Caso Esmeralda - A propósito da libertação do Sargento Luís Gomes

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O que mais me impressiona é que erros grosseiros já foram cometidos pelo pai, pela mãe, pelo casal e até pelo tribunal (quanto mais não seja nas datas) e a desgraçada criança no meio de tudo isto. Este caso é um hino à mediocridade e tenho cada vez mais a certeza que quem mais vai pagar por isso acabará mesmo por ser a parte inocente, a criança.

É desconcertante que se a mãe não tivesse identificado o pai, possivelmente o ministério público nunca o teria encontrado e o teste de ADN não teria sido feito. A criança permaneceria filha de pai incógnito até ser adoptada pelo casal e este caso nunca teria tomado as proporções que agora tomou. Se calhar isso teria sido melhor para a criança.
 
citação:Originalmente colocada por Leonardo Sinisgalli

Folgo em saber que ainda há (muita!) gente que não se deixa instrumentalizar pela comunicação social.
Li a decisão (está publicada em www.verbojuridico.net) e a única coisa que aponto é que a medida da pena terá sido um pouco dura (provavelmente uma condenação em pena de prisão suspensa na execução faria mais sentido). Mas é para isso que existem tribunais de recurso.
Quanto ao resto, está impecável.
NEM MAIS.

Deviam ler com atenção o despacho.

Mas a decisão, tomada por UNANIMIDADE por três juizes, está mais que correcta.
Não ha arrependimento do crime e o crime.... CONTINUA.
Não estamos a falar de uma situação passada.
Daí a pena suspensa não fazer qq sentido.

Depois de ler o acordão dou TOTAL razão ao advogado do PAI.
Esta família que raptou a "Esmeralda" não tem condições para ter qq tipo de relacionamento no futuro.

Não se trata de terem sido MAL aconselhados.
Pura e simplesmente não têm qq razão e o CRIME continua.




Falam no DINHEIRO.
Acho muito bem e é pouco.
Se tem dado a filha ao pai ao 1 ano, como este queria, não haveria trauma nem qq motivo para indeminizações nem na altura a mãe tinha dinheiro para pensão de alimento.

Dizer que o que move o PAI é ganância não é apenas especular, à base do que sabemos é pura e simplesmente....... ignorar os FACTOS.
 
citação:Originalmente colocada por jbranco

O que mais me impressiona é que erros grosseiros já foram cometidos pelo pai, pela mãe, pelo casal e até pelo tribunal (quanto mais não seja nas datas) e a desgraçada criança no meio de tudo isto. Este caso é um hino à mediocridade e tenho cada vez mais a certeza que quem mais vai pagar por isso acabará mesmo por ser a parte inocente, a criança.

É desconcertante que se a mãe não tivesse identificado o pai, possivelmente o ministério público nunca o teria encontrado e o teste de ADN não teria sido feito. A criança permaneceria filha de pai incógnito até ser adoptada pelo casal e este caso nunca teria tomado as proporções que agora tomou. Se calhar isso teria sido melhor para a criança.

Lê a decisão do Tribunal e poderás verificar que foram os arguidos que protelaram todo o processo, de forma a atrasar todas as diligências, foram eles que estavam constantemente a mudar de residência e que faltaram inúmeras vezes às audiências às quais estavam convocados.

29-Os esforços já desenvolvidos para que a menor Esmeralda seja entre à guarda e aos cuidados do assistente Baltazar, Nunes foram sempre obviados pela actuação do arguido e Maria Adelina, quer com a denegação expressa da tradição da menor para o assistente, quer com o ocultamento do local onde a mesma se encontra, mudando por diversas vezes de residência.

30- O arguido previu e quis agir do modo acima descrito, animado da
mesma resolução, na execução de plano acordado com a esposa Maria Adelina, com o desígnio de, por meio de tais condutas, não restituir a menor Esmeralda ao assistente Baltazar ..., pessoa que sabiam que juridicamente tinha a sua guarda e direcção, ficando a menor submetida à sua disposição e fora do domínio e controlo do assistente; a quem sabiam que incumbia educar e tratar e com quem aquela deveria viver, não permitindo que a menor pudesse viver com o assistente, privando pai e filha da companhia um do outro.
 
citação:Originalmente colocada por Alpiger

Mas afinal o gajo nunca quis saber da filha, rejeitou-a quando a mãe o foi procurar a dizer que era filha dele e só fez um teste de ADN obrigado pelo MP, agora aparece feito santo, de coitadinho a dizer que a filha lhe pertence?
Depois dos outros a criarem, lhe limparem a porcaria e de a criarem é que ele vem com a historia da ser pai biologico?
Pai é aquele que cria uma criança, não o que dá uma queca para aliviar a pressão.

