Compra de dívida (pública e privada) entre outros activos por BCs:
- Os valores de compra de activos (muitos deles privados) são astronómicos. Os cidadãos não tem qualquer tipo de controle (democrático) sobre que activos são comprados; e já sabemos que em instituições onde há dinheiro a rodos há um potencial enorme para maquinações, favorecimentos, corrupção, compadrio e que os organismos fiscalizadores fechem os olhos a formação de oligopólios. Estamos a falar de quantidades estratosféricas de capital; quem tiver acesso privilegiado e prioritário a esse capital (liquidez numa altura de escassez de capital, terá uma vantagem enorme em relação aos restantes cidadãos/empresas. Podem também ser os primeiros a converter essa liquidez em bens "tangíveis" o que é uma vantagem injusta; esses bens que normalmente são escassos sofrerão valorização (imobiliário por exemplo) logo há aqui uma vantagem completamente injustificada. Que controle democrático há sobre esse processo?
E sabemos, que normalmente, quem tem muito capital (sobretudo obtido por vias "fáceis") tenderá a pressionar os organismos de forma a continuarem a beneficiar de tal sistema. Não perceber que tal situação é uma espiral perigosa e (IMHO) inadmissível é um grande erro.
- Como este tipo de (crony)"capitalismo" gera rendimentos astronómicos, quem terá maior capacidade de captar os maiores génios são este tipo de empresas. A sociedade como um todo beneficia duma via em que mentes brilhantes vão para o Citi e para a Goldman montar instrumentos financeiros como CDOs (lixo especulativo) e outros do mesmo tipo, ou se esses génios forem para instituições como o Instituto Max Planck, fazer R&D em genética, bioquímica, física, química orgânica, etc? Eu não tenho dúvidas sobre qual a mais benéfica.
- A competição entre as empresas fica completamente distorcida; quem tiver maior acesso a este tipo de programas consegue bater empresas com menor foco em lobby e maior foco em R&D e prestar o melhor serviço ao cliente.
- O tipo de gestão das empresas fica muito mais focado no curto prazo e muito mais irresponsável: buybacks de acções, distribuição de dividendos chorudos, pagamentos de brutos salários aos CEOs/outros. Tudo sustentado em emissão de dívida para sustentar essas orgias. A sustentabilidade da empresa no longo prazo fica para segundo plano ... ainda para mais com a ideia instalada de que "somos To Big to Fail", logo nem que a gestão dê barraca, há sempre de aparecer a "ajuda divina" para resgatar a situação.
Por outras palavras: menos meritocracia e muito mais crony capitalism.
No caso de emissão pura e dura de moeda:
- Acho que é razoavelmente consensual que a longo prazo, emitir moeda não é solução para nada. Normalmente dá barracada. Mais moeda em circulação geral, para o mesmo nível de produção de bens e serviços não resolve nada. É algo completamente artificial. Mais tarde ou mais cedo a careca fica à mostra e os bens tangíveis começam a escalada de preços. Quem perceber numa fase inicial, que está a jogar o jogo da dança das cadeiras para adultos converte a moeda em bens tangíveis. Quem não o fizer, mais cedo ou mais tarde fica com moeda com cada vez menor poder (real) de compra.
- É imoral um estado ter uma moeda, que serve como meio de troca e como meio de reserva de valor e duma forma intencional, desvalorizar a mesma. Os cidadãos que escolheram conter o seu consumo imediato, para o fazerem numa situação futura (poupança) ou para reserva de segurança futura estão a ser burlados. Repito ... burlados. É uma charlatanice, e ao meu ver completamente imoral.
Bem isto é o que me lembrei assim à pressa. E também porque não quero meter aqui uma muralha de texto.
Mas o tema é duma complexidade e ramificações muito vasta.