No seguimento das fotos anteriores, aqui vai um pequeno relato do que é andar com um Citroen Ami ...
Andar com um veículo eléctrico citadino não é qualquer tipo de novidade, uma vez que ando diariamente com um, que foi adquirido apenas e só para andar nas pequenas deslocações citadinas do dia-a-dia, e muito esporadicamente ir um pouco mais longe, mas sem grandes aventuras.
Tendo já 4 anos de experiência na condução de VE´s, o pé direito já se encontra treinado de forma a optimizar consumos e regenerações. E no Ami, os dois factores podem ser bastante importantes, caso se ande um número de kms "simpático". Não esquecer que aqui não há carga rápida.
Por fora, além do design completamente diferente do habitual e de todo ele ser revestido a painéis de plástico, não há assim grandes detalhes de relevo a destacar ... Ou será que há?
A porta esquerda, é exactamente igual à direita. A frente é exactamente igual à traseira. E quando digo exactamente, é sem qualquer tipo de exagero, porque o é na realidade. O que muda na frente e traseira é a iluminação. E no que diz respeito à iluminação, há que referir o facto do Ami não ter mínimos nem máximos no que diz respeito à iluminação. Quando circula anda sempre de médios acesos.
E se anda sempre de médios acesos, o que faz sentido é não ter nenhum comando para ligar/desligar. E de facto não tem. (Tentei fazer sinais de luzes, e "saiu-me" a escova limpa-vidros a trabalhar)
Quando nos sentamos lá dentro, a primeira coisa que se destaca é a luminosidade da coisa. Tem uma superfície vidrada brutal, o que lhe transmite um ar luminoso e dá a sensação de mais espaço.
Vamos fechar a porta. Mas não há puxador ... Há uma fita porreiras cor-de-laranja, que está presa na porta e serve para essa tarefa.
Abrimos o vidro, que na prática se resume à tarefa de carregar numa "mola" e dobrá-lo para cima. O vidro é dividido sensivelmente a meio na horizontal, e uma parte passa para cima de outra.
Ajustamos o banco longitudinalmente (para condutores até aos 1,80m de altura + coisa, - coisa, anda-se qb). O pendura, esse senta-se exactamente da forma que está, uma vez que o banco é fixo.
Os bancos, que são nada mais nada menos do que cadeiras de plástico, e umas almofadinhas (que até nem são más de todo).
Regulações nos bancos, tirando a já falada, é coisa que não existe.
Antes de arrancar, nada como dar um som à coisa. Mete-se o telemóvel no suporte (de série) que está a meio do tablier, liga-se o Spotify ou outra qualquer plataforma de streaming ou rádio, e siga para bingo. Temos um autêntico sistema de som premium, assim o telemóvel o seja.
Quanto ao sistema de infotainment e navegação, nada a apontar. Lembram-se do telemóvel que acabámos de meter a tocar uma musiquinha? É também ele que tem essa função.
Mas se o telemóvel serve para (quase) tudo neste carro, convém estar bem a nível de bateria. E a Citroen sabe disso, pois colocou uma tomada USB bem pertinho do local onde se coloca o suporte (amovível) para o telemóvel. Qualquer cabo de 10 cms é excelente para meter o telemóvel à carga, e estar perfeitamente visível.
Voltando a olhar para cima, vemos a "armação" em ferro que compõe o Ami. Aqueles tubos quadrados soldados, dão-lhe um toque ... exótico, quase ao nível de qualquer construção artesanal. Mas até que nem fica mal de todo, afinal de contas isto não pertence a nenhum segmento premium ou algo que o valha.
À nossa frente, diversos e úteis locais de arrumação, que tal como o suporte do telemóvel, são amovíveis.
Em andamento (pouco, pois não passa dos 45km/h) e em pavimentos mais degradados, há alguns (a fugir para muitos) ruídos parasitas, talvez derivados da estrutura que a viatura tem. Em pisos decentes, apenas o "assobio" do motor marca presença. E assobiar, e ter paciência, é talvez a melhor coisa a fazer quando estamos a ultrapassar alguém ....
A direcção não compromete, e vai exactamente para onde queremos.
O facto de ter um centro de gravidade baixo e uma distância entre eixos quase ridícula, faz com que o Ami seja um carro previsível no que diz respeito ao comportamento, e acima de tudo, muito divertido de conduzir.
A bagageira é imensa, e depende sempre do passageiro que levarmos, uma vez que apenas dá para levar um ou dois volumes à frente, e junto aos pés do pendura. (Sem que o mesmo tenha de se encolher)
Para estacionar, e em cidade, apenas é preciso meio lugar. A tarefa mais difícil será efectivamente descobrir meios lugares, ou deixar o brinquedo a ocupar o lugar de um carro a sério, sem ser insultado.
Se há coisa que este Ami também tem como grande característica é o facto de despertar curiosidade. Vira mais pescoços por m2, do que qualquer carro desportivo ou exótico. Talvez pelo facto de ser novidade, talvez pelo facto de ser diferente, ou talvez por outro motivo qualquer. Mas se a ideia é passar despercebido no meio de qualquer cidade, é preferível tirar o Ferrari ou o Aston Martin da garagem. Pelo menos vêm-se mais desses, do que Ami´s.
É talvez das coisas mais honestas que experimentei até hoje, uma vez que apenas promete agilidade e facilidade em deslocações.
Não é carro para o dia-a-dia, ainda para mais porque não é um carro, é um quadriciclo.
Para pequenas deslocações, sejam de nível pessoal ou profissional, em âmbito citadino e até para soluções de "last mile", é perfeito.
Para mais do que isso, é melhor subir o patamar e escolher outra coisa.
Ahhh, não esquecer que pode ser conduzido a partir dos 16 anos, e com o passar do tempo, talvez seja mais fino ter um Ami, do que ter um "mata-velhos" antes de tirar a carta aos 18 ... E com a vantagem que ainda se pode dizer que é eco-friendly.