Crianças portuguesas são, a par das polacas, aquelas que enfrentam mais dificuldades
Uma em cada cinco crianças portuguesas encontra-se em risco de pobreza. Os dados são de um relatório da Comissão Europeia que põe ainda Portugal como um dos países da UE com mais fraca assistência social.
O relatório conjunto sobre a protecção social e inclusão social - a apresentar esta segunda-feira e que deverá ser adoptado dia 29 pelo Conselho de Ministros do Emprego e Segurança Social - coloca Portugal no grupo dos oito países da União com os níveis mais elevados de pobreza na infância.
Em termos de elevados índices de pobreza entre as crianças e fraca assistência social, Portugal apenas é ultrapassado pela Polónia.
Os dados do relatório revelam ainda que o risco de exposição à pobreza abrange tanto crianças que vivem com adultos desempregados como as que vivem em casas onde não há desemprego.
Neste sentido, o padre Lino Maia, presidente da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS), denuncia a falta de apoio às instituições de solidariedade.
"As instituições sentem o agravamento da pobreza no país e têm feito um grande esforço", afirmou Lino Maia, pouco surpreendido com este relatório.
O responsável do CNIS sublnha que a situação se tem "vindo a agravar, sobretudo no interior do país e na periferia de Lisboa e do Porto, onde o desemprego é uma realidade".
Esta ideia é reforçada pela CGTP, com a central sindical a falar no crescente agravamento das condições de vida das famílias portuguesas. "A situação não é surpreendente, porque a pobreza está a agravar-se nas famílias portuguesas e isso, obviamente, reflecte-se nas crianças", declarou Maria do Carmo Tavares, da CGTP.
A sindicalista notou que os trabalhadores portugueses estão a empobrecer, sendo que - afirmou - um terço dos beneficiários do Rendimento Mínimo de Inserção, cerca de 30 mil pessoas, tem rendimentos provenientes do trabalho.
O estudo também foi comentado pela presidente do Banco Alimentar, Isabel Jonet, que faz igualmente questão de sublinhar que o número de crianças afectadas pela pobreza tem vindo a aumentar nos últimos anos devido ao agravamento das condições de vida de muitas famílias.
"Muitas crianças apenas se alimentam com o que lhes é servido nas instituições de solidariedade social, nem sequer tomam pequeno-almoço em casa", afirmou Isabel Jonet, apontando como exemplo desta realidade uma instituição que pesou as crianças antes e depois de elas irem de férias e verificou que regressaram mais magras, presumivelmente por não se alimentaram em condições.
Portugal entre os piores da UE na pobreza das crianças e fraca assistência social
O relatório agora apresentado divide os Estados-membros em quatro grupos relativamente a resultados nacionais em cada um de três grandes sectores: desemprego, pobreza dos trabalhadores e insuficiência da assistência social.
No Grupo A, que abarca os países com melhores resultados (níveis baixos de desemprego, de pobreza nos lares onde há crianças e segurança social eficaz), encontram-se Áustria, Chipre, Dinamarca, Finlândia, Eslovénia, Holanda e Suécia.
O Grupo B integra Alemanha, Bélgica, Estónia, França, Irlanda e República Checa.
O Grupo C inclui Eslováquia, Hungria, Malta e Reino Unido.
O Grupo D (dos países com níveis relativamente altos de pobreza nas crianças e uma fraca assistência social) inclui Espanha, Grécia, Itália, Letónia, Lituânia, Luxemburgo, Portugal e Polónia.
São excluídos do relatório a Bulgária e a Roménia, os últimos Estados-membros a aderir à União Europeia.
Paulo Alexandre Amaral, RTP
2008-02-25 11:38:24
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