Como é que se valoriza o trabalho?

PeLeve

Well-known member
Depois de tanta discussão sobre quem ganha o quê, se é muito, ou pouco, se deveria ser aumentado, se não devia, ... parece-me que falta aqui a discussão sobre o real valor do trabalho!

Pois é, como é que se pode avaliar o trabalho de cada sector de actividade? Há margem de manobra para se sustentarem divergências entre, por exemplo, o custo de produção ou o real valor, a real utilidade, de um copo de água e o de um diamante?...

Como é então? Que critérios?...
 
Olha, um dos grandes problemas dos departamentos informáticos por esse mundo fora é, precisamente, a contabilização do trabalho realizado.

Um exemplo muito simples: tens uma equipa de programadores afectos a alguns projectos e, com base no seu vencimento horário (calculado a partir do mensal) e nas horas de trabalho por dia podes, facilmente, distribuí-los pelas horas afectas a um projecto.
No entanto, os "informáticos" são frequentemente interrompidos com outras questões, seja de manutenção de outros desenvolvimentos anteriores, seja para resolução de problemas pontuais remetidos pelos utilizadores, etc...

Com efeito, as horas de um dia não chegam para tudo, as prioridades muitas vezes mudam, e não tens como contabilizar estes "desvios".

Resultado: tens pessoas que, a julgar pelo plano do projecto, andaram na boa vida, mas que na prática andaram a realizar trabalho que não foi imputado a nenhum outro departamento.

Ou seja, a informática realiza trabalho que não é contabilizado na totalidade, com o devido impacto que isso tem nas contas, e o trabalho de algumas pessoas não é devidamente apreciado (ou valorizado) por culpa disso.

Isto não responde à tua questão, apenas lhe confere outros contornos. Mas pode ser que ajude ao debate :)
 
E, para baralhar mais um bocado um assunto que, já de si, não é de fácil compreensão: um programador desenvolve uma aplicação que é utilizada uma vez por trimestre. Perdeu 2 meses a desenvolvê-la. Outro, por seu lado, ficou a cargo de desenvolver uma aplicação de utilização diária, tendo completado a mesma em duas tardes.
Qual o trabalho mais valorizado, assumindo que nenhum deles se andou a baldar? O que fez a aplicação mais importante para a empresa (assumindo que é a diária), ou o que andou mais tempo a trabalhar em algo aparentemente mais complexo?
 
Olha, um dos grandes problemas dos departamentos informáticos por esse mundo fora é, precisamente, a contabilização do trabalho realizado.

Um exemplo muito