Bolsa e investimentos

Esta semana o No1 ferrou o dente nas medições de inflação nos EUA (CPI, Consumer Price Index): https://no01.substack.com/p/length-not-temperature

Básicamente é a anedota do "quanto é que quer que seja", mas em grande. Só para começar, mas leiam o resto e tentem não chorar:

[...]

But let me actually dig in this CPI for once, because this cornerstone deserves some attention.

Take owners’ equivalent rent. About a third of the CPI basket.

It measures housing costs not by tracking what people actually pay - mortgages, taxes, insurance, maintenance - but by asking homeowners what they think they could rent their own house for.

I’m not making that up!!

A government survey calls homeowners and asks them to imagine being their own landlord. Their answer becomes a third of the inflation measure that anchors monetary policy for the largest economy on Earth.

[...]
 
Hilariante. Mudaram as regras de tempo de "descoberta de preço" no Nasdaq, e as IPOs da SpaceX, OpenAI e Anthropic vão ser chutadas directas para a veia dos fundos de reforma e investimento :sh)

Curto e grosso: https://x.com/Hedgeye/status/2060435253928604065

Mais explicado: https://no01.substack.com/p/honest-graft

[...]

Right. So. The Nasdaq-100 used to require a seasoning period - newly listed companies waited anywhere from three months to a year before getting swept into the index. The idea being: let the price actually get discovered. Let float build. Don’t force $527 billion in ETF assets to mechanically pile into something that went public last Tuesday.

That rule? *poof* Gone with the wind.

Effective May 1, any newly listed company in the top 40 by market cap enters the Nasdaq-100 after a grueling delay of 15 trading days.

The minimum float requirement? *poof* … also gone. Eliminated. A stock used to have 10% float to be able to be included. The quaint idea being that less float meant less price discovery. Instead, we now get a weighting multiplier of up to 3x. So a company that floats 3% of its shares gets treated as if it floated 9%.

[...]

Nasdaq gets the listing fees, gets the trading volume, gets the prestige.

SpaceX gets a wave of forced buyers the moment the lockup math gets interesting.

And we - the ultimate bagholders - will be forced through our 401Ks to buy into an artificially weighted offloading operation.

Somewhere, Al Capone is looking up at all this and wondering why he ever bothered with organized crime.​
 
O meu receio, como já falaram em cima, é o efeito nos fundos de índice.

Pois. O filme vai ser que os preços sobem porque há poucas acções disponíveis e os fundos têm obrigação automática de comprar.

Depois se os preços descerem ... ah pois, temos pena, fiquem aí a segurar o saco [8b]
 
Isto é cada cavadela sua minhoca. Também foi pela borda fora uma regra que exigia que, para entrarem nas compras automáticas de fundos passivos, as companhias não dessem prejuízo nos últimos quatro trimestres.

A SpaceX perdeu 3.9 mil milhões USD no ultimo ano, e estabeleceu o preço do IPO sózinha: https://x.com/Hedgeye/status/2062190794874790022 , https://app.hedgeye.com/insights/183022-the-largest-ipo-in-history-was-built-to-be-bought


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Enquanto isso as tugas Já começaram a sua epoca de dividendos.

Encaixe de mais de 11% brutos em dividendos no BCP e valorização(virtual) de mais de 200%
 
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Isto é cada cavadela sua minhoca. Também foi pela borda fora uma regra que exigia que, para entrarem nas compras automáticas de fundos passivos, as companhias não dessem prejuízo nos últimos quatro trimestres.

A SpaceX perdeu 3.9 mil milhões USD no ultimo ano, e estabeleceu o preço do IPO sózinha: https://x.com/Hedgeye/status/2062190794874790022 , https://app.hedgeye.com/insights/183022-the-largest-ipo-in-history-was-built-to-be-bought


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É só a maior transferência de €€ forçada de todos os tempos dos que têm participações em fundos, ETFs e similares desde sempre até à próxima já agora.


Não esquecer que xAI comprou o Twiiter que por sua vez a xAI foi comprada pela SpaceX, que por sua vez é financiada ou foi por muitos €€ do estado americano.

