Especificando aqui um pouco o i8.
Sem dúvida, o cartão de visita mais desejável para todas as novidades que a gama i traz, apesar do i3 ser aquele que realmente necessita de convencer.
Tal como já tinha falado sobre o Vision ED, o estilo a tender para um desconstrutivismo pode ser "the next big thing" no que toca ao styling automóvel.
No caso do i8, estilo e função fundem-se harmoniosamente, dado o papel fulcral na aerodinâmica do veículo que cada camada de pele tem.
A traseira é particularmente fascinante de analisar nesse aspecto.
Temos "flying butresses" como no Ferrari 599, os próprios farolins assumem-se como pequenos spoilers, e todos estes elementos distintos, de grande qualidade estetica e funcional, apesar de fisicamente separados, conjungam-se num todo único e coeso.
O estilo dado por estas camadas sobrepostas e elementos individuais, é bastante dinâmico e fluido, e apesar do estilo resultante não dar aquela ideia de depuração minimalista e limpeza que tantas vezes defendo, dado as diferentes peças distintas que formam o corpo, o resultado final é excelente na obtenção de algo que falta no desenho de muitos carros hoje em dia. Propósito.
Com carros a partilhar plataformas e um sem número de componentes, cabe aos estilist... correcção, designers, providenciar carroçarias que os façam distinguir dos seus irmãos.
Resultado: os estilos que marcam a realidade automóvel de hoje acabam por ser excessivamente decorativos. Ou seja, são trabalho que mais facilmente poderíamos associar ao Design Gráfico, mais precisamente na definição de identidades corporativas. Carro X tem de ser identificado à marca Y e não ao modelo irmão da marca Z, apesar de serem o mesmo modelo.
Isto provoca que temos linguagens estilisticas que apenas servem propósitos visuais, e até nem poderão ser a melhor opção quando se tenta misturar outros requisitos que uma carroçaria deveria oferecer, como questões relacionadas com aerodinâmica, acessibilidade ou visibilidade.
O que vemos no i8, e não sei se posteriormente poderei dizer isto de outros modelos que adoptarão esta linguagem (o estilo e a funcionalidade nasce com o Vision ED, antecessor directo do i8, e por isso, sabemos que funciona), é, um excelente exemplo de como esses requisitos podem ser cumpridos sem que isso signifique a ausência de inovação ou valor estético (ver os outros eco-veiculos já em produção).
O estilo não permite adivinhar que contribui para valores de drag bastante baixos. No geral, modelos com valores de Cx baixo, tendem para formas ovoides e ausência de "escultura". Acabam por parecer naves espaciais saídas de uma qualquer obra de ficção cientifica dos anos 50.
O i8 traz uma dose de dinamismo e tridimensionalidade, que apenas costumamos encontrar em algumas máquinas mais exóticas. E fá-lo de forma apelativa, apesar de ser expectável que seja um estilo que encontre resistência.
A extensa área vidrada lateral, como tinha dito no tópico do i3, é algo explorado por muito boa gente já faz muito tempo, mas até agora sem aplicação prática. Teremos que esperar pelo modelo de produção para ver se se mantém. Não acredito que o i3 a aplique (esperemos que resistam à tentação de colocar paineis plásticos pretos, como vemos em coisas como o Volt), mas dado o carácter mais exclusivo do i8, com um pouco de sorte a coisa chega até nós. Casa extremamente bem nesta lógica visual. É apenas mais uma Layer que funde de forma excelente necessidades práticas como visibilidade e até luminosidade no habitáculo; e visuais, ajudando a aligeirar todo o perfil, reflectindo até a lógica lightweight da sua concepção.
Pode-se dizer que 1480kg não é propriamente leve.
Mas 2 motores mais pack de baterias e as dimensões que tem (maior que o série 3 coupé), conseguir menos de 1500kg até é muito bom, quando comparado por exemplo com o 1M, que pesa 1495kg, tem uns 10-15cv a menos, e é bem mais compacto.
Se os rumores se confirmarem, veremos com base no i8, um desportivo que dará origem ao sucessor do M1, motorizado de forma mais convencional, e sem o lastro das baterias, poderá mesmo ainda ser mais leve que este. E isso deve dar algo que pensar à concorrência. Só o 911, actualmente, consegue ter pesos abaixo dos 1500kg
Ainda continuo um pouco surpreendido com o caminho que a BMW levou com estes modelos.
Pode ser que no final a montanha acabe por parir um rato, mas pelo menos sabemos que a nivel tecnológico é isto que já estamos a ver.
Mesmo que no final, acabemos com coisas mais convencionais do ponto de vista estético, pelo menos as entranhas já estão salvaguardadas, e com isso, possibilidades para mudanças mais drásticas na forma como os automóveis são concebidos e produzidos.