Cá por mim chirou-lhe foi a dinheiro, por isso é que ele anda tão interessado na muida.

Inicialmente também pensei isso.

No entanto, após conhecimento dos factos, estou do lado do pai biológico.

Possivelmente por ter sido uma relação de ocasião o pai biológico nunca pensou que o filho pudesse ser seu.

No entanto esteve sempre disponível para fazer o teste de paternidade. Foi confirmada a paternidade tinha a criança 1 ano e ele requereu logo a sua custódia ainda sem saber sequer onde é que ela estava e com quem estava.

Por isso não me parece que seja por dinheiro. Embora passados 4 anos privado da relação com a filha, penso que tenha todo o direito de exigir uma indemnização à família de acolhimento.

Concordo com a pena aplicada ao tal "Sr. Sargento" por desrespeitar assumidamente uma ordem do tribunal e não mostrar arrenpendimento nenhum nas suas atitudes.

Quanto a mim não há dúvidas, a criança deve ser entregue ao pai biológico devendo essa transição ser progressiva e devidamente acompanhada.
 
Eu tenho quase a certeza que se fosse ao contraário, ou seja,
se o arguido fosse o carpinteiro,
a polícia tinha encontrado o seu paradeiro e conseguido reaver a
criança em poucos dias...

Parece-me que houve uma protecção pelo facto de ele ser militar.
E isso é um bocado nojento... quem lhe deu protecção também
devia ser condenado.

Ainda bem que a justiça está a funcionar, apesar de demorada,
e a criança vai sofrer mais por este braço de ferro que o
srg. fez do que se tivesse entregue logo a criança.

Acho que ainda ninguém disse, mas acho que já li em algum lado
que a mãe da criança só obteve visto de residência porque era
mãe de um filho de português, por isso interessava-lhe
que o Baltasar reconhecesse a criança.
É natural que o Baltazar estivesse desconfiado, mas também teve
a sua culpa, podia ter assumido a criança e depois verificava a paternidade com análise de ADN. Só que isso também é caro...
 
citação:Originalmente colocada por J.R.

citação:Originalmente colocada por Leonardo Sinisgalli

Folgo em saber que ainda há (muita!) gente que não se deixa instrumentalizar pela comunicação social.
Li a decisão (está publicada em www.verbojuridico.net) e a única coisa que aponto é que a medida da pena terá sido um pouco dura (provavelmente uma condenação em pena de prisão suspensa na execução faria mais sentido). Mas é para isso que existem tribunais de recurso.
Quanto ao resto, está impecável.
NEM MAIS.

Deviam ler com atenção o despacho.

Mas a decisão, tomada por UNANIMIDADE por três juizes, está mais que correcta.
Não ha arrependimento do crime e o crime.... CONTINUA.
Não estamos a falar de uma situação passada.
Daí a pena suspensa não fazer qq sentido.

Depois de ler o acordão dou TOTAL razão ao advogado do PAI.
Esta família que raptou a "Esmeralda" não tem condições para ter qq tipo de relacionamento no futuro.

Não se trata de terem sido MAL aconselhados.
Pura e simplesmente não têm qq razão e o CRIME continua.




Falam no DINHEIRO.
Acho muito bem e é pouco.
Se tem dado a filha ao pai ao 1 ano, como este queria, não haveria trauma nem qq motivo para indeminizações nem na altura a mãe tinha dinheiro para pensão de alimento.

Dizer que o que move o PAI é ganância não é apenas especular, à base do que sabemos é pura e simplesmente....... ignorar os FACTOS.
Se calhar a pena suspensa faria sentido.
Suspensa na execução com a condição de entregar a criança num determinado prazo.
Se não o fizesse, ia dentro...
Mas não sei... Ler o acórdão não é a mesma coisa que conhecer o processo e ter estado presente no julgamento.
 
citação:Originalmente colocada por Leonardo Sinisgalli

citação:Originalmente colocada por J.R.

