E no «ping-pong» da ameaça, lá vai prosseguindo a escalada:
Irão:Teerão pronto a responder militarmente a agressão norte-americana -General
Teerão, 15 Fev (Lusa) - O Irão está pronto a ripostar a uma eventual acção militar norte-americana, declarou hoje o general Yahya Rahim-Safavi, comandante dos Guardas da Revolução, o exército ideológico do regime islâmico, à televisão estatal.
"Não vemos qualquer ameaça, mas, enquanto forças armadas, preparámos os nossos planos e estamos prontos para realizar acções defensivas e ofensivas", afirmou.
O secretário da Defesa norte-americano, Donald Rumsfeld, disse recentemente que os Estados Unidos se reservam "todas as opções", incluindo a militar, na crise nuclear iraniana.
"Se eles (EUA) cometerem um disparate ainda maior que o do ataque ao Iraque, as forças armadas e o povo iraniano estão prontos a defender-se e a lançar uma acção ofensiva", sublinhou o general iraniano.
Adiantou que o domínio da tecnologia nuclear civil é "uma exigência nacional dos iranianos, e os norte-americanos e europeus opõem-se à vontade do povo iraniano" ao exigirem que Teerão renuncie ao seu programa de enriquecimento de urânio.
Nos últimos meses, a imprensa ocidental evocou a eventualidade de ataques militares contra instalações nucleares iranianas, a realizar pelos Estados Unidos e Israel.
O Corpo dos Guardas da Revolução foi criado após a Revolução islâmica de 1979. Dispõe de meios militares muito importantes, em particular os famosos mísseis Shahab-3, com um alcance de mais de 2.000 quilómetros, capazes de atingir Israel e as bases norte- americanas no Médio Oriente.
Em 28 de Janeiro, o general Rahim-Safavi afirmara que o Irão poderia utilizar os seus mísseis balísticos no caso de ser atacado.
"O Irão possui um míssil balístico com um alcance de 2.000 quilómetros. Não temos a intenção de atacar qualquer país, mas, se formos atacados, possuímos a capacidade para responder eficazmente. A nossa política é defensiva", disse o general, referindo-se aos Shahab- 3.
Desconhece-se o número de mísseis de que o Irão dispõe.
Teerão sofre pressões crescentes da parte da comunidade internacional, com Estados Unidos e Israel à cabeça, que o acusa de procurar dotar-se da arma nuclear, a coberto das suas pesquisas sobre a tecnologia do combustível nuclear, o que o Irão desmente categoricamente.
Em 04 de Fevereiro, o conselho de governadores da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) adoptou uma resolução, apresentada pelos países europeus e apoiada pelos Estados Unidos, Rússia e China, solicitando que o Conselho de Segurança das Nações Unidas seja informado do processo nuclear iraniano.
Esta resolução exige também que o Irão suspenda todas as suas actividades relacionadas com o enriquecimento de urânio.
O Irão reagiu a esta resolução decidindo retomar as actividades de enriquecimento nas suas instalações de Natanz.
O conselho de governadores reúne-se de novo em 06 de Março e, desta vez, deverá decidir a transferência do processo para o Conselho de Segurança, que poderá então tomar todas as decisões relacionadas com o caso.
RP.
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