O twitter dava prejuízo e foi preciso reembolsar investidores e o xAI dava prejuízo.
 
Em bom português é uma bela trafulhice!!
Sem fazer nada quase 50% das ações estão vendidas, mesmo que no limite se esteja a comprar lixo!
Vai ser um ano interessante este.
 
Mais a OpenAI + Anthropic…

Por isso disse que ia ser um ano interessante!
No limite se acontecer o mesmo com essas empresas e chegarem ao mercado com valores absurdos, podemos mesmo num ETF ter uma grande percentagem de empresas que não valem nem perto daquilo que se está a pagar. O comprador nem tem voto na matéria, vai pagar porque o vendedor assim decidiu.
Num ETF do nasdaq que já está super concentrado em meia dúzia de empresas ainda ficará pior.
 
Estar a limitar estas operações a uma espécie de "armadilha para enganar investidores de retalho", parece-me uma visão extremamente limitada e que ignora por completo as dinâmicas destas empresas. Sem questionar, que como é óbvio, cada um está a zelar pelos seus interesses particulares, e o Elon Musk, também estará naturalmente a fazer pelos seus interesses e pelos interesses dos investidores iniciais e não pelos interesses dos reformados ou dos investidores em ETF's, sendo que os investidores de retalho, também devem olhar para os seus interesses com cautela.

O que eu vejo é uma mudança estrutural: industrias como a IA ou a exploração aero espacial, exigem níveis de investimento de capital e anos de investigação absolutamente inéditos até começarem a gerar níveis mínimos de receita e perspectivas de rentabilidade, pelo que no momento em que chegam ao publico através destes IPO's já têm uma dimensão absolutamente massiva e sem paralelo na historia. A Tesla já foi um exemplo atípico de necessidades brutais de capacidade antes de ser rentável, mas ainda assim, as empresas de IA ou de exploração espacial, estão noutra dimensão.


Estas IPO's, pela sua dimensão absolutamente anormal também não podem ser ignoradas pelos índices. É preciso ter consciência da função de um índice, eles não são construídos para serem uma estratégia de investimento, servem para medir o mercado bolsista. E um sistema que pretende ser a métrica do mercado, não pode ignorar empresas com a dimensão da SpaceX, uma empresa que chegará ao mercado com 1,77T USD de capitalização.

Embora a SpaceX falhe métricas para inclusão em alguns dos índices, o expectável é que ao longo de 2026 esteja em todos, porque ninguém pode dizer que o seu índice representa o mercado e deixar de forma uma empresa que vai ter um peso tão importante. O Nasdaq como se sabe já redefiniu as regras para acomodar esta IPO, o MSCI e a FTSE usam regras mecânicas, pelo que será muito rápida a inclusão (dias ou semanas no máximo), já no S&P500, que costuma ser o mais rígido, muito provavelmente vão usar mecanismos de fast track para a adicionar ao longo dos próximos meses. Acho altamente improvável que essa inclusão não ocorra em todos os índices globais ainda em 2026 apesar de métricas habitualmente exigidas por alguns deles, como os 4 trimestres de lucro, obviamente não serem cumpridos.


Por outro lado, as regras desenhadas pelo Elon Musk também mostram a força que advém de um IPO desta dimensão e impõem regras pouco habituais para evitar o pump & dump das ações logo nos primeiras semanas típicos dos IPO's. Os insiders detentores de ações, terão regras bastante mais restritas para libertar as suas tranches e que estendem as restrições durante anos, quando o habitual é restrições de algumas semanas até no limite 180 dias. Sendo que as tranches dos insiders, no primeiro ano, só podem ir sendo libertadas em pequenas percentagens e sempre condicionadas à cotação ser superior ao preço do IPO.


A conjugação disto tudo, vai levar a efeitos práticos que serão interessantes de ir seguindo....

