Leitura de matrículas para travar 'carjacking'
ISALTINA PADRÃO
Grupo de trabalho quer apostar nas novas tecnologias
A leitura automática de matrículas pode ser a solução para pôr fim ao
carjacking (roubo de carros com recurso à violência). Esta foi uma das potenciais soluções tecnológicas colocadas ontem em cima da mesa na primeira reunião do grupo de trabalho que foi encarregue pelo Ministério da Administração Interna (MAI) de estudar o fenómeno do
carjacking. Um crime que teve um aumento de 34% no ano de 2007, com 488 casos.
"Apetrechar os carros-patrulha da PSP e da GNR com equipamentos que possam detectar veículos roubaros por carjacking onde quer que eles estejam, nomeadamente através da leitura automática de matrículas, foi uma das hipóteses ponderadas neste primeira encontro", disse ao DN o secretário de Estado Adjunto e da Administração Interna, José Magalhães, à saída da reunião que se realizou no salão nobre do MAI (Lisboa).
Este grupo de trabalho, constituído por elementos do MAI, forças de segurança, representantes do ramo automóvel e seguradoras têm 30 dias, a partir de ontem, para apresentar um relatório preliminar que será avaliado tendo em vista a tomada de medidas nos 30 dias seguintes. Em suma, esta equipa tem 60 dias para apresentar resultados que têm por fim combater o fenómeno do
carjacking [roubo de viaturas com recurso à violência] que subiu de 365 casos em 2006 para 488 em 2007.
Na reunião de ontem ficou decidido que este grupo - que irá reunir semanalmente "para estudar a utilização de meios tecnológicos e a realização de acções de sensibilização de condutores" -, vai ser alargado à autoridade Nacional de Segurança Rodoviária, a empresas de leasing e de renting.
Ao DN, José Magalhães disse que as próximas reuniões de trabalho poder ser considerada a "abertura a outros sectores".
E dá quase como certo "o apelo a empresas de venda de dispositivos de segurança".
A ideia é, tal como refere o ministro Rui Pereira num despacho assinado ontem após a reunião e a que o DN teve acesso, é "a partilha de soluções e experiências, bem como a adopção de parcerias estratégicas entre o sector público e o sector privado, a melhoria da informação sobre este tipo de criminalidade e a boa articulação entre as forças e os serviços [no sentido de constituir] uma mais-valia na prevenção e no combate ao
carjacking".
A necessidade de apostar nas novas tecnologias como forma de ajudar a combater este tipo de crime, havia já sido manifestada por Rui Pereira, na quarta-feira, à saída da Comissão Parlamentar de Assuntos Constitucionais. "
Não é só com mais polícia na rua que nós conseguimos evitar o carjacking. É também no plano tecnológico que se joga esta luta", disse.
Além do investimento nas novas tecnologias, o ministro sublinha que "deverão ser agilizados e melhorados, igualmente, os meios de detecção precoce de casos deste tipo de crime, tornando mais célere a comunicação entre forças de segurança, tendo em conta que muitos dos veículos são posteriormente utilizados noutro tipo de crime".