Um dos maiores cancros para entrar/passar no Porto em que quase a toda a hora tens 4/5km de filas que devia ser alvo de uma revisão profunda e o que fazem? Reduzem a velocidade máxima... Génios.
A redução da velocidade máxima é, efetivamente, um dos caminhos a seguir para melhorar a mobilidade naquele local mas não pode ser o único senão o efeito é nulo.
Os congestionamentos de trânsito são provocados, na sua grande maioria, não pelo volume de tráfego mas sim pelo diferencial de velocidade entre os diversos veículos.
Quando o veículo que circula à nossa frente trava a tendência é fazermos o mesmo e os que nos seguem também, sendo que cada um trava de forma mais acentuada que o da frente. Isto provoca engarrrafamentos muitas vezes fantasma, sem nenhum motivo aparente.
Numa via como a Avenida AEP com diversas entradas e saídas a probabilidade de isto acontecer é enorme o há duas soluções "extremas": ou se constroem novas vias alternativas (com custos elevados e o efeito perverso de aumentar o número de veículos a circular) ou se aposta numa redução da velocidade máxima e num reperfilamento da avenida fazendo com que o diferencial de velocidade seja mais reduzido, isolando as vias de acordo com o destino de cada automóvel e diminuindo o número de pontos críticos (entrada/saídas vs AEP).
Pode parecer estranho mas solução ideal para a mobilidade do Porto passaria por:
- Eliminar as portagens na CREP incentivando a sua utilização principalmente aos pesados;
- Introduzir portagens (ou mecanismo semelhante de desincentivo) para pesados na VCI (medida muito complicada de implementar mas extremamente útil e eficaz principalmente tendo em conta o número de pesados que utilizam a VCI e o Porto como funcão de atravessamento e não paragem);
- Reduzir a velocidade máxima da VCI e da AEP;
- Alterar o perfil da VCI e da AEP de forma a tornar estas cada vez mais uma avenida urbana e menos uma Auto-Estrada.
Tal como disse noutro post, o maior efeito na alteração da velocidade a que circulam os veículos não é conseguido à custa de sinais de trânsito (nem os radares são eficazes) mas sim através do perfil da via.
Já foram dados exemplos de locais completamente absurdos neste aspeto.
A VL8 em Gaia é exatamente isso, uma estrada com perfil completamente desajustado àquilo que esperam dela quando limitam a 50km/h.
A Avenida D. João II, entre o McDonalds e a Real Companhia Velha não é tão absurda mas está lá perto: uma avenida urbana com vias largas e separador central limitada a 50km/h.
Não conheço Braga a fundo mas chega para puder dizer que é um exemplo paradigmático do que acabo de dizer: uma cidade cercada por circulares que são limitadas a 50km/h como uma Avenida urbana deve ser mas com perfil de auto-estrada e passagens de peões aéreas. Não é dificil perceber porque é que Braga está constantemente nos primeiros lugares nos rankings de atropelamentos...