Arrendar vs Vender

TMoura

Well-known member
Caríssimos, opiniões precisam-se.

A minha família é proprietária de um apartamento T2(85m2) antigo, situado numa das artérias principais da cidade onde se situa e sem garagem.
O apartamento foi comprado à mais de 20 anos com uma senhora a viver lá dentro. Tendo em conta a situação foi adquirido por um valor baixo. Como o valor da renda era irrisório, durante todos estes anos o meu pai não quis receber qualquer renda.
Acontece que o apartamento ficou vago, a senhora foi para um lar da misericórdia.

Neste momento a casa está bastante degradada precisando de obras profundas, aproveitando apenas paredes e portas interiores.
Orçamento para obras ronda os 17mil a 19 mil€, podendo baixar alguma coisa, poupando nos materiais.
Valor de mercado como está 50mil€, com obras 70 a 75mil€ Valor da renda remodelado anda por volta dos 350€.
Não sabemos o que fazer. A venda tem uma condicionante. O apartamento está registado por um valor muito baixo. Ao efectuar a venda iríamos pagas mais valias, porque não será para investir em nova habitação.
O arrendamento tem as condicionantes que todos conhecemos, pessoas sempre a entrar e sair, estragarem a casa... Por fim ainda teria de render uns belos anos para recuperar o dinheiro das obras...

O que dizem?!!
 
Last edited:
Só se aproveitam paredes e portas e o orçamento de obras não chega aos 20 mil euros? Vê lá se não te deram um orçamento muito por baixo.
 
É pra vender. Não chegou já o facto de a casa estar parada 20 anos numa renda sem sentido?
 
É pra vender. Não chegou já o facto de a casa estar parada 20 anos numa renda sem sentido?

A senhora tinha os seus direitos e a promessa do meu pai que teria casa até não precisar mais.
Pior disto são as mais valias. Nem sei ao certo como funcionam as mais valias, mas acho que ainda é uma % considerável da venda.
 
Olhando para as coisas de uma perspectiva puramente financeira, e admitindo por exemplo uma maturidade do investimento de 10 anos, temos:

Opção de vender (tudo em taxas brutas, desconsiderando efeitos fiscais):
Encaixas agora 50.000,00 euros
Há que retirar o imposto da mais valias (indeterminado, portanto fazemos de conta que é zero)
50.000 euros aplicado a uma taxa média bruta de 3% (não seria nada mau)
Ao fim de 10 anos temos (capitalizado): 17.195 euros
Portanto ao fim de 10 anos o património é de 67.195 euros

Opção de obras e arrendar:
Obras: 20.000 euros
Rendas: 350 euros/mês ou 42.000 euros ao fim de 10 anos
Património ao fim de 10 anos: 50.000-20.000-42.000 = 72.000 euros

A hipótese de arrendar parece ser marginalmente superior à de vender, isto sem ter sequer em conta a variação dos preços do imobiliário.
 
Mas isso não é feito apenas se a casa for vendida?

Não faço ideia, só ressalvei esse ponto porque as últimas alterações à Lei do arrendamento, obrigavam à atualização do imóvel para ser possível atualizar o valor da renda.

Era só uma chamada de atenção para esclareceres melhor essa questão, antes de seres surpreendido.
 
O valor do imovel pode ser revisto, mas as consequências serão apenas no imi do mesmo.

Se o valor da casa não faz falta, é sempre uma boa fonte de rendimento. O único risco é arrendar a pessoas sérias. De qualquer forma um contracto bem elaborado é sempre uma mais valia.

Juros bancários, 3% não é fácil de conseguir, pelo menos sem riscos...


Cump.
 
O problema da actualização no arrendamento deu-se por causa das rendas antigas de 5€. Uma base para actualizar progressivamente as rendas.
Se o contrato for feito de novo, as partes têm toda a liberdade para estabelecer o valor. Se for bem feito e acompanhado não acontece o que aconteceu com os arrendamentos antigos, que ninguém queria saber, não tinham contratos e deixaram andar. Depois muitos ficaram a "arder" com as casas arrendadas por 10€ ou assim, até deixarem chegarem ao cumulo de não poderem despejar as pessoas. Situações onde se aplicam vários regimes transitórios e uma confusão total, que em muitos casos de rendas de 10€ mais vale deixar andar... que ainda se perde dinheiro (impostos, tribunais, chatices), etc.
 
