A pobreza que não pára de aumentar em Portugal...

A noticia é recente mas demonstra, que por vezes em vez de almejar a excelência, se retira o pouco que já existe a coberto de pseudo politicas sociais abrangentes.

Entroncamento: CP vai encerrar infantários da empresa para alargar apoio a todos trabalhadores com filhos
Há coisas que me fazem ferver o sangue e essa é uma delas, então num país onde se paga 4185 euros, mais 923,08 euros por mês de despesas de representação e prémio de eficiência aos gestores públicos, a única maneira de poupar que eles encontram é fechar infantários?
 
" Novos Pobres " - Quando a pobreza deixa de atingir somente os menos abastados

" Novos Pobres " - Quando a pobreza deixa de atingir somente os menos abastados

Hoje ao aceder do meu posto à web, vindo a este fórum deparei-me com o tópico do Banco Alimentar.

E apesar de algumas argumentações que vi no referido tópico, pergunto-me se eventualmente a sociedade portuguesa, e em geral o Português Médio toma consciência de que está mais perto do abismo do que supõe ?

Apesar dos inúmeros alertas e debates, da passagem até exaustão de reportagens sobre as acções contra a pobreza do Coração Da Cidade, Exercito de Salvação, da Sopa dos Pobres nos Anjos, etc, etc.

E contudo, arrogantemente uns teimam em olhar para o lado, e outros do alto do seu pedestal, teimam ainda em assacar culpas a tudo e a todos, mas nunca se interrogam, se não contribuirão também para que a pobreza prolifere.

A pobreza não é fruto somente do pedinte, do excluído social ou do toxicodependente, a pobreza é fruto essencialmente e hoje e cada vez mais, da família que não possui rendimento suficiente para fazer face à carestia de vida, aos custos cada vez mais elevados da alimentação, da compra de bens para vestir e calçar, do custo dos transportes para ir para o trabalho, do sistema de saúde que sendo ineficaz e moroso, empurra cada vez mais, para uma solução privada, e da educação, a educação que é essencial para os meus filhos, para os vossos filhos, que serão em ultima instância o futuro de uma sociedade que crê e pretende mais justa.


Deixo um texto enviado uma amiga minha, pertencente a programas de voluntariado, o texto reflecte o que actualmente ocorre já numa vasta franja da nossa sociedade.

Campanha do Banco Alimentar: «Alimente esta ideia»
Isabel Jonet alerta para fenómeno de «nova pobreza»

Durante este fim-de-semana, 3 e 4 de Maio, sai à rua nova campanha do Banco Alimentar Contra a Fome. Nos estabelecimentos comerciais das zonas de Lisboa, Porto e Braga, Coimbra, Évora e Beja, Aveiro, Abrantes, S. Miguel, Setúbal, Cova da Beira, Leiria-Fátima, Oeste, Algarve e Portalegre os portugueses vão ser convidados a “Alimentar esta ideia”.

As campanhas destinam-se à recolha de alimentos que por sua vez vão ser distribuídos por 1542 instituições e alimentar 232 mil pessoas.

Nas campanhas são privilegiados os produtos não perecíveis, tais como leite, conservas, azeite, açúcar, farinha, bolachas, massas, óleo.

Isabel Jonet, Presidente do Banco Alimentar Contra a Fome, explica à Agência ECCLESIA que as campanhas servem também para interpelar o público para a sua possibilidade e capacidade de partilharem com as pessoas mais carenciadas da sua região os alimentos.

“A alimentação tem um valor incomparável com todos os restantes bens de consumo pois sem alimentação morre”, destaca a Presidente”, explica, diferenciando os alimentos de outros bens de consumo”.

Mas a campanha do Banco Alimentar Contra a Fome representam também a maior acção de voluntariado organizado em Portugal. Uma actividade que envolve os 13 Bancos existentes no país – Porto, Aveiro, Cova da Beira, Coimbra, Abrantes, Leiria-Fátima, Oeste, Portalegre, Lisboa, Setúbal, Évora, Algarve, São Miguel -, mobiliza cerca de 17 mil e 700 pessoas que querem dar o seu tempo por uma causa que acreditam e com a qual se identificam.

Isabel Jonet sublinha a generosidade dos portugueses. A adesão às campanhas, apesar da crise, “tem sido muito boa”. Uma generosidade compreendida tanto na partilha alimentar como na disponibilidade voluntária.

Pobreza crescente

Os produtos que o Banco Alimentar recolhe não são suficientes para as necessidades actuais – a ajuda prestada estende-se a 1542 instituições, mas contam com muitos pedidos em lista de espera.

“Muitas são as pessoas carenciadas”, dá conta Isabel Jonet, consequência dos factores da crescente inflação, baixas pensões de reforma aliados ao fenómeno de “nova pobreza”.

São muitas as pessoas que trabalham mas que não conseguem com os seus rendimentos satisfazer as necessidades do agregado familiar. “Chegam a meio do mês e não têm o que comer”.

Duas vezes por ano a campanha do Banco Alimentar sai à rua para alimentar uma actividade que se desenvolve ao longo de todo o ano, “porque as pessoas têm de comer todos os dias”, acrescenta a Presidente do Banco Alimentar.

Através do auxílio às instituições, o Banco Alimentar Contra a Fome presta ajuda a cerca de 232 mil pessoas comprovadamente necessitadas, mas sem criar dependências.

Este é um factor que “distingue a nossa acção”. Isabel Jonet aponta o desejo de as próprias pessoas mudarem de vida e sejam autónomas.

A lógica do assistencialismo pode criar “perversões”, tirando as pessoas do mercado de trabalho. “Os alimentos têm de servir também a auto estima das pessoas e servem para ultrapassar o que poder ser apenas um mau momento na vida”.

Dinâmica da sociedade civil

A acção do Banco Alimentar põe em evidência o poder que a sociedade civil tem de substituir, com vantagem ao Estado, e participar na resolução de alguns dos problemas com que se confrontam as sociedades modernas.

Isabel Jonet foca que ao Estado compete delinear estratégias e as definições de políticas, ao mesmo tempo que deve potenciar o trabalho da sociedade civil. Esta “está mais próxima dos problemas e torna-se mais eficaz na resolução dos problemas”, adianta, promovendo respostas “próximas, individuais e específicas para cada problema”.

Outras campanhas

Em simultâneo com o modelo tradicional de recolha de alimentos, vai ainda decorrer até 11 de Maio a campanha "Ajuda Vale", presente em todas as lojas das cadeias Dia⁄Minipreço, El Corte Inglês, Jumbo⁄Pão de Açúcar, Lidl, Modelo⁄Continente, Pingo Doce e Feira Nova.

Também na rede de lojas Payshop, 3300 lojas espalhadas por todo o país, é possível contribuir para esta campanha, fazendo uma doação em dinheiro que será convertida em leite e dará lugar à emissão de recibo.
Agência Ecclesia
 
Última edição:
Conheço algumas pessoas que mesmo tendo um trabalho precário e mal pago, contribuem sempre com alguma comida, há dias estive a falar com uma das senhoras que fazem limpeza lá no meu trabalho, senhora já de idade de origem cabo-verdiana que quase só fala crioulo e que me dizia, que quase tudo o que lhe sobra do magro vencimento, usa para comprar um saco de arroz que dá religiosamente todos os meses ao Banco Alimentar.

Dizia-me a venerável anciã (já tem 60 anos), que quando cá chegou não tinha dinheiro nem conhecidos e foi o Banco Alimentar que sempre a ajudou.

Se esta senhora consegue fazer isto, com certeza que todos poderemos fazer melhor, muito melhor.
 
Ainda sobre os "Novos Pobres", e um artigo publicado no Expresso da autoria de Raquel Moleiro.

A denúncia parte de Isabel Jonet, presidente do Banco Alimentar. São os
"os novos pobres": a classe média sobreendividada.
Raquel Moleiro

Manuela, 33 anos, hesitou antes de escrever aquele "e-mail" para o Banco Alimentar
Contra a Fome (BACF). E mesmo enquanto o redigia, não tinha ainda a certeza de, no
fim, ter coragem de carregar no botão de enviar. Ela, bacharel em Relações Internacionais,
quadro de um ministério, casada com um professor de educação física e ex-atleta
olímpico. Ela, mãe de uma bebé com cinco meses, tinha agora de pedir ajuda para
alimentar a família. O marido que ficou sem emprego, um salário de €2000 que
desapareceu no mês em que festejaram a gravidez., a renda de casa que foi falhando
vezes de mais, o cartão de crédito gasto até ao limite, o apartamento trocado por um
quarto, e nem assim a comida chegava à mesa. "No dia em que enviei o "e-mail",
faltavam três semanas para receber e só tinha €80", explica. "Havia para o bebé,
mas nós íamos passar fome".

O Caso tem um mês. Ana Vara, assistente social do BACF, ligou a Manuela mal leu o
pedido. E disse-lhe o que tanto tem repetido últimamente: não tenha vergonha, não
é a única. "Nos últimos quatro meses, mais que duplicaram os pedidos directos ao
banco alimentar. E há cada vez mais casos de classe média", garante Isabel Jonet.
A directora do BACF chama-lhes "os novos pobres": empregados, instruídos,socialmente
integrados, mas, ainda assim, vítimas da pobreza e até na fome. Nos últimos três
meses, chegaram ao banco alimentar de Alcântara 250 casos, 30 % dos quais se
enquadram nesta nova categoria. E em todos há pontos transversais: mais mulheres,
muitas mães, desemprego inesperado, rupturas familiares, e sempre sobreendividamento.

Todos os casos são encaminhados para instituições de solidariedade da área de residência
das famílias, através das quais acedem ao apoio alimentar do banco. Mas é também
traçado um plano de vida, para que a situação de carência não passe de um episódio
transitório. Manuela foi apoiada pela Ajuda de Mãe, deram-lhe comida para o mês e
uma lata de leite para a menina. "Foi o suficiente. Entretanto o meu marido já tem
algum trabalho, arranjámos casa a 80 kms de Lisboa. Estamos melhor", garante. Ainda
assim vive sem frigorífico e com o peso na alma de não ter dado à filha uma vacina de
quatro tomas, a €70 cada.

As famílias tradicionalmente carenciadas aparecem no banco alimentar, pedem olhos
nos olhos. Os novos pobres gritam por ajuda, envergonhadamente, atravé do correio
electrónico. Como Luciana, médica, cujo desemprego súbito do marido fez ruir e estrutura
económica do lar de nove filhos. Sem ele saber, sem o magoar de vergonha,
pediu apoio alimentar para uma casa onde nunca tinha faltado nada.

É um flagelo da era moderna que a Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor
(DECO) confirma: "Este ano foi mais notório o recurso por parte de famílias com
rendimentos mensais na casa de dois a três mil euros", adverte Natália Nunes,
responsável pelo Gabinete de Apoio ao Sobreendividado. Até 2005, os rendimentos
dos agregados rondavam os mil euros, hoje os pedidos de socorro chegam à classe média
e média alta. "São pessoas com rendimentos acima da média mais que carregam um
peso maior de créditos", explica.

E exemplifica: João, casado com Teresa, é quadro superior de uma empresa e a vida
corria-lhes bem. Teresa ficou há lagos meses desempregada e o rendimento mensal
do casal caiu para €3130. Não têm filhos mas carregam às costas 15 créditos,
entre o empréstimo da casa, créditos pessoais e cartões. Por estas prestações
pagam €2700.

Natália Nunes diz que estão a chegar ao Gabinete agregados familiares desesperados,
apesar de usufruírem de um rendimento mensal entre os €4000 e mais de €6000.
É o caso de Paulo e Cristina, ambos professores universitários, com dois filhos menores
e um rendimento mensal de €6300. O motivo da derrapagem orçamental deveu-se
a uma doença de um dos familiares que obrigou o casal a recorrer mais ao crédito e
ao uso dos cartões. Sem poupança e com uma despesa para pagar, os créditos de €4500
mês, da qual a maior fatia vai para o empréstimo à habitação, e despesas correntes
de €2600 (alimentação, água, luz, educação, saúde, entre outras), o saldo do casal
tornou-se negativo em €800.
(Expresso)
 
epa..fico de boca aberta...com estas situações...
eu que tenho com a minha cara metade um rendimento mensal de
2300 euros...consigo fazer vida...e a unica situação de credito que tenho é
o carro 220 euros e a casa 600 euros consigo desenrascar-me porque será que as outras pessoas nao o conseguem???
ahhh e tenho uma filha com 6 anos...
lá está o que penso é uma questao de mentalidades...saber gerir o orçamento...

cumprimentos
 
Há quem viva no fio da navalha. Uma pequena escorregadela e começam-se logo a enterrar.


Muitos há, que nem precisam de viver no fio da navalha.

O exemplo do rendimento de dois salários mínimos num agregado familiar, é por si só factor de pobreza. E já nem falo no limite de um salário mínimo e um subsidio de desemprego, ou de alguém que possa já ter ultrapassado o periodo de tempo para usufruir de um subsidio, porque os há, e não são tão poucos quanto se possa pensar.
:sh)
 
epa..fico de boca aberta...com estas situações...
eu que tenho com a minha cara metade um rendimento mensal de
2300 euros...consigo fazer vida...e a unica situação de credito que tenho é
o carro 220 euros e a casa 600 euros consigo desenrascar-me porque será que as outras pessoas nao o conseguem???
ahhh e tenho uma filha com 6 anos...
lá está o que penso é uma questao de mentalidades...saber gerir o orçamento...

cumprimentos


com 2300€ qualquer pessoa faz a vida que quer.

só que esqueces-te que há muita família que, com os dois salários juntos, não fazem mais de 1200/1300€.

e é bom não esquecer que muitas dessas pessoas também precisam de carro e, todas, precisam de uma casa. e dificilmente arranjas uma casa, decente, por menos de 350/400€ mensais e um carrito minimamente seguro por menos de 150/200€.

com 1200€ por mês não há milagres. ou cada um tem que arranjar uma casa e um carro de acordo com os seus rendimentos e, quem menos tem, deve viver debaixo da ponte e andar de zundapp??

depois admirem-se que ainda haja gente a viver em barracos sem condições e com veículos a cair de podre.

ld
 
Algumas situações, ainda acho compreensiveis, mas outras são completamente alucinadas.

Como é q um casal, em que um deles tem mais de 3000 de rendimentos, chega ao ponto de recorrer ao BA? Porque tem 15 créditos????????

E pelos vistos não são nenhuns morcões.
 
Algumas situações, ainda acho compreensiveis, mas outras são completamente alucinadas.

Como é q um casal, em que um deles tem mais de 3000 de rendimentos, chega ao ponto de recorrer ao BA? Porque tem 15 créditos????????

E pelos vistos não são nenhuns morcões.

É a tal questão que muitas vezes se fala da mania que os tugas têm de viver acima das possiblidades. 15 créditos, a maior parte provavelmente com taxas altissimas, que financiaram isto e aquilo que não era minimamente necessário (consumismo).
 
É a tal questão que muitas vezes se fala da mania que os tugas têm de viver acima das possiblidades. 15 créditos, a maior parte provavelmente com taxas altissimas, que financiaram isto e aquilo que não era minimamente necessário (consumismo).

Para variar ninguem lê o que está escrito, no caso dos casal de professores descrito, surgiu um problema de saude que obrigou o recurso ao credito, que os deixou de repente sem meios, é claro que com 6300 € de rendimento mensal, é aparentemente facil, renegociar prazos de forma a resolver o problema de liquidez.

talvez não saibam, mas até há muito pouco tempo este tipo de pessoas estava permanentemente a ser pressionado para contrair novos créditos, práticamente todas as semanas deviam receber propostas de crédito pré -aprovado de valores absurdos.
 
É a tal questão que muitas vezes se fala da mania que os tugas têm de viver acima das possiblidades. 15 créditos, a maior parte provavelmente com taxas altissimas, que financiaram isto e aquilo que não era minimamente necessário (consumismo).

Não são só as taxas de juros que tramam o tuga são os preços dos bens...

Por exemplo umas levis 501 que custam 18.72€ no EUA ( ver site da marca) são pagas pelo tuga a 110€.[:D][:D]

É do crl
 
Para variar ninguem lê o que está escrito, no caso dos casal de professores descrito, surgiu um problema de saude que obrigou o recurso ao credito, que os deixou de repente sem meios, é claro que com 6300 € de rendimento mensal, é aparentemente facil, renegociar prazos de forma a resolver o problema de liquidez.

talvez não saibam, mas até há muito pouco tempo este tipo de pessoas estava permanentemente a ser pressionado para contrair novos créditos, práticamente todas as semanas deviam receber propostas de crédito pré -aprovado de valores absurdos.
Tu é que não leste...

"São pessoas com rendimentos acima da média mais que carregam um
peso maior de créditos", explica.
E exemplifica: João, casado com Teresa, é quadro superior de uma empresa e a vida
corria-lhes bem. Teresa ficou há lagos meses desempregada e o rendimento mensal
do casal caiu para €3130. Não têm filhos mas carregam às costas 15 créditos" Era deste caso que estava a falar

Eu também recebo todas as semanas créditos pré-aprovados de 10 e 15000 euros... Sabes quantos é que já contraí? Isso de ser "pressionado" só o é quem quer.
 
Compreendo que em agregados familiares com rendimentos mensais até 1500€/mês, um caso de desemprego se torne muito problemático. Agora, com rendimentos acima dos 3000€ como se fala no artigo, só passa fome quem quer!
Com esse dinheiro paga-se casa, carro e tem obrigatoriamente que sobrar para poupar!
Mas tudo bem: uns preferem ter comida na mesa, outros preferem dizer que já foram às caraíbas no Natal, à neve no Carnaval, ao Brasil na Páscoa, etc, etc.
 
Não são só as taxas de juros que tramam o tuga são os preços dos bens...

Por exemplo umas levis 501 que custam 18.72€ no EUA ( ver site da marca) são pagas pelo tuga a 110€.[:D][:D]

É do crl


Só deve pagar 110€ por umas calças de ganga quem quer e pode.

Há quem não possa e queira...

Quem pode mesmo, vai aos EUA comprar... Se ninguém em PT comprasse as calças a esse preço, elas baixavam de certeza [;)]
 
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