Daí a pena suspensa não fazer qq sentido.
Se calhar a pena suspensa faria sentido.
Suspensa na execução com a condição de entregar a criança num determinado prazo.
Se não o fizesse, ia dentro...
Mas não sei... Ler o acórdão não é a mesma coisa que conhecer o processo e ter estado presente no julgamento.
Desculpa, fui muito taxativo:).
Não era a intenção;).
A minha frase fica melhor: Daí acho que a pena suspensa não faz lá muito sentido.
:);)
 
citação:Originalmente colocada por JoSonas

Caso complicado? Acho é que tem havido falta de habilidade ou competência para o resolver.
Vejam na obra literária "Casa Grande de Romarigães" de Aquilino Ribeiro, com que "elegância" os padres de Braga resolveram um caso semelhante há umas centenas de anos...

Deves estar a brincar se encontras paralelismo entre uma coisa e outra...
 
No meio disto tudo a criança está em paradeiro incerto, com a mãe adoptiva, o tribunal já considerou isto rapto e prendeu o pai adoptivo, e ninguém parece preocupado em localizar a criança [8]

Num país com justiça a sério a foto da menina e da raptora já estaria espalhada por todo o país.
 
citação:Originalmente colocada por zerorpm

citação:Originalmente colocada por jbranco

O que mais me impressiona é que erros grosseiros já foram cometidos pelo pai, pela mãe, pelo casal e até pelo tribunal (quanto mais não seja nas datas) e a desgraçada criança no meio de tudo isto. Este caso é um hino à mediocridade e tenho cada vez mais a certeza que quem mais vai pagar por isso acabará mesmo por ser a parte inocente, a criança.

É desconcertante que se a mãe não tivesse identificado o pai, possivelmente o ministério público nunca o teria encontrado e o teste de ADN não teria sido feito. A criança permaneceria filha de pai incógnito até ser adoptada pelo casal e este caso nunca teria tomado as proporções que agora tomou. Se calhar isso teria sido melhor para a criança.

Lê a decisão do Tribunal e poderás verificar que foram os arguidos que protelaram todo o processo, de forma a atrasar todas as diligências, foram eles que estavam constantemente a mudar de residência e que faltaram inúmeras vezes às audiências às quais estavam convocados.

29-Os esforços já desenvolvidos para que a menor Esmeralda seja entre à guarda e aos cuidados do assistente Baltazar, Nunes foram sempre obviados pela actuação do arguido e Maria Adelina, quer com a denegação expressa da tradição da menor para o assistente, quer com o ocultamento do local onde a mesma se encontra, mudando por diversas vezes de residência.

30- O arguido previu e quis agir do modo acima descrito, animado da
mesma resolução, na execução de plano acordado com a esposa Maria Adelina, com o desígnio de, por meio de tais condutas, não restituir a menor Esmeralda ao assistente Baltazar ..., pessoa que sabiam que juridicamente tinha a sua guarda e direcção, ficando a menor submetida à sua disposição e fora do domínio e controlo do assistente; a quem sabiam que incumbia educar e tratar e com quem aquela deveria viver, não permitindo que a menor pudesse viver com o assistente, privando pai e filha da companhia um do outro.
Sim, tens razão. Depois de ter lido toda a documentação sou obrigado a rever a minha posição.
 
Temos aqui um texto que ainda não cheguei a perceber quem o fez, mas ja não está no nome do arguido Sr. Sargento, nem existe brasileira, nem carpinteiro, tratam-se as pessoas pelos nomes e está bastante claro o que de facto aconteceu.

É pena nao ter aparecido logo no inicio desta polémica, se calhar não haveriam tantas assinaturas para a libertação do raptor.
 
A possibilidade de Esmeralda continuar a viver com os pais afectivos enquanto não estabelece laços com o pai biológico deverá ser proposta pelo procurador do Ministério Público de Torres Novas, na conferência marcada para terça-feira, caso não haja entendimento sobre a guarda da menor.

Essa solução, que mereceu a concordância do procurador-geral da República, obrigará no entanto o casal Gomes a cumprir algumas condições, que passam por contar à menina da existência dos pais biológicos – Baltazar e Aidida – e de toda a situação que tem envolvido a sua curta mas complicada vida. Luís Gomes e Adelina Lagarto terão de facilitar essa convivência.

A proposta do Ministério Público será apresentada ao juiz responsável pelo processo de poder paternal, a quem cabe tomar a decisão.

