Propostas para o sucessor do 159, já existem à muitos anos.
Todas elas baseadas em arquitecturas de tudo à frente. E que foram rejeitadas, por não serem as adequadas para o que se pretendia da Alfa Romeo.
E nessa altura, já estávamos em plena crise.
Planos foram cancelados, substituições de modelos adiadas, como o Panda e Giulietta, que apareceram 18-24 meses após o originalmente previsto, e basicamente, o objectivo foi estancar hemorragias.
Em 5 anos, o mercado europeu passou a vender menos 4 milhões de unidades ao ano. E para vender, assistiu-se a uma guerra de preços visceral que matou os construtores não-premium, onde os ganhos por unidade vendida, em alguns modelos, eram próximos de zero (e o mais certo é alguns terem vendido com prejuizo só para manter linhas de produção a laborar)
Sem contar que a Fiat absorve a Chrysler...
Os planos para o Giulia, e mais especificamente, para a plataforma que lhe iria dar base, só começaram a ser discutidos em 2012, e só a meio de 2013 foi confirmado o desenvolvimento de uma nova plataforma RWD que iria servir tanto a Alfa, como uma série de modelos do lado americano da FCA.
Ou seja, fazendo as contas, estamos a falar de quase 3 anos de desenvolvimento até agora. Mas nem todo esse desenvolvimento deve ter sido para o Giulia.
Acredito que parte desse tempo tenha sido dedicado a decisões relativamente à plataforma, pois terá de ser modular e flexível para abarcar diversos segmentos, motorizações e tipologias.
Considerando isso, quanto sobrou para o desenvolvimento efectivo do Giulia?
As apostas do Marchionne, a meu ver, no geral, exceptuando algumas, foram as correctas. Apostou nas "cash-cows" certas, ou seja, Jeep e Ram (ainda que seja discutível a opção de a separar da Dodge). É graças a elas que a FCA tem conseguido lucrar, e, mesmo assim, o grupo continua a debater-se com falta de capital para investir na renovação e lançamento de modelos.
O empurrar prazos para a frente já começa a ser uma triste tradição no grupo, mas mais vale lançar mais tarde algo correctamente desenvolvido que algo sub-desenvolvido que seja totalmente massacrado nos media e afaste potenciais clientes.
A nível de comunicação poderiam efectuar algumas alterações no discurso.
Como, por exemplo, não expôr publicamente datas concretas de lançamento de novos produtos, excepto quando já houvesse certezas absolutas. Talvez permitisse uma melhor gestão das expectativas.
Ou então, anunciar datas mais distantes... Se tivessem dito desde logo, que só durante 2016 veríamos um Giulia disponível para venda, não haveria necessidade de andar a mandar agora estes recados.