Bolsa e investimentos

A Linguagem é uma coisa maravilhosa. Se bem interpretada consegue revelar coisas muito curiosas. Por exemplo, já repararam que segundo os jornais e as televisões as holdings da família Espírito Santo se preparam para pedir "protecção contra credores"? Se fosse uma PME qualquer estaria a declarar insolvência. Os jornais mais crus diriam mesmo que estava falida. Mas as holdings dos Espírito Santo, não. Essa não vão à falência. Pedem protecção contra credores.

Outra coisa curiosa: imaginem que alguém ligava para o aeroporto dizendo: é só para avisar que não há nenhuma bomba aí. Estejam descansados. O que pensariam os responsáveis do aeroporto? O que se passa com o BES (o banco mesmo) é semelhante. Nos últimos dias até fazem fila os fazedores de opinião pública e publicada a dizer que o BES está sólido e estável. Mas se fosse assim tão inequívoca a solidez do BES, por que razão fariam tanta questão de o dizer?

Os meios de comunicação dizem que a exposição do BES à divida do GES é de "apenas" 1,2 MM. Eu digo que é muito mais que isso. São 1,2 MM de exposição directa, sim senhor, mais 650 milhões de Papel Comercial do GES vendido pelo BES, mais quase 2 MM do mesmo PC vendido a instituicionais, mais todo o capital que esses Clientes e Institucionais ainda tenham no BES em outros produtos. Sim, porque alguém espera que um Cliente enganado não retire tudo o que tem do Banco que o enganou? A exposição pode não ser directa nem mesmo em proporção directa, mas tem um impacto brutal.

Outra curiosidade: O BES agora apressa-se a dizer aos seus Clientes que uma coisa é o Banco, outra totalmente diferente são os negócios da família ES. Pois, mas quando se tratou de convencer os Clientes a comprar PC Rio Forte o principal argumento de venda para descansar os potenciais investidores era dizer que comprar Rio Forte era o mesmo que comprar BES...

Finalmente, outra curiosidade muito pouco abonatória para a banca comercial BES: se forem ou tiverem conhecidos que sejam Clientes de gestão discricionária da instituição perguntem que percentagem da carteira de investimentos é constituída por activos ES. Pode ser que tenham uma desagradável surpresa (oxalá que não).

Bottom line, isto está aqui um grande molho de brócolos!

por isso fez muito bem a CMVM em proibir a venda de papel comercial.

é que isto de o banco definir a tx remuneratoria ao mesmo tempo enfiar esse produto nos clientes.
 
Do que conheço em África os bancos só emprestam dinheiro com boas garantias -imóveis - e na grande maioria dos casos a única manira de uma empresa conseguir financiamento é com a entrada de um sócio com dinheiro para investir.

Tendo em conta os relatos que há, obviamente que aquilo não são empréstimos... Foi lavagem, foi roubo, foi o que lhe quiseres chamar.. Foi semelhante ao que o Jardim Gonçalves fez há uns anos para ter uma remuneração isenta de impostos e suspeitas, emprestou 12 milhões ao filho e depois o BCP considerou o crédito incobrável.. Cá para mim, a única diferença é que neste caso estamos a falar de 5,7 mil milhões.

Só essa razão explica que um governo de um pais, tenha emitido uma garantia soberana que cobre 70% dos activos de um banco estrangeiro.. Em Portugal o BES sempre foi o banco do regime e em angola pelos vistos não foi diferente...


Deixo aqui uma infografia gentilmente produzida pelo BE que mostra porque é que na comunicação social Portuguesa nada disto é um escândalo:

sobrinho_0.jpg



Agora só falta uma infografia que explique como é que numa fraude financeira desta dimensão ainda esteja toda a gente de mãos soltas...
 
Como os mercados financeiros vêm isto lá fora:

[h=1]Incestuous Portuguese corporate governance threatens to bring down the system[/h]6 hours ago | July 15th, 2014 13:48:29 GMT by Adam Button


The further you delve into the Banco Espirito Santo saga the more ridiculous and incestuous it gets.


First you have Banco Espirito Santo, which is Portugal’s second-largest bank but lost a half-billion dollars last year. Despite the problems, it actually seems like a relatively healthy and well-capitalized operation but it goes wonky from there.


The next level is Espirito Santo Group, which owned a 25% stake in the bank. Or at least it did until yesterday when it was forced to sell 5% at fire sale prices because it had $100m loan to Nomura due. Earlier in the week it missed a payment on commercial paper. It’s clearly in a major cash crunch or worse.


The next level is a company called Rioforte which owns a 49% stake in Espirito Santo Group (not the bank). They might be in big trouble because they have $1.2 billion in short-term debt due today and Thursday. Rioforte, in turn, is held by Espirito Santo International (not the bank, not the group).


It gets worse from there because Portugal Telecom, for some reason, was the one who gave them the loan in a highly suspect deal that just cost the Portugal Telecom CFO his job. The thing is the family that owns a large part of the other 75% of Banco Espirito Santo also has a large stake in Portugal Telecom.


Meanwhile, the mess threatens to cross the Atlantic because Portugal Telecom is in the midst of a merger with Brazilian telecom Oi and that company (and the Brazil development bank that sponsored it) had no idea about the massive loan to Rioforte. Meanwhile, Luxembourg is now investigating the debt deal — you know it’s fishy when Luxembourg investigates.


Short story: The parent company is in big trouble.


The main questions right now:

  • Will Riofort default on the Portugal Telecom loan? (most likely)
  • Will Oi walk away from the merger? (hard to say)
  • Are the problems ring fenced from the bank (probably not, the bank lent money to Espirito Santo International and tried to dump it on clients)
  • Will Portugal be forced into a bailout (doubtful because it was the Bank of Portugal that exposed it and the govt has refused aid)
Overall, it looks like the Espirito Santo family bought off the wrong politicians because the government is walking away:
“Companies that look more to friends than competence pay the price, but that price shouldn’t be paid by society as a whole, and much less by taxpayers,” Prime Minister Coelho said on the weekend.


This could be a Lehman moment in Portugal.

Incestuous Portuguese corporate governance threatens to bring down the system | ForexLive
 
só para relembrar que a akoya era o estaminé[:D] do ex-UBS que se dedicava a um private banking criativo, que tinha essa malta toda como cliente.

e eles trabalhavam bem, verdade seja dita[:)]
 
só para relembrar que a akoya era o estaminé[:D] do ex-UBS que se dedicava a um private banking criativo, que tinha essa malta toda como cliente.

e eles trabalhavam bem, verdade seja dita[:)]


Trabalhavam tão bem que o CEO daquilo, um suíço, foi preso e ao que sei continua preso.
 
Uma coisa que a comunicação social explicou mal e porcamente - para evitar dizer que não explicou nada - foi as eventuais consequências da RioForte não pagar os valores em dívida à Portugal Telecom. Fartaram-se de dizer que terminava ontem o prazo (15/7) mas ficaram-se por aí.

É verdade que a PT pode sair mais fraca desta situação? Já li que a Oi pode voltar atrás nos trâmites da fusão.
 
Assim se vê a manipulação que a comunicação social ligada a estes grupos faz da opinião pública, de braço dado com as picaretas falantes de cada canal televisivo.....está tudo a soldo desses gajos para que as pessoas não corram aos balcões para resgatar o que "supostamente" lá depositaram.....
 
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