A pobreza que não pára de aumentar em Portugal...

Talvez haja uma possível relação entre os dados/cenários (esta última expressão académica há muito que se aplica em termos retóricos no burgo, desde dos tempos históricos de uma politica de fútil transporte e não de fixação e desenvolvimento de riqueza , em caso de dúvidas basta estudar a geografia humana de Portugal do século XX e fazer uam pequena analogia aos tempos actuais do binómio emigração/imigração) e este outro artigo.

80% dos pobres têm emprego
Mas trata-se de emprego precário ou mal pago...
 
Pobreza em Portugal não pára de crescer

Ontem

JN
"Os portugueses continuam a empobrecer". A conclusão é da Assistência Médica Internacional de acordo com dados recolhidos no primeiro semestre do ano.


Assistência Médica Internacional (AMI) diz que há uma nítida tendência para um crescente número de casos de pobreza e que a grande maioria das pessoas que pede auxílio encontra-se em plena idade activa, entre os 21 e os 59 anos de idade.


A dois dias de se assinalar o Dia Internacional para Erradicação da Pobreza, a AMI refere que 5201 pessoas procuraram o apoio social da organização. "Mais 506 que em igual período de 2008 e um número que se aproxima perigosamente dos totais anuais de anos anteriores (em 2004, o número total foi de 5929)", refere. Em comparação com o primeiro semestre do ano anterior, verifica-se um aumento de cerca de 10%.



No primeiro semetre deste ano, quase duas mil pessoas recorreram pela primeira vez ao apoio social da AMI, "mais 24% que durante o mesmo período no ano anterior"
A maioria da população que recorreu aos centros Porta Amiga encontra-se em situação de desemprego (80%), tendo como principais recursos os subsídios e apoios institucionais e o apoio de familiares ou amigos.


Relativamente ao Rendimento Social de Inserção (RSI), verificou-se um aumento do número de beneficiários comparativamente ao mesmo período do ano passado.
Ainda segundo a AMI, o serviço que maior procura registou neste período de tempo foi o de distribuição de géneros alimentares, roupa e medicamentos.
Pobreza em Portugal não pára de crescer - JN
 
19-09-2009 16:50:47
Pobreza em Portugal é persistente, afirma professora Porto, 19 set (Lusa) - Os estudos mais importantes sobre a pobreza em Portugal têm como traço comum a persistência do fenômeno, apesar das várias políticas para mitigá-lo, disse à Agência Lusa a professora da Faculdade de Economia do Porto (FEP), Aurora Teixeira.

"Têm existido esforços em termos de políticas para mitigar a pobreza, mas as questões são de tal maneira estruturais e persistentes que os pobres são sempre pobres e é muito difícil saírem desta condição", afirmou Teixeira, co-organizadora da conferência "O que sabemos sobre a pobreza em Portugal?", que acontece neste sábado FEP.

Ela reconheceu que, em momentos de crise econômica, "há mais risco de uma maior incidência da pobreza", sobretudo pelo aumento do desemprego.

"Mas a quantidade de pobres que temos e as características dessa pobreza continuam lá muitos anos. As políticas têm sido incapazes de resolver os problemas", afirmou.

Teixeira considerou que a atribuição de subsídios "é um remédio pouco eficaz", que, "muitas vezes", se torna "pernicioso".

"O subsídio pode ajudar, mas não vai resolver o problema. A ideia é dar uma cana e ensinar a pessoa a pescar. Tem de ser uma acção concertada entre vários ministérios, centrada na educação", defendeu.

Além disso, Teixeira reconheceu que "um governo não resolve por si só o problema da pobreza", cuja solução tem de passar pelas próprias pessoas e implica a adopção de políticas "por períodos mais longos do que os quatro anos de um governo".

Na opinião dela, as instituições de combate à pobreza "têm de ter mais independência" e não podem mudar de dirigentes e de políticas cada vez que muda o governo.

A conferência da FEP, dedicada à memória da pesquisadora Maria Leonor Vasconcelos Ferreira, vai incluir intervenções de professores universitários e de dirigentes de instituições que estudam e combatem a pobreza.

Entre os conferencistas, contam-se as presidentes da Federação Portuguesa do Banco Alimentar Contra a Fome, Isabel Jonet, da Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego, Catarina Marcelino, e do Instituto Nacional de Estatística, Alda Maria Caetano Carvalho.

