Axxantis
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Basicamente inventou-se um sistema de desvalorização da moeda sem trocar de moeda. Não me parece assim tão descabido.
Vai cá chegar: disso não tenho dúvidas...
Em economia a forma conta quase tanto quanto o conteúdo. É muito diferente, do ponto de vista económico e das reperscussões futuras, cobrar impostos pelo rendimento, ou pelo capital.
O imposto sobre o rendimento é uma coisa já conhecida de todos há muitas décadas. Medidas a este nível podem ter várias gradações de intensidade mas dificilmente serão vistas como uma ruptura total.
Já medidas de cobrança de impostos directamente sobre os depósitos é todo um outro departamento. São medidas perigosas de consequências muito difíceis de prever. São geralmente interpretadas como um roubo de estado; são uma forma flagrante de dupla tributação, porque incidem sobre poupanças que já resultam elas próprias do que sobrou após o pagamento de impostos sobre o rendimento; afectam brutalmente a confiança das pessoas no sistema bancário com perigo de corridas aos Bancos e regresso à "economia do colchão"; são promotoras activas de desemprego porque delapidam o capital interno de um país com consequências graves no financiamento da economia e portanto na sua capacidade de investimento; afugentam o investimento estrangeiro; promovem a fuga dos capitais domésticos (hoje em dia e fácil abrir contas no estrangeiro); neste caso concreto re-abrem a ferida do futuro do Euro, que já estava mais ou menos pacificada; enfim, as consequências nefastas deste tipo de medidas são tantas que eu tenho sérias dúvidas do saldo final que pode resultar para um país.
E depois há a questão da legitimidade democrática. Um Estado democrático tem que ter limites à sua actuação. Não pode dispôr a 100% do dinheiro das pessoas. Tem que haver uma reserva mínima de inviolabilidade da propriedade privada, ou seja, tem que haver algo em que o Estado não possa tocar, e eu acho que as poupanças das pessoas deviam ser esse "algo".