É mais um daqueles projectos que já deram mil e uma voltas
A Dallara fornece o know-how, o esqueleto do concept provém deles, fala-se num track-car para a Dallara, e um Abarth e Alfa Romeo para estrada.
A Dallara sai de cena, Fiat desenvolve tudo sozinha (reformulando o que já tinha sido alcançado pela Dallara) e pelo caminho o Abarth perde-se.
Entra a Maserati em cena, com hipotético GranSport para ficar como o desportivo da marca, trocando o 4cilindros por V6 ou V8.
Verdade seja dita, acho que esta base poderia alimentar uma série de criaturas.
A Abarth poderia desenvolver um track-car como estava destinado para a Dallara, e criar campeonato mono-marca ou mesmo preparar uma criatura para a categoria GT4 (o que implicaria um carro de estrada). Sempre permitiria reforçar esta marca, garantir presença nas pistas, gerar algum buzz em circuito, criar um business case mais sólido para a existência da Abarth, do que apenas dar vitamina extra aos 500. Poderia tornar-se em algo semelhante a uma Caterham italiana, com a benesse de estar integrada num grande construtor.
Faz falta ver os italianos regressar ao mundo das competições (e não apenas F1) e entre campeonatos de turismos, GT's e rallyes, a Abarth poderia ser o centro de competição do grupo.
Concordo com o que vão fazer com a Maserati. Poderemos ter criatura a custar quase o dobro do 4C, com margens de rentabilidade bem apetitosas e é excelente para reforçar o portfolio da marca, a puxar pelos genes desportivos do tridente, mas sem "espetar" o tridente na bunda do cavalinno.
Apontar baterias a criaturas como o r8 ou o 911 Turbo está perfeitamente ao alcance da Maserati.
No caso da Alfa, acho medida excelente. Pode não garantir a sustentabilidade da marca, ou as vendas desejadas, mas será peça fundamental para dar visibilidade e crescente credibilidade à construção de uma marca global como o Marchionne pretende.
A meu ver, já deviam ter pensado nisto mais cedo.
Já quando lançaram o 8C, achei uma oportunidade perdida. Como tinha dito na altura, em vez de um 8C, bastaria um "6C", mas sem ser super-limitado e exclusivo, um verdadeiro carro de produçao (mesmo que à mesma baseado no 4200GT), e capaz de morder os calcanhares a propostas mais estabelecidas.
O 8C nasceu em 2007. Se em vez dele, tivesse vindo o tal "6C", talvez não houvesse a necessidade de criar este 4C e todo o guito de investimento pudesse ter sido usado para o desenvolvimento de modelos de volume, e não chegássemos à realidade actual de ver a Alfa resumida a 2 carros...
E acho que ainda daria espaço para outras criaturas hipotéticas (e com menor probabilidade acontecer pelos mais variados motivos):
- um sucessor espiritual do X1/9. Tem a arquitectura certa. Basicamente imaginar um 4C mais modesto: carroçaria em fibra de vidro, rodas mais modestas (15, 16), o motor 1.4 Turbo em várias setups, uma simples caixa manual, e um evocativo arco de segurança e poderia situar-se como chamariz para a Fiat. Mas tendo actualmente a lógica Panda e sobretudo 500, de dificil encaixe.
- Um animal de Rallye para a Lancia. Não queria entrar no mundo retro e recriar o Stratos. Apesar de que, com motor atrás das costas, a tentaçao seria grande. Mas eles têm uma base excelente, facilmente adaptável a uma série de usos, e seria interessante voltar a ver um mid-engine lutar pelo primeiro lugar num campeonato cheio de "utilitários". Seria uma criatura à mesma compacta, com curta distância entre-eixos, e bastaria baixar cilindrada de 1.75 para 1.6. Adaptar tracção total também não me parece um desafio herculeano, dado a adaptabilidade da base. Deveria fazer maravilhas pela visibilidade da Lancia, mas, claro, obrigaria a uma estratégia completamente nova para a marca. No entanto, com a visibilidade adquirida, talvez fosse mais fácil seguir o novo caminho delineado