Após a transição da alçada estatal para a Fiat, a Alfa demorou a reencontrar-se, mas com o 156 fez as pazes com muitos fãs e falava-se no ponto de viragem.
De facto mais tarde ainda continuava a dar frutos. O 147 foi mais que bem vendido para um Alfa Romeo.
O GT tendo em conta a sua filosofia a mesma coisa.
Mas agora estamos a voltar à perdição, com a agravante de que agora não existem produtos aos quais se pode chamar de Alfa Romeo (ao contrário do tempo em que a Alfa entrou na Fiat).

São Alfas que são completamente banais na forma de transmitir sensações.
São Alfas com motores não Alfa e quando trabalhados por esta, continuam banais.
Etc
Discordo.
Muitas vezes tem-se tendência a ver o passado com óculos côr-de-rosa, mesmo quando é um passado recente, mas a actual Alfa é uma boa evolução daquela que tivemos até agora, incluindo essa da primeira metade da década anterior (e que continuou a arrastar-se até à segunda metade).
Eu gosto do GT e do 147 (tenho um), mas a actual gama é mais equilibrada e mais Alfa Romeo.
Os Alfas que existem agora são aqueles porque se suspirava na altura, - claro, não os dos sonhos molhados (RWD) mas sim os dos sonhos realistas.
Olha para a gama de motores do 147:
1.6 TS 105 e 120cv (por cá apenas o segundo)
1.9 JTD que teve potências entre 115 e 170cv
2.0 TS 150cv
3.2 GTA 250cv
Isto é algo absolutamente desiquilibrado. O 1.6 120cv que se vendia por cá até não era mal despachado mas também não era de tirar o fôlego, e contava com um consumo alto.
Daí para cima só motores a partir de cerca de 2L no eixo dianteiro do carro, e o único que dava verdadeiro salero ao carro era o sobredimensionado 3.2 com um gap de 1.2L e 100cv mais do que o motor a gasolina imediatamente abaixo
Ou seja, ou tínhamos um carro mole e morno (apesar de nunca submotorizado) ou tinhamos um carro inacessível com um motor super caro, super pesado, e com mais binário do que o carro conseguia lidar de origem.
E isto era a entrada de gama da Alfa Romeo. Mais uma vez, eu gosto muito do carro, mas, a nível de interesse Alfista, hoje em dia a marca está mais bem servida e de acordo com os seus pergaminhos.
Um carro mais leve, ágil, com motores pequenos e pouco taxadores do eixo dianteiro mas potentes, era aquilo que se concluía que a marca precisava quando se entrava nas longas discussões filosóficas que ainda hoje se têm sobre a mesma. O desde há muito desejado e rumorizado Junior.
Que hoje em dia surgiu na forma do Mito. Não é um coupezinho como se desejava e imaginava, embora isso tente ser compensado pelo styling (8c) e detalhes (janelas frameless), enfim, um pouco na onda dos hatch/pseudo-coupés que tem vindo a surgir nos últimos anos.
No entanto, a forma não impede de apreciar o carro por aquilo que ele é. Um baby-Alfa ágil, com pormenores engraçados e, nas suas pequenas motorizações turbo
benzina, um carro como há anos e anos a Alfa Romeo não tinha e bem que precisava!
No Giulietta a situação não é muito diferente. É um carro melhor do que o 147 praticamente em tudo, mais homogéneo, e com motorizações que não precisam de ser exageradas como no 147 para proporcionarem um carro emocionante.
Claro que podem dizer que tanto um como o outro têm motores mais pequenos, motores a gasóleo, etc. Obviamente que têm. Nem a Alfa Romeo nem a Fiat pagam as contas com ar, nem os seus concessionários são scuderias.
Hoje em dia, com a maturação da proliferação da internet e nova distribuição do conhecimento, existe muita arrogância e pseudo-
expertise a avaliar as compras os outros, mas um Mito 1.3 JTD cumpre as necessidades de alguns e não invalida a existência de um Mito QV, pelo contrário, ajuda a que este exista. Um Giulietta 1.6 JTD é um familiar compacto capaz. Sim, é um familiar, não sei se alguém tinha reparado mas as suas formas e dimensões gerais não resultam da tentativa de fazer um carro para os campeonatos de turismo, mas sim com o objectivo de ser um carro do segmento C, ou seja um familiar compacto. E nesse contexto, o 1.6 JTD faz todo o sentido e mexe perfeitamente a sua carroçaria do ponto A para o ponto B, sem que isso invalide a existência das versões TBi, QV, mais emocionantes e de acordo com o nome da marca.
Em suma, se há coisa que o Mito e o Giulietta são, são passos na direcção certa. Bonitos, seguros, com boa condução e com uma gama de motorizações capazes de agradar a praticamente todos (faltará uma versão de elite em cada um - GTA - que será sempre mais um "halo car" para questões de imagem de marca do que um carro para o mundo real), e em consequência disso, comercialmente capazes. Provavelmente os mais comercialmente capazes desde o 156 - e não sei se o Mito não o ultrapassará.
Nesse sentido, o Giulia vai certamente surgir como um carro na sequência destes 2 produtos bem conseguidos e equilibrados. Não vai ser nenhum Série 3 killer, pois isso não é possível nem que a Fiat comprasse a BMW e lhes pedisse para fazer o Giulia, mas vai ser mais um belo carro e um mais um passo nessa direcção certa da Alfa Romeo que lhe vai continuando a assegurar um futuro [

]