Nuno Alves, do Banco de Portugal, vai apresentar os resultados preliminares de um estudo em que aponta a educação como "um importante fator explicativo da pobreza em Portugal".

No artigo que irá apresentar, Alves identificaou vários canais de transmissão intrageracional da pobreza, "nomeadamente os elevados retornos da educação no mercado de trabalho em Portugal, o fato de os cônjuges apresentarem, em média, percursos escolares análogos e a estreita relação entre o nível de pensões e o nível de salários ao longo ou no fim da vida ativa".
Lusa: Agência de Notícias de Portugal
 
A pobreza em Portugal


06 OUT 09 às 09:30




A Cáritas tinha avisado e agora veio confirmá-lo: com o final das férias aumentou o número de famílias que estão a precisar de apoio. Para ajudar os que não querem expor a situação que atravessam, a Cáritas decidiu iniciar a distribuição de vales de refeição que podem ser trocadas nos supermercados.

O desemprego tem sido o principal responsável por este aumento e o problema estende-se a todo o país. Um relatório da OCDE, revelado o mês passado, mostrava, no entanto, que a maioria dos trabalhadores portugueses vive em risco de pobreza.

Teme poder cair numa situação em que precisará de pedir ajuda para subsistir?

O que deve ser feito para ajudar os que cairam numa situação de pobreza?

Deve ser reforçado o apoio do estado às instituições que lidam directamente com as famílias em necessidades?

pobrezahttp://tsf.sapo.pt/PaginaInicial/Vida/
A pobreza em Portugal - TSF
 
Mas trata-se de emprego precário ou mal pago...

Digamos a incidir sobre os (...), nem a suposta qualificação ou preparação profissional:sh), mas repare-se no contraste da questão em que se afirma que nem mesmo a suposta existência de trabalho e respectiva renumeração alivia os números da questão.

Sendo um dos melhores países a acolher imigrantes, Portugal continua a ser um país de emigrantes. Isto significa que os melhores vão embora, não por falta de apoios sociais, mas por falta de oportunidades.

A distinção com que Portugal foi brindado pela ONU no que toca ao modo como recebe os imigrantes, honra-nos. Pessoalmente, sempre fui a favor da abertura dos países - sobretudo de um país como o nosso - aos imigrantes de todo o mundo, os quais devem usufruir de todos os direitos essenciais, desde que cumpram todos os deveres que são impostos à comunidade.

A minorar esta distinção, que é mérito do Governo - porque o Governo tendo responsabilidades, há-de ter os correspondentes louvores -, temos um número terrível: por cada 15 novos imigrantes que chegam, 100 portugueses partem do país, segundo um estudo de Helena Rato, do Instituto Nacional de Administração.

Ou seja, o nosso saldo demográfico é negativo e, pior do que isso, devemos estar a deixar fugir qualificação.

Mas porque partirão estes portugueses? Por não terem emprego, é quase certo. Mas, acima de tudo, por não haver em Portugal oportunidades suficientes; porque, em matéria de apoio social prestado aos desempregados e pobres não se poderão queixar do país, que os tem disponibilizado de forma crescente. Vejamos, a este respeito, números divulgados esta semana: só o Rendimento Social de Inserção foi este ano distribuído a mais 11,3% das pessoas, atingindo um número recorde de 385 164 beneficiários.

O Governo deveria, pois, dar prioridade não apenas ao emprego, mas ao apoio às famílias e à mobilidade no emprego, para não continuar apenas a subsidiar quase indiscriminadamente quem recorre ao Estado.

Se repararmos bem nos indicadores, verificamos que há imenso a fazer no campo do combate à pobreza e à desistência social, se houver criatividade e, sobretudo, justiça.

O fim da protecção cega ao emprego de modo a permitir que quem não o tem a ele aceda é apenas um exemplo. Outro, é a prevenção da gravidez na adolescência e das famílias monoparentais, que são hoje duas das principais causas de pobreza. Mas há, seguramente, muitos outros aspectos escondidos ou nunca referidos por politicamente incorrectos e se terem tornado dogmas de certa esquerda.

Se o Estado não atender a estes e outros problemas relacionados com a pobreza, limita-se a actuar a jusante, quando eles já são insolúveis. E, de um país assim, fogem aqueles que querem singrar na vida, progredir, ter um emprego, uma casa, uma família.