O advogado de Baltazar Nunes, José Luís Martins, não quis comentar ontem a proposta do Ministério Público, mas disse, noutras ocasiões, que o seu cliente está “dispostos a todos os actos de flexibilidade”. No entanto, “não abdica do direito de conhecer e de conviver com a filha”.

Na óptica do defensor do pai biológico, a “única questão inultrapassável” é a “defesa do direito de ambos – pai e filha – se conhecerem e poderem conviver. Ele é uma pessoa humilde e tem aguardado, desde há quatro anos, pelo momento de acarinhar a filha, fazendo tudo o que está ao seu alcance para a recuperar, nos limites de qualquer cidadão”, explicou o causídico.

Falta ainda saber se o casal Gomes aceitará essa solução e abrirá as portas da sua residência aos pais biológicos. Até agora, Luís Gomes e Adelina Lagarto têm evitado o contacto entre a menina e os pais.

Além disso, o sargento fez chegar ao Tribunal de Torres Novas, através da sua advogada, Sara Cabeleira, um documento em que desvaloriza o interesse da conferência marcada para terça-feira, por entender que a reunião não é pertinente. O documento expressa ainda a sua discordância em relação à forma como decorreu o processo de regulação do poder paternal.

AIDIDA ESTÁ ARREPENDIDA

Aidida Porto Rui, mãe biológica de Esmeralda, veio ontem dizer que está arrependida de não ter ficado com a filha, mostrando-se disposta a lutar pela sua tutela. Refira-se que se a decisão de atribuição do poder paternal a Baltazar estivesse a ser cumprida, Aidida teria direito a estar com a filha aos fins-de-semana e épocas festivas.

MENINA VIVE COMO FUGITIVA

A vida da pequena Esmeralda – ou Ana Filipa como carinhosamente é tratada pelos pais afectivos – tem sido marcada por fugas às autoridades, desde que o Tribunal de Torres Novas atribuiu o exercício do poder paternal ao pai biológico, Baltazar Nunes, em Julho de 2004. A pouco e pouco a menina foi-se apercebendo de que algo de estranho se passava à sua volta, o que levou Adelina Lagarto a contar-lhe que não nasceu da sua barriga.

Também Luís Gomes se mostrou preocupado com a situação quando foi abordado pela Polícia Judiciária, em Outubro passado. Nestes últimos dois anos e meio a menina tem vivido em Torres Novas e no Entroncamento ou ainda junto dos avós afectivos – em Mação e Estremoz – e o seu paradeiro actual é desconhecido, sabendo-se apenas que está na companhia de Adelina Lagarto. Esta situação também tem impedido que frequente um infantário, onde poderia contactar e conviver com meninos da sua idade.

NOVA ESPERANÇA

CONSTITUCIONAL

O recurso do casal Gomes ao Tribunal Constitucional (TC), a reclamar o direito de recorrer da sentença do poder paternal, poderá ser atendido, pois já houve um caso semelhante. Em Abril de 2004 o TC decidiu a favor de quem reivindicava exactamente o mesmo.

OUTRO CASO

Nas ilhas Canárias, Espanha, existe outro caso semelhante ao de Esmeralda, em que um casal se recusa a entregar à mãe biológica uma menina de cinco anos. Piedad foi retirada à mãe aos cinco meses e entregue para adopção, mas o tribunal quer que volte para a família biológica.

CONTUMÁCIA

Se Adelina Lagarto não comparecer perante o tribunal até 19 de Fevereiro será declarada contumaz, de acordo com um edital do Tribunal de Torres Novas, afixado na sua morada no Entroncamento. Entretanto, Adelina já se dirigiu ao Conselho Superior da Magistratura, dizendo saber que andava a ser procurada pelos tribunais, mas que nunca foi notificada.

http://www.correiodamanha.pt/noticia.asp?id=229112&idselect=10&idCanal=10&p=200
 
Ainda bem que a maioria das opiniões se estão a inverter .....

Os "pais adoptivos", que não o são ..... neste momento estão, em minha opinião a prejudicar a criança....
A criança não tem convivência com outras crianças, está fugida, isolada, não anda em nenhum infantário ....... e um dia destes vais ter que ir para a escola ....

Com a relevância que isto já teve a criança mais dia menos dia vai saber toda a história e por melhores que sejam os "pais adoptivos" vai querer saber porque é que lhe negaram o acesso ao pai biologico.....