Nos primeiros dias o hype massivo, conjugado com o free float minúsculo, de cerca de 4%, pode gerar fenómenos de volatilidade extrema. Ao longo do ano à medida que for incluída nos índices e à medida que os insiders forem sendo autorizados a libertar ações aumentando assim o free float vamos por um lado ver uma pressão vendedora, mas por outro lado veremos obrigatoriamente os ETF's a terem de fazer uma pequena rotação de outras ações em direção à SpaceX para ir mantendo a proporção da sua capitalização ajustada ao free float do mercado.


Tudo isto são efeitos especulativos a que um investidor de retalho pode ou não querer estar exposto, tendo em conta o histórico dos IPO's, até acho natural que muitos se queiram manter longe, mas ao contrário do que os videos do "fim do mundo dos indices e dos ETF's" tentam fazer crer no Youtube, é preciso ter calma e ver as coisas com alguma perspectiva:

Para quem tem os seus investimentos em ETF's globais, basta olhar para os números e antes de mais perceber que a inclusão nos índices é feita pela dimensão do free float e não pela capitalização bolsista total. Isso acontece porque olhando para o exemplo da SpaceX, se os índices incluíssem a empresa à dimensão total, iria diretamente para o top juntamente com empresas como a Microsoft, Meta ou Amazon e como apenas vão ser libertadas 4% das ações no IPO simplesmente não haveria ações suficientes para serem compradas e elas iriam subir a preços absolutamente ridículos.

E essa diferença entre a capitalização e o free float faz toda a diferença, a SpaceX não vai chegar aos índices como uma empresa de 1.77T$, mas sim como uma de 75B$, o que é totalmente diferente, num indice como o MSCI ACWI (ou FTSE AW), o peso expectável da SpaceX no inicio será na casa dos 0,05% do índice e o impacto para os seus detentores será quase invisível. Só à medida que os períodos de lock-up forem expirando e os investidores iniciais forem libertando tranches adicionais de ações (admitindo que o fazem) é que o peso poderá ir subindo e atingindo valores que se esperam que estabilizem em torno dos 0,6% a 0,8% do índice. Em indices como o Nasdaq e o SP500 o peso será obviamente superior.

Não deixa de ser uma mudança de perfil de risco para quem investe habitualmente no beta de mercado, já que as grandes empresas costumam ser empresas altamente rentáveis e com modelos de negócio estabelecidos e maduros e agora vão passar a ter uma fatia de investimento em empresas deficitárias que apostam tudo no hiper crescimento, com consumos de capital absolutamente massivos, dependentes de tecnologias que ainda não sabemos para onde vão evoluir, com perspectivas quase nulas de distribuírem dividendos nas próximas decadas. Além disso há aqui a introdução do Key Man Risk, com a estrutura da SpaceX que dá direitos de controlo vitalício ao Musk, passamos a ter um risco que tradicionalmente só acontece nas empresas familiares, mas que no universo das empresas do Musk é um risco real: a dependência do homem-chave. Se um dia destes lhe dá, p.ex. um ataque cardíaco, as ações das suas empresas vão ter volatilidade extrema.


Pessoalmente eu vejo isto só como uma curiosidade. Transitei há alguns anos de uma estratégia de tentar adivinhar coisas, para uma estratégia 100% rules-based de exposição sistemática aos vários fatores de risco do mercado. E a minha exposição ao beta de mercado tem uma alocação central de 22,5% do meu investimento em ações, pelo que a minha exposição a este fenômeno será absolutamente incipiente empresas como a SpaceX só entrarão no "radar" dos outros fatores em que invisto quando tiverem perfis de rentabilidade ou tendencias de subida sustentáveis, e não no pico do hype dos primeiros dias.
 
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Resumo disso tudo sff[:D]

É para comprar ou não?

Ainda assim notou-se ontem que muita gente está a vender o que tem. Talvez para entrar no que aí vem...
 
Até é interessante empresas privadas estarem a conseguir aquilo que antigamente só se conseguia com investmentos governamentais.

Investir em algo que requer muito investimento inicial e que demora anos até começar a ter retorno.
 
Resumo disso tudo sff[:D]

É para comprar ou não?

Ainda assim notou-se ontem que muita gente está a vender o que tem. Talvez para entrar no que aí vem...
Queres um resumo, aqui vai, patrocinado pelo Gemini

Aqui está o resumo do texto em poucas frases:

* **Mudança estrutural no mercado:** O IPO da SpaceX não é uma armadilha para o retalho, mas sim o reflexo de uma nova era onde indústrias de ponta (como a aeroespacial e a IA) chegam à bolsa com dimensões massivas antes de serem rentáveis.

* **Inclusão inevitável mas impacto inicial controlado:** Os grandes índices mundiais deverão integrar a empresa ao longo de 2026; contudo, o impacto imediato nos ETF globais será residual (cerca de 0,05%), uma vez que a ponderação inicial será calculada com base no reduzido *free float* de 4% e não na capitalização total de 1,77T USD.

* **Novos riscos e abordagem do autor:** Esta transição altera o perfil de risco do investimento passivo ao introduzir empresas altamente deficitárias e o risco de dependência extrema de uma figura central (*Key Man Risk* com Elon Musk) — um fenómeno que o autor acompanha apenas como curiosidade, dado que a sua estratégia de investimento é 100% baseada em regras e fatores estabelecidos.





Quanto ao ser para comprar ou não, isso depende de uma pergunta que cada investidor tem de responder para si próprio:

Eu quero ter retornos acima do mercado, sabendo que as probabilidades jogam contra mim e provavelmente vou ter retornos abaixo do mercado, ou quero ter retornos em linha com o nível risco que assumo?

Depois de me espetar ao comprido algumas vezes, hoje estou claramente no 2º grupo. O fomo é algo que já não me afecta e como tal estou fora. Como expliquei atrás a minha estratégia é 100% baseada em regras e procuro exposição diversificada aos vários fatores de risco identificados por estudos académicos, não tenho a presunção de ser mais esperto do que os outros, pelo que não quero entrar em jogos de sorte e azar.


Mas, eu não faço ideia, nem estou a julgar se investir na SpaceX vai ser lucrativo ou não, só sei que é algo altamente especulativo e como tal não é para mim.

Mas se tivesse de apostar, diria que vai haver um espremer do mercado no início, que pode levar a uma subida violenta, mas quem não tiver um timing perfeito pode ser apanhado numa queda brutal a seguir.
 
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Até é interessante empresas privadas estarem a conseguir aquilo que antigamente só se conseguia com investmentos governamentais.

Investir em algo que requer muito investimento inicial e que demora anos até começar a ter retorno.
Pena que esse fenômeno seja muito localizado nos EUA, como se pode verificar pelo atraso que a Europa leva em todas essas áreas.
 
Mas se tivesse de apostar, diria que vai haver um espremer do mercado no início, que pode levar a uma subida violenta, mas quem não tiver um timing perfeito pode ser apanhado numa queda brutal a seguir.

Estou de acordo nas isso pode acontecer num dia, numa semana, meses ou anos. Quem sabe?

Pode ser uma boa oportunidade para quem aproveitar a subida violenta...

Concordo que tem boa dose de jogo de azar. Ainda assim, acho que vai subir forte de início pois a febre é forte.
 
A parte lucrativa da SpaceX é o starlink, mas não deixa de ser uma avaliação de 1,5 biliões de euros para uma facturação de 18 mil milhões de euros, +-11 mil milhões deles provenientes da Starlink, que não tem concorrência à altura, mas existe e está a crescer.


O sector Starlink é lucrativo agora que se percebe a importância em contexto de guerra, mas a parte dos foguetões foi muito dependente do financiamento do governo dos EUA.

Era importante, mas não na escala financeira de retorno de investimento.


Pode-se achar que a SpaceX tem um potencial tremendo, mas os accionistas da Tesla andam a ser comidos por condução autónoma há mais de 10 anos e agora robôs anunciados há 2 anos.

A que se junta a história da xAI e Twiiter.



Agora avaliações completamente absurdas tem sido o novo normal.

E se uma quebra as regras, outras quebram as regras e algum dia corre mal.
 
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