Desde que saíram as fotos oficiais do carro que ando a fazer um esforço para tentar gostar dele, até porque este seria aquele tipo de carro que poderia dar certo e salvar a honra do convento (vulgo Alfa Romeo). No entanto, a Alfa Romeo volta a errar no produto final e em saber o que faz vender carros. Este carro era daqueles que tinha tudo para dar certo em termos desportivos, desde a potência, peso, tracção, posição do motor etc. Mas a Alfa Romeo optou por negligenciar outras componentes que um comprador de um carro destes preços aprecia (sim, porque este 4C vai ter um preço muito superior ao valor que ele transparece). A marca tem de aprender a deixar de fazer carros para os "alfistas" (ou qualquer apaixonado que idolatra a marca e compra os seus produtos sejam superiores face à concorrência ou não) e passar a fazer carros para aquelas pessoas que utilizam não só o coração mas também a cabeça para fazer as suas escolhas racionais.
Nas páginas anteriores comentava-se que a Porsche deveria ter mais modelos deste género em vez de apostar no Cayenne e no Panamera, no entanto esta visão e decisão de um ponto de vista financeiro seria catastrófica. Os modelos familiares da Porsche representam muito mais de 50% das vendas da Porsche hoje em dia e é graças a eles que a marca consegue ter capacidade para reinvestir e criar "maravilhas" como o boxster e 911 e respectivos modelos mais apimentados (spyder, GT3 etc.) Só para terem uma ideia o 911/boxster/cayman vendem tanto num ano como o panamera. Por sua vez o Cayenne vende o dobro do panamera. [

] Escusado será ainda dizer que a maior margem de lucro por modelo pertence também aos familiares. Já lá vai o tempo em que o boxster salvou a marca da ruína.
Portanto, continuem com o pensamento de que as marcas "especiais" tem somente de fazer modelos desportivos com tecnologia e materiais de ponta para agradar ao fans, produções super limitadas, e depois queixem-se que daqui a 10 anos a marca já não existe. Sim, porque a Alfa Romeo só não foi ainda fazer companhia à Rover porque tem um grande grupo que a vai segurando, visto as suas vendas serem miseráveis para uma marca generalista.
Passando ao 4C... Em termos de concepção aparenta ser efectivamente um carro magnifico. Das informações que li, das fotos e videos que vi, efectivamente estamos perante um carro que pretende ser mais hardcore, perante um carro que pretende rivalizar com a única marca com uma filosofia sem rivais... A Lotus. É claro que o marketing ao sugerir modelos como o Audi TTS já está a falhar, pois percebe-se claramente que eles querem tirar o lugar aos audi, bmw, porsche, etc. mas com um produto que nada tem a ver com os clientes que estas marcas alcançam. Fico na dúvida sobre os verdadeiros objectivos que a Alfa Romeo queria alcançar.
Em termos exteriores prefiro o concept em todos os aspectos. Os faróis frontais são a cereja no topo do bolo (pela negativa), não percebo o que passou pela cabeça da marca para lançar algo daquele género. É simplesmente horrível e não combina em nada com o estilo do carro. Nem vou comentar os espelhos retrovisores porque já seria um preciosismo (ou não).[

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Acho ainda curioso que os utilizadores que dizem que o série 1 F20 é um carro feio (acusando precisamente os faróis e farolins como factor principal) e que o Série 3 E90 tinha uma traseira horrível (também pelos faróis) acham este 4C maravilhoso e que os faróis é um pormenor mínimo, que não é relevante e que o que interessa é a dinâmica entre outros. Pois bem, estes bmw's também tem outros atributos superiores à concorrência e mesmo assim lêem-se certos comentários a denegrir de tal forma que não há explicação.
Relativamente ao interior, não consigo perceber o que é "aquilo". Então um carro que vem com um preço altíssimo traz uns interiores ao nível dos restantes segmentos B's do grupo? Desde o volante, saídas de ventilação, consola central... Tudo bem que a marca usou e abusou do carbono, mas escusava de ir à reciclagem buscar os materiais do interior. Salva-se a pega das portas em pele com pregas em alumínio que é o único pormenor digno de "luxo" e requinte, com bom aspecto. Ainda assim encontra-se junto a um puxador em plástico para abrir a porta, se bem estou a ver. No mínimo estranho.
Concluindo, parece-me que o facto de anunciarem um número de previsões de vendas baixo é porque a marca está ciente que o carro vai alcançar somente o público apaixonado pela marca e muito "purista" (em todos os sentidos) e ainda porque desta forma se as vendas forem ligeiramente superiores já é possível dizer que o modelo "superou as vendas" e "melhor que qualquer previsão", entre outros. É tudo uma questão de perspectiva.