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Tu não estás a ver bem a questão: se queres ser agricultor para quê tirar Eng. Mecânica? Eu tirei Direito porque queria exercer uma profissão jurídica; se fosse para abrir uma livraria ou arranjar um emprego como bibliotecário (emprego que não me desanimava em nada) não tinha feito Direito, tinha feito outra coisa qualquer.
O problema é que as pessoas não têm consciência das potencialidades que a educação lhes dá: no caso do Direito, todos querem ser advogados ou juízes, mas existem inúmeras carreiras acessíveis a uma pessoa licenciada em Direito que dão igualmente algum dinheiro, como gestão de recursos humanos, serviços jurídicos de empresas, carreiras na Administraçaõ Pública (inspecção do trabalho, finanças, PJ, auditorias) entre muitas outras.
Mas isso não significa que uma pessoa deva aceitar fazer qualquer trabalho: não me deixa de causar uma certa dor ao ver inúmeros engenheiros e economistas e juristas a fazerem funções comerciais. Por exemplo, tenho dois amigos farmacêuticos: um trabalha como delegado de informação médica e o outro como técnico de farmácia. Isso serve para vendedores especializados (e.g: 12º ano + formação profissional) não é para uma pessoa formada; é um desperdício para o país. A meu ver a solução do problema do desemprego depende de dois elementos:
(a) desregulamentar o modo de exercício das profissões: existem demasiadas barreiras à entrada no mercado de trabalho que servem apenas para proteger os insiders em detrimento dos outsiders. O mercado deve ser desregulamentado e as sociedades pluridisciplinares devem ser admitidas, para os jovens poderem usar as competências e diferenciar-se no mercado de trabalhoe não se limitar a repetir o que os velhos fazem.
(b) requalificação profissional: existe mta gente cujas qualificações não têm valor no mercado de trabalho; foram para cursos sem empregabilidade por falta de informação (iludidos por pessoas mal intencionadas) ou por má formação no secundário. Essas pessoas devem ter a possibilidade de se requalificarem profissionalmente, voltarem a estudar para áreas onde o país sente mais carência de profissionais.
A combinação destes dois elementos pode dar um contributo positivo à empregabilidade em Portugal; tudo o resto é tapar o sol com a peneira.
Mas eu nao quero ser agricultor. Esse é o meu sonho, mas para um futuro distante. Mas neste momento não me importava nada de o ser. A questão é, se tirá-mos um curso A queremos ter apenas a profissão A. Existem imensas profissões dignas e imensas pessoas que vão tirar cursos superiores que seriam bem mais felizes e teriam melhor futuro apenas com cursos profisisionais [como falas]. Depois existe muita gente que vai estudar porque fica bem. Escolhem um cruso à toa e lá vão eles. Depois no fim, é que percebem que fica bem, mas o futuro não será muito risonho. É pena mas é assim. E depois funciona a lei da procura e da oferta. Se existe muita oferta, quem procura escolhe o preço mais baixo, mesmo que o mais baixo seja "0".
Para quem não se quiser subjogar e for do Porto ou arredores deixo aqui esta dica, para ajudar a lançar a "pedra para o charco":
http://www.anje.pt/2005/default.asp
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