Como nos anos 60 fugiram das aldeias os melhores, hoje em dia fogem dos subúrbios aqueles que não se rendem a uma vida de dependência, sem rumo, sem luta e sem dignidade.

Em http://aeiou.expresso.pt/henrique-monteiro=s23489

A demagogia politica, retórica bacouca está ausente do artigo acima colocado, interessante coisa, [;)]
 
E agora as causas que muitos preferem ignorar...:

~Entrevista ao coordenador do estudo "Um Olhar Sobre a Pobreza"

Pobreza em Portugal: "É preciso subir os salários e diversificar fontes de rendimento"

O coordenador do estudo “Um Olhar Sobre a Pobreza”, Alfredo Bruto da Costa, não tem dúvidas: os baixos salários são um problema grave, que contribui para a pobreza em Portugal. É preciso aumentar os ordenados e democratizar as empresas.

É mesmo verdade que metade da população portuguesa está numa situação vulnerável à pobreza?

É mesmo assim. Este é um aspecto da pobreza que, em Portugal, é analisado pela primeira vez: quantas pessoas, ao longo de seis anos, passaram pela pobreza e foram apanhadas como pobres em pelo menos um dos anos. A opinião pública, enquanto tal, nunca foi confrontada com esta realidade.

E a opinião pública pergunta: onde estão os pobres?

Esse é outro problema: o da definição de pobreza. Quando se pensa em pobreza, pensa-se em miséria ou nos sem-abrigo. O pobre, na definição adoptada no estudo, é alguém que não consegue satisfazer de forma regular todas as necessidades básicas, assim consideradas numa sociedade como a nossa. Miséria é uma parte disso.

Apesar de tudo, mais vale ser pobre em Portugal do que em alguns países de África ou da Ásia?

Sim, em termos absolutos. Em termos relativos, não necessariamente. Porque a pobreza é um fenómeno social, não apenas individual: é não ter recursos para participar nos hábitos e costumes da sociedade. Se uma criança pobre não pode vestir-se como os seus colegas, para não ser ridicularizada, mesmo que tenha mais que uma criança em África, sofre de exclusão.

O que é preciso para não ser estigmatizado em Portugal é muito mais do que em outros países. Há uma definição do século XIX, que diz que uma pessoa é pobre quando não tem dinheiro para vestir uma camisa que seja aceitável na sociedade.

Os 47 por cento de famílias que viveram uma situação de pobreza não são o mesmo que a taxa de pobreza em Portugal que continua nos 20 por cento.

Há uma população, num determinado momento do tempo, que é analisada através de uma radiografia instantânea – são os 20 por cento. Outra coisa é uma sociedade cuja vida só é captada num estudo longitudinal, ao longo de um período.

Porque se fala da persistência da pobreza em Portugal?

A partir da entrada de Portugal na Comunidade Europeia, houve um facto que alterou a atitude da sociedade portuguesa perante a pobreza: Portugal passou a ter programas de luta contra a pobreza, através de metodologias que deram um salto qualitativo no modo de encarar e tratar a pobreza. Poderíamos esperar que a pobreza tivesse uma redução apreciável.

E não teve?

Não teve. Em 2004, terá sido de 19 por cento, em 2005 terá sido 18 por cento. É uma tendência? Falta ver o que se passou nos anos seguintes. O que sabemos é que, durante esse período de 20 anos, andámos à volta dos 20 por cento. Mesmo que se admita que houve uma tendência ligeiramente decrescente, não explica que a ordem de grandeza se situe nos 20 por cento. A pobreza em Portugal ou se manteve estável ou teve uma redução sem proporção com o esforço feito desde que Portugal entrou na UE, na luta contra a pobreza.

E qual é razão principal?

São várias. Mas há uma questão chave: é tempo de a sociedade se interrogar sobre o porquê esta resistência da pobreza perante tanto esforço, boa vontade, recursos, nos últimos 20 anos.

Neste estudo, não entrámos no porquê. Estamos muito virados para a ideia de que a luta contra a pobreza é igual a políticas sociais. Quando há uma percentagem tão elevada de famílias pobres entre pessoas empregadas, vê-se claramente que a política social é um instrumento útil, mas não resolve tudo. Pode ser decisivo para o terço de pensionistas ou para o outro terço, de outros inactivos como domésticas, que nunca trabalharam nem tencionam trabalhar. Aí, ou a sociedade portuguesa resolve valorizar economicamente o trabalho doméstico e tem uma modalidade de remuneração – o que seria uma revolução cultural – ou isso nunca se resolve.

A outra parte – os pobres que estão empregados, por conta própria ou por conta de outrem – não se resolve com política social, é um problema económico.

É um problema de salário?

É fundamentalmente um problema de salário.

O texto diz que os salários são uma questão complexa e o que há a fazer está sobejamente identificado. É subir os salários?

Sim. Mas pode-se subir os salários sem aumentar a produtividade? Todos dizem que a economia portuguesa não pode continuar com salários baixos. O que se diz a seguir é que os salários não podem aumentar sem aumentar a produtividade. Uma das causas de baixa produtividade é a baixa qualificação dos trabalhadores, mas isso só explica uma parte muito pequena.

Uma das razões essenciais é a evasão fiscal.

Há muitas outras: a organização da empresa, os métodos de gestão. Há uns anos, se se dissesse que também os empresários tinham baixas qualificações, seria quase um escândalo. Hoje, é uma realidade que entra pelos olhos dentro. A sociedade portuguesa estava atrasada em termos de qualificações, a todos os níveis. Temos que fazer uma opção: ou se resolve o problema dos rendimentos das famílias de outra forma ou se declara que nos próximos 20 ou 50 anos os salários continuarão baixos.

Essa não é a sua opção?

Claramente que não. Há muito que defendo que deve haver uma diversificação das fontes de rendimento: uma parte do trabalho, outra do capital, o que implica uma democratização no acesso ao capital, que não é só poder comprar uma acção: o número de acções que um cidadão comum tem não lhe permite ter a mais pequena influência na gestão da empresa. O que importa que o capital esteja disseminado quando quem continua a mandar são os grandes? A democratização do capital deve ser também a democratização da empresa.

Pode haver ainda medidas como um rendimento básico – já utilizado numa região da Bélgica e num estado norte-americano – que todos os cidadãos recebem, sobre o qual constrói o seu rendimento familiar. Esse rendimento básico pode não ser suficiente para viver, mas é uma almofada que protege nos ciclos em que inesperadamente se perde o rendimento.

Num mercado economicamente liberal, temos que saber se é possível alguma vez termos pleno emprego. Eu tenho dúvidas.

A prioridade que se dá à redução do emprego não é então viável?

Tenho dúvidas de que seja. Pode ser reflexo de falta de coragem para aceitar a realidade. Se tivéssemos a lucidez de o admitir, haveria outro tipo de medidas a tomar para acorrer a essas situações.

O estudo fala no ciclo vicioso da pobreza: o pobre tem baixas qualificações e não melhora as qualificações porque é pobre. Como se rompe isto?

Uma das respostas é que o sistema educativo tem que ter condições de acesso e sucesso das crianças provenientes dos meios pobres. O sistema educativo está desenhado à imagem da família média e média alta: métodos pedagógicos, conteúdos escolares, o tipo de apoio que a criança pode ou não ter em casa, dadas as condições de habitação ou o grau de instrução dos pais… Há certos pressupostos de que os pais têm conhecimento para ajudar, de que têm acesso à internet ou a livros de consulta… Às vezes, as crianças não têm sequer um canto para fazer os trabalhos de casa.

Os programas de luta contra a pobreza não têm funcionado porquê?

Todos os projectos são desenhados de modo a não mexer no resto da sociedade. Essa é uma limitação decisiva. Se não há mudança social, não pode haver erradicação da pobreza. Se os programas não tocam no resto da sociedade, tentam resolver a pobreza dentro do universo da pobreza, mas não estão a resolver as causas.

Como vê as medidas tomadas pelo actual Governo?

Há uma medida que pode reduzir a pobreza em cerca de um terço: levar o Complemento Solidário para Idosos até ao limiar de pobreza, por adulto equivalente.

O estudo abrange o melhor período do então Rendimento Mínimo Garantido [RMG], que pelos vistos não ajudou muito.

O RMG nunca foi para resolver o problema da pobreza; a grande maioria dos pobres nem sequer tinha acesso ao RMG: eram cinco por cento, os pobres eram 20 por cento. São tão poucos os pobres que beneficiam do [actual] Rendimento Social de Inserção que nunca se resolveria o problema da pobreza. O RMG tinha dois objectivos: atenuar a pobreza dos pobres ou o seu grau de carência; e ir ao encontro dos problemas subjacentes à família: formação profissional, integração das crianças na escola. Mas o impacto global sobre a pobreza não podia ser expressivo.

Isso confirma que o problema não se resolve só com políticas sociais.

Por definição: se tenho um problema de repartição primária (o dos salários), ele resolve-se por via da política económica.

Há uma afirmação dura: “A sociedade portuguesa não está preparada para apoiar as medidas necessárias” no combate à pobreza...

Isso porque num inquérito europeu de 2002 dois terços dos portugueses atribui a pobreza a factores que não são solúveis: fatalismo, má sorte, preguiça dos pobres. Se eu disser que vou tomar uma medida que terá alguma desvantagem para os que têm mais rendimentos, a sociedade portuguesa não vai perceber isto. Um dos programas de luta contra a pobreza tem que ser o de esclarecer a opinião pública sobre as verdadeiras causas da pobreza.

Está também disseminada a ideia de que há muitos pobres que abusam...

É uma atitude culpabilizante. Na transição do Rendimento Mínimo Garantido para o Rendimento Social de Inserção, no debate público que houve parecia que as pessoas estavam mais interessadas em combater a fraude dos pobres do que em resolver o problema da pobreza. Isto é expressivo de uma mentalidade.
Pobreza em Portugal: "É preciso subir os salários e diversificar fontes de rendimento" - PUBLICO.PT
 
Gostei do artigo e até acho que retrata bem o estado da nossa sociedade.

Por um lado temos a extrema pobreza em que vivem os nossos idosos, a receberem reformas de miséria que muitas vezes não chegam para pagar os medicamentos.
O complemento solidário de idosos veio sem dúvida ajudar a atenuar esta situação mas não chega. A nossa população está cada vez mais idosa e esta realidade vai afectar cada vez mais pessoas.

Por outro lado temos os pobres que apesar de trabalharem não conseguem sair da pobreza porque os salários são miseráveis e porque as políticas sociais apenas abrangem na maioria das vezes as pessoas desempregadas.

É um problema muito grave que muitas vezes preferimos fechar os olhos ou olhar de lado e ignorar mas esta realidade existe e como se pode ver está cada vez pior. :sh)
 
Talvez haja uma possível relação entre os dados/cenários (esta última expressão académica há muito que se aplica em termos retóricos no burgo, desde dos tempos históricos de uma politica de fútil transporte e não de fixação e desenvolvimento de riqueza , em caso de dúvidas basta estudar a geografia humana de Portugal do século XX e fazer uam pequena analogia aos tempos actuais do binómio emigração/imigração) e este outro artigo.

80% dos pobres têm emprego

Mas trata-se de emprego precário ou mal pago...

Francisco Van Zeller, Presidente da Confederação da Indústria Portuguesa, defende que não é o momento para aumentar o salário mínimo, tendo em conta a quantidade de empresas em Portugal que dependem de salários baixos para continuar a exportar.(...)

Em www.rr.pt

E não se coloca a questão do quebrar de tal cenário, pela leitura atenta da entrevista, que total ausência de visão estratégica mesmo que seja dita a nível individual mas com responsabilidadeno organigrama da corporação, :o
 
Em www.rr.pt

E não se coloca a questão do quebrar de tal cenário, pela leitura atenta da entrevista, que total ausência de visão estratégica mesmo que seja dita a nível individual mas com responsabilidadeno organigrama da corporação, :o
Pois, mas o problema é que nunca é o momento certo para aumentar salários e reduzir impostos de forma razoável!... Na verdade temos passado por muitos momentos em que isso seria claramente vantajoso e indicado, mas nunca foi praticado, ao contrário de outros países que conseguiram incentivar a produtividade também dessa forma, elevando-se a fasquias que os colocaram em posições económicas que lhes permitiu um muito melhor amortecimento financeiro nos refluxos cíclicos!
 
"O porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) considera que deve ser "uma prioridade defender os que têm pensões de pobreza e até de miséria". O padre Manuel Morujão, que falava esta terça-feira em Fátima, sublinhou que proteger "aqueles que já foram duramente penalizados" é um papel que "cabe a todos", mas em especial "aos governantes e também às forças sociais".

Por outro lado, o porta-voz da CEP sublinha que os que passam maiores dificuldades "devem ser poupados a futuros cortes e ajudados a ultrapassar o limiar da pobreza". Este pedido de atenção aos mais desfavorecidos surge numa altura em que o Governo introduziu mudanças nos tectos a partir dos quais vai haver cortes nas pensões do Estado - começam nos 419 euros ilíquidos para quem aufere pensões de sobrevivência e nos 600 euros brutos nas pensões de aposentação, reforma ou invalidez.

No final de uma reunião do conselho permanente da CEP, o padre Manuel Morujão adiantou ainda que os bispos portugueses estão a preparar uma mensagem sobre o emprego e a crise que se vive em Portugal. Durante o o encontro, a CEP enalteceu ainda o papel dos bombeiros que deram a vida para garantir a segurança das populações durante os incêndios deste Verão.

Como funcionam os cortes nas pensões
As pensões de sobrevivência acima de 419 euros ilíquidos vão sofrer um corte de 10%. Por outro lado, as pensões de aposentação, de reforma e de invalidez dos ex-funcionários públicos acima de 600 euros ilíquidos vão sofrer um corte médio de 10%.

Quem se inscreveu na Caixa Geral de Aposentações (CGA) antes de 1993 e tenha uma pensão de aposentação, reforma ou invalidez superior a 600 euros ilíquidos atribuída até ao final de 2005 vai sofrer um corte de 10% na totalidade do valor que recebe. Quando o valor fica abaixo dos 600 euros depois do corte, é feito um ajuste. Por exemplo: uma pensão ilíquida de 650 euros que sofra um corte de 10% resulta em 585 euros (menos 65 que o montante de partida). Ora, neste caso, o corte passa a ser de 50 euros, para que o valor final seja de 600 euros. Só a partir dos 667 euros é que deixa de ser necessário fazer este tipo de ajustes.

Nos casos das pensões de aposentação, de reforma e de invalidez atribuídas depois de 2005, há uma parte do valor que fica de fora dos cortes. Estas pensões são auferidas com base em duas parcelas: uma, designada "P1", é relativa ao tempo de serviço prestado até 31 de Dezembro de 2005 e respeita o Estatuto da Aposentação; a outra, designada "P2", refere-se ao tempo de serviço posterior, "nos termos das regras de cálculo do regime geral de Segurança Social". Neste casos, é a parcela P1 que vai sofrer o corte de 10% - isto é, os 10% não abrangem a totalidade do valor recebido. Nestes casos, e como nos anteriores, são feitos ajustes caso o valor final seja inferior a 600 euros depois de aplicado o corte.

Isenções graduais

O Governo estabelece ainda "regras de diferenciação em função da idade do pensionista e do valor da sua pensão". No quadro destas isenções graduais, quem tem entre 75 e 79 anos e recebe pensões de aposentação, de reforma ou de invalidez da CGA só sofre cortes se o valor mensal que aufere for superior a 750 euros (ou de 450 euros para as pensões de sobrevivência).

Entre os 80 e os 84 anos, sofrem cortes as pensões de aposentação, reforma ou invalidez superiores a 900 euros e as pensões de sobrevivência superiores a 500 euros.

Relativamente aos beneficiários entre os 85 e os 89 anos, ficam isentos os que auferem pensões de aposentação, reforma ou invalidez inferiores a 1.050 euros e pensões de sobrevivência até 550 euros.

Acima dos 90 anos (inclusive), estão excluídos cortes para pensões de aposentação, reforma ou invalidez até 1.200 euros (ou de 600 para as pensões de sobrevivência).

De acordo com o Governo, os cortes nas pensões podem ser retirados no futuro se em dois anos consecutivos o Produto Interno Bruto (PIB) crescer 3% e o défice não ultrapassar os 0,5%."Em Igreja considera prioritário "defender quem tem pensões de pobreza e miséria" - Renascença

Miséria politica.
 
"Eugénio Rosa é um economista ligado à CGTP que há anos presta um serviço público. Analisa números e envia as suas análises para uma vasta lista de pessoas. As suas conclusões pessoais estão implícitas, e são discutíveis à luz das preferências políticas, mas os seus números têm-se revelado exatos e são fornecidos com contas devidamente feitas.

O último relatório deste economista prova que em Portugal 4 488 926 (quase quatro milhões e meio) de portugueses que estariam na situação de pobreza se não fossem as transferências sociais, incluindo as pensões. Os números são do INE e mostram uma realidade alarmante: quase metade do país a afundar-se. Recorde-se que o limiar de pobreza em Portugal é de 5040 euros anuais, ou seja 420 euros a 12 meses (ou, como Eugénio Rosa prefere apresentar, 360 a 14 meses).

Ainda de acordo com o INE, esta situação, que se reporta a 2011, mantém-se mais ou menos estável desde 2007. Nesse ano a percentagem de portugueses que seriam pobres sem qualquer transferência social era de 41,5%, em 2009 era de 43,4 e em 2011 de 42,5. Após as transferências, ainda assim, o número de portugueses pobres (menos de 5040 euros anuais) oscila entre os 18 e os 19 por cento (ou seja, de 1,7 a 1,8 milhões, números redondos).

Tal como Eugénio Rosa parecem-me imprescindíveis estes apoios e impossível cortá-los mais, como parece pretender o FMI ou o Governo.
Mas, e aqui afasto-me do economista, agradecendo-lhe o seu trabalho, para mim, o que estes números mostram à saciedade é que a pobreza não se combate com subsidiação, mas com criação de riqueza. Mais ou menos subsídios (a situação de 2007 para 2011 alterou-se substancialmente) não correspondem a variações sensíveis nos níveis de pobreza. O esforço tem de ser colocado do lado da criação de riqueza. E este é um ponto que muita gente de esquerda parece não entender. Porque a criação de riqueza não deve ser feita através do investimento público, como continuam a defender, apesar dos últimos 20 anos provaram o contrário, mas de investimento privado em bens transacionáveis, ou seja, vendáveis - e não autoestradas, pontes e linhas de TGV. Mas esta é outra discussão, que ficará para outro dia." Em Há 4,5 milhões de pobres - Expresso.pt :eek:(EEK!)
 
Se o povo não exigir, tudo vai piorar!!!







Tudo isto perante a estupidificação de um povo que gosta mais da "Casa dos Segredos" do que de si próprio.

Não importa que os rendimentos de um Povo já de si muito castigado e depauperado, tenha sido assaltado por um invertebrados mentais, uns inuteis e ressabiados, em vês de retirar os inimagináveis benefícios das classes privilegiadas (Banca,Grupos economicos)..ordens da troica.
Não importa o número de funcionarios públicos,que vão ser afectados pela mobilização especial , que levará consequentemente a um despedimento em massa..ordens da troica,
Não importa que 30 mil professores vão para o desemprego,ordens da troica.
Não importa os cerca de 20 mil trabalhadores “precarios”,que até ao fim do ano vão ser despedidos da função pública.ordens da troica
Não importa que cortem nas reformas , não paguem subsidios , aumentem as rendas da casa (ordens da troica).
Não importa que os cuidados de saúde públicos estejam a ser arrasados enquanto se continuam a financiar instituições clínicas privadas e centros de diagnóstico enquanto se continua a permitir a promiscuidade entre o público e o privado aos clínicos do serviço público ..ordens da troica .
Não importa que se tenha abandonado a recuperação do parque escolar para se continuarem a financiar estabelecimentos de ensino privados frequentados pelos filhos das classes protegidas (ordens da troica).
Não importa que se tenha aumentado o IVA do Gás (mais 3,9% em Julho)e Electricidade, atingindo milhões de famílias, permitindo ainda o aumento das tarifas, em vez de atacar os lucros fabulosos das empresas fornecedoras destes serviços (ordens da troica).
Não importa que a troica tenha reservado doze mil milhões?! para proteger a banca, verdadeira causadora da crise que nos afecta, para continuarem com as suas negociatas em vez de a obrigarem a financiar as empresas para que estas nos possam fazer sair do buraco em que nos encontramos (nada de ordens da troica).
São os actos terroristas desta troica aproveitadora que cobra Milhares de Milhões de euros para enviar este país para nos escravizar e nos enviar para o abismo,plutocratas desmesuradamente sedentos de ver miseria e destruição ,mas os imbecis fazem mais,estalam os dedos de contentamento porque agora a troica quer também as “cabeças” dos trabalhadores do privado sem levantar sequer uma palha para fazer qualquer coisa por uma economia decadente que se afunda e agoniza a cada dia que passa , a Austeridade em doses "cavalares"mata o doente,não o cura.Tudo isto perante a estupidificação de um povo que gosta mais da "Casa dos Segredos" do que de si próprio.
São necessarias mudanças,rapidamente , caso contrário vão sobrar migalhas.
"mão amiga"/ Joe Wolf
 
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