Desde muito novo que me habituei a respeitar as tradições, os costumes da gente deste país. Em cada terra fazem a festa, há um santo popular lembrado e festejado na festa anual, há procissão, os arcos, os emigrantes, o concerto de um artista popular. É assim a festa, a tradição, os costumes. Que nunca desapareça esta coisa tão nossa a que chamamos tradição. Mas sinceramente a arte (mas que arte?) ou tradição tauromáquica vulgarmente chamada de tourada, essa mesma que percorre gerações, é algo que me custa a aceitar. Custa-me ver pessoas a divertirem-se à custa do sofrimento de um animal, a aplaudirem… Custa-me ver estações de rádios, estações de televisão etc… essas mesmas que não passam certas e determinadas musicas porque são ofensivas, e que se dizem tão cristãos (ou cretinos?), a organizar touradas. Será que alguém que se diz tão cristão já se deu ao trabalho de saber mais sobre a vida daquele homem que nasceu no ano 1181 e dá pelo nome de Francisco de Assis? Este homem um dia disse:
"Não te envergonhes se, às vezes, os animais estejam mais próximos de ti do que as pessoas. Eles também são teus irmãos."
O toureiro em plena arena recebe palmas e elogios vindos da bancada, e na mesma arena, o animal sangra. Flores e beijos que se atiram, um brilho no olhar de quem assiste, um sorriso contagiante pelo feito daquele homem na arena.
Sinceramente, acho a tourada um costume bárbaro, um espectáculo de sangue em que a arte se funde com a violência e a tortura é uma demonstração de cultura.
Eu não consigo divertir-me ao ver, ao sentir o sofrimento de um animal.
Confesso, que me sinto aliviado quando vejo o toureiro a ser pegado pelo animal. Na frente dos cornos, anda um homem de rastos, as palmas, que ainda há pouco se ouviram, deram lugar a um silêncio gritante vindo da bancada, breve momento de fúria interna, naturalmente. Seria justo bater-mos palmas ao outro lado do espectáculo que agora começou?
E assim, o sangue do homem junta-se ao sangue do touro, no piso de uma arena qualquer.