Ou estes pais entram todos em acordo, no superior interesse da criança, ou só há a meu ver uma solução: A criança tem que ser entregue ao pai biológico.

Senão, o nosso sistema judicial vale ZERO!

A policia não consegue notificar um militar....
A segurança social aceita uma adopção que pelo que tenho vindo a ler nos jornais era tudo menos legal....

Em termos práticos o pai biologico sabe à quase 3 anos que o é e desde essa data que tenta de facto sê-lo, mas nem as autoridades o têm ajudado nesse aspecto .....

Como é que não se consegue notificar um militar ?!?!?!?!?
Pensem simplesmente nisto .....
 
Esta história anda-me a agitar a mente.
Antes de ir dormir fiquem com isto que alguém escreveu:

http://aguiarconraria.blogsome.com/2007/01/25/usucapiao/

Tenho estado longe da escrita. Gostaria de ter escrito sobre o sequestro da Esmeralda, sobre as sentenças, sobre as morosidades e sobre o tratamento jornalístico dado ao caso. Escasseia o tempo. Lamento essa escassez.

Tenho reparado que no debate público, seja ele económico, político ou desportivo, gostamos de ter opinião antes de termos informação. Depois de formada, a opinião serve como filtro informativo, apenas assimilando o que a confirma. Deste mal padecem também os jornalistas. Os jornalistas assumiram uma causa, a do Sr. Sargento. A partir daí toda a informação passa a servir a Causa.

A primeira informação que passou foi muito simples: um Pai adoptivo (Pai com maiúscula) foi condenado a 6 anos de prisão por se recusar a entregar a filha, a Esmeralda, ao pai biológico (pai com minúscula). O biológico, depois de ter rejeitado e abandonado a filha, queria recuperá-la ao fim de 5 anos. O verdadeiro Pai foi condenado por amar a filha e por querer protegê-la das garras de quem a rejeitou.

Cúmulo da crueldade: a juíza declarou que não ter quaisquer dúvidas da razão da decisão. Daí para a frente, os factos foram sendo cuidadosamente omitidos, atenuados ou desvalorizados. Penso que a primeira vez que a maioria de nós se viu confrontado com os dois lados da questão foi no programa “Prós e Contras”.

Aí descobrimos, contra a vontade do público presente, que faz anos que o poder paternal foi atribuído ao Baltazar (em Julho de 2004, para ser mais preciso). Afinal, o Pai adoptivo nunca foi Pai adoptivo. A adopção nunca existiu, o Notário não tinha competência para tal. Não sendo Pai adoptivo passou a ser Pai afectivo, ou Pai de coração. Sempre com P grande, apesar de há vários anos impedir que o verdadeiro pai veja a filha.

A poeira da desinformação vai assentado e os factos começam a ver a luz. A Esmeralda nasceu de um encontro casual entre o Baltazar e uma imigrante ilegal. Percebo por que duvidou Baltazar da sua paternidade, não é necessário entrar em detalhes escatológicos. Mas, mesmo assim, só um ano depois é que Baltazar perfilhou a esmeralda? Que desumano.

Afinal, lendo o acórdão, ficamos a saber que, desde o início, Baltazar declarou que se se confirmasse que a filha era dele que a criaria. Sete meses depois (e este tempo de espera é revoltante) os testes confirmam: Baltazar é pai de Esmeralda. Ainda a menina não tem um ano de idade. Declara, como sempre o disse, que não a dá para a adopção.

Estamos perante um pai que sempre disse que educaria a sua filha. O Sargento e esposa tinham a Esmeralda em sua posse há um mês, quando souberam das intenções de Baltazar. Querem fazer valer o facto consumado. Querem ficar com Esmeralda por usucapião.

Absolutamente revoltante a forma como os nossos jornalistas apoiam o roubo de uma criança.
 
Na entrada anterior, disse que gostávamos de ter opiniões antes de informações. Uma vez formada a opinião, toda a informação é lida a essa luz. É particularmente triste que os nossos jornalistas e opinion makers assim o sejam também.

O Sargento e esposa receberam de uma desconhecida, em situação ilegal, uma menina com 3 meses de idade (anexada vinha uma doação notarial). Questionamos a seriedade do casal que fez isto? Questionamos a seriedade de quem adopta uma criança desta forma? Analisamos sequer as consequências (tráfico de crianças) de se generalizarem tais processos? Não, não e não. A todas as perguntas a resposta é só uma: o Sargento é um Pai com P grande.

Confrontado com o nascimento, Baltazar não acredita que a filha seja sua. É normal que alguém que teve uma relação ocasional com uma imigrante ilegal brasileira (que já reconheceu que em tempos se prostituiu) tenha bons motivos para duvidar da paternidade? Não, claro que não. O Baltazar teve dúvidas… é um patife.

O Baltazar disse, desde o início, que se os testes de paternidade o confirmassem, que educaria a sua filha. Elogiamos a sua hombridade? Destacamos a sua vontade de assumir as suas responsabilidades? Não! Acusamo-lo de fazer depender a paternidade de um teste. Indignamo-nos, é perfeitamente comum os homens perfilharem filhos que não sabem se são seus. Aliás, sempre que uma prostituta engravida todos os clientes fazem bicha exigindo a paternidade da criança.

Passam uns inusitados 7 meses desde que Baltazar se disponibiliza para os testes até que os resultados são conhecidos. Podíamos, claro, criticar o Sargento e a esposa por não terem apressado os testes. Afinal, depois da forma como receberam a criança, com uma declaração notarial assinada por uma mulher que não conheciam de lado nenhum, deviam estar ansiosos por regularizar a situação. Mas não, criticamos o Baltazar por não ter apressado os testes. Ficamos indignados por não ter recorrido ao IPATIMUP. Será sequer crível que Baltazar, carpinteiro de profissão, nunca tenha ouvido falar no IPATIMUP? Será admissível que Baltazar tenha confiado nos tribunais e presumido que o processo estava a decorrer com a celeridade normal? Não, claro que não, é um patife que não quer saber da filha para nada.

O Sargento e a esposa têm a Esmeralda há um mês quando sabem que o provável pai quererá a filha. Sete meses depois, ainda Esmeralda não tem um ano de idade, confirma-se. Dada a forma absoluta e obviamente ilegal como receberam uma criança, prontificam-se a entregá-la ao pai? Não. Afinal de contas são uns Pais maravilhosos.

Estivesse eu na pele do Baltazar e contrataria uns marmanjos para assaltar a casa do Sargento e recuperar a filha. Tivesse ele feito isso e teria todos os jornais, jornalistas e opinion makers a seu lado. Mas não, como não disparatou, como não se pôs aos tiros, como (provavelmente) acreditou no sistema judicial, esperou por uma decisão de um Juiz. É um patife, portanto, se fosse um bom pai teria sido pró-activo, em vez de se sentar passivamente à espera de uma decisão do tribunal.

Decisão que chegaria, tinha Esmeralda 2 anos. O Juiz deu-lhe razão. E o Sargento, como bom Pai que é, Pai afectivo e do coração, recusou-se a entregá-la. Não deixa a Esmeralda ver o pai. Não se sabe o seu paradeiro. Não se sabe como será em Setembro quando começar a Escola Primária. Esconde a Esmeralda há três anos. Ninguém se indigna com o Sargento. Afinal, Pai é quem cria (nem que para isso tenha de roubar uma criança com poucos meses de idade). Quem, como o Baltazar, actua sempre dentro da legalidade, sempre recorrendo às instâncias competentes, não merece a filha que fez.

Qualquer facto relatado é interpretado à luz das primeiras impressões: o Sargento é um Pai extremoso e protector, o Baltazar abandonou a filha. Penso que foi a Mafaldinha que afirmou que metade do que os jornais dizem é falso e que metade do que devem dizer não dizem pelo que, na verdade, nem sequer existem. É pena.

http://aguiarconraria.blogsome.com/
 
citação:Originalmente colocada por Omega

citação:Originalmente colocada por Pé Leve

Evidentemente continuar na família de adopção!...

.... e mais nada ?
Estas situações são sempre complexas, sob o ponto de vista humano! No caso o já muito falado "superior interesse da criança" determina, todos os especialistas o dizem, que ela se mantenha com quem de facto gosta dela!

Só conheço o caso pela comunicação social, mas do que se me é dado a ver acho muito estranho este súbito interesse do pai biológico anos depois da filha nascer e de ele saber disso...

Talvez hajam algumas contrapartidas sociais no ter-se uma filha, sem ser-se casado... Não sei, mas posso imaginar alguns cenários...
 
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