estatiscas de ontem, por exemplo, tens 128 ignições, eu diria que mais de metade destas seriam projeções, não acredito que haja tanta ignição isolada num dia como ontem. Mas claro que estamos a supor.

https://fogos.pt/estatisticas

O gráfico ajuda. Repara que, pela tua lógica, teríamos mais ignições em Viseu/Guarda, porque temos incêndios em curso, com eucaliptos e as famigeradas projecções. Mas é o distrito do Porto que lidera, destacado, com mais de 20% das ignições. Ora o distrito do Porto tem quantos incêndios florestais de grande dimensão activos?

Há muita ignição e despacho de meios, que quem está fora do sistema não dá por eles. Por norma, só se dá pelos que fogem à norma, os grandes incêndios. Que são 4/128, tomando como referencial o dia de ontem, e que, na realidade, por lá andarem há vários dias, nem ali estão contabilizados.

PS: Neste momento tens Porto e Lisboa a liderar as ignições de hoje, algo que também não faria sentido.

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O gráfico ajuda. Repara que, pela tua lógica, teríamos mais ignições em Viseu/Guarda, porque temos incêndios em curso, com eucaliptos e as famigeradas projecções. Mas é o distrito do Porto que lidera, destacado, com mais de 20% das ignições. Ora o distrito do Porto tem quantos incêndios florestais de grande dimensão activos?

Há muita ignição e despacho de meios, que quem está fora do sistema não dá por eles. Por norma, só se dá pelos que fogem à norma, os grandes incêndios. Que são 4/128, tomando como referencial o dia de ontem, e que, na realidade, por lá andarem há vários dias, nem ali estão contabilizados.

PS: Neste momento tens Porto e Lisboa a liderar as ignições de hoje, algo que também não faria sentido.


Certo, eu não estou a dizer que não há ignições, digo é que algumas delas podem ser das projeções, só isso. O Porto tem sido da zonas com mais ignições, até hoje se vê perfeitamente.

E não, pela minha lógica Viseu só teria muitas projeções se os incêndios fossem em vegetação propicia a elas, alem de outras condicionantes, como a humidade, vento e temperatura.
 
Entretanto em espanha segundo o ABC
...
Então, quais são as causas mais comuns de incêndios florestais intencionais? Bem, quase 70% são causados ​​por queimadas ilegais, tanto agrícolas quanto para regeneração de pastagens. Outros 7% são causados ​​por pirómanos: pouquíssimos, porque pouquíssimos sofrem desse distúrbio. Aliás: quem inicia um incêndio deveria ser chamado de "incendiário", e não sistematicamente de "pirómano", como costuma ser feito nos média. Quase outros 7% (e aumentando) são causados ​​por vândalos, e o restante por motivações como caça, brigas entre vizinhos, distração para atividades ilegais... Tudo isso está longe dos mitos que grande parte do público considera incontestáveis, talvez por estarem ligados aos seus próprios preconceitos. Não há gangues de assassinos, nem aviões fantasmas lançando bombas incendiárias.
 
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