O arrendamento tem as condicionantes que todos conhecemos, pessoas sempre a entrar e sair, estragarem a casa... Por fim ainda teria de render uns belos anos para recuperar o dinheiro das obras...
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Tem. Mas se for feito de forma legal. Com um contrato e algum conhecimento do regime, as coisas não são bem assim. Existem regras.
Isso acontece mais quando não se faz contrato para não se declarar nas finanças. Aí dá para tudo e é mais arriscado, mas mesmo assim muitos continuam a fazer isso... e entende-se.


 
Não te esqueças que o valor das obras de beneficiação descontam nas mais valias. O valor a pagar pode não ser assim tão elevado.

Tens de ver o valor da casa quando comprada e atualizar o valor para valor atual. Depois somas o custo das obras e o custo com comissão de imobiliária, se existir. A diferença desta soma para o valor da venda é que é taxado.
 
Não te esqueças que o valor das obras de beneficiação descontam nas mais valias. O valor a pagar pode não ser assim tão elevado.

Tens de ver o valor da casa quando comprada e atualizar o valor para valor atual. Depois somas o custo das obras e o custo com comissão de imobiliária, se existir. A diferença desta soma para o valor da venda é que é taxado.

Bem visto.
 
Não te esqueças que o valor das obras de beneficiação descontam nas mais valias. O valor a pagar pode não ser assim tão elevado.

Tens de ver o valor da casa quando comprada e atualizar o valor para valor atual. Depois somas o custo das obras e o custo com comissão de imobiliária, se existir. A diferença desta soma para o valor da venda é que é taxado.
Uma precisão a acrescentar:

- o valor atual é obtido pelo valor de correção monetária. Estes ainda são valores fixados em 2015, mas não deve haver alteração, pelo menos significativa:http://ind.millenniumbcp.pt/pt/gera...an_2015/Coeficientes-desvalorizacao-2014.aspx
 
Olhando para as coisas de uma perspectiva puramente financeira, e admitindo por exemplo uma maturidade do investimento de 10 anos, temos:

Opção de vender (tudo em taxas brutas, desconsiderando efeitos fiscais):
Encaixas agora 50.000,00 euros
Há que retirar o imposto da mais valias (indeterminado, portanto fazemos de conta que é zero)
50.000 euros aplicado a uma taxa média bruta de 3% (não seria nada mau)
Ao fim de 10 anos temos (capitalizado): 17.195 euros
Portanto ao fim de 10 anos o património é de 67.195 euros

Opção de obras e arrendar:
Obras: 20.000 euros
Rendas: 350 euros/mês ou 42.000 euros ao fim de 10 anos
Património ao fim de 10 anos: 50.000-20.000-42.000 = 72.000 euros

A hipótese de arrendar parece ser marginalmente superior à de vender, isto sem ter sequer em conta a variação dos preços do imobiliário.

Por essa margem, vender é de longe a melhor opção. Os 5.000€ de diferença em 10 anos deixam de existir se considerarmos, no carro do arrendamento, todas as despesas que ficam a cargo do proprietário (IMI, conservação/manutenção, condomínio, etc), já para não falar dos riscos associados a qualquer arrendamento.

Venda, sem dúvida.
 
Olhando para as coisas de uma perspectiva puramente financeira, e admitindo por exemplo uma maturidade do investimento de 10 anos, temos:

Opção de vender (tudo em taxas brutas, desconsiderando efeitos fiscais):
Encaixas agora 50.000,00 euros
Há que retirar o imposto da mais valias (indeterminado, portanto fazemos de conta que é zero)
50.000 euros aplicado a uma taxa média bruta de 3% (não seria nada mau)
Ao fim de 10 anos temos (capitalizado): 17.195 euros
Portanto ao fim de 10 anos o património é de 67.195 euros

Opção de obras e arrendar:
Obras: 20.000 euros
Rendas: 350 euros/mês ou 42.000 euros ao fim de 10 anos
Património ao fim de 10 anos: 50.000-20.000-42.000 = 72.000 euros

A hipótese de arrendar parece ser marginalmente superior à de vender, isto sem ter sequer em conta a variação dos preços do imobiliário.


Tendo em conta que 3% brutos e minimamente seguros são impossíveis de obter neste momento - se conseguir 1% já se pode considerar algo feliz - e que não é de crer que haja um aumento dos juros assim tão brutal que permita, nos próximos anos, compensar os actuais juros baixos, diria que a diferença entre essas opções será bem maior. [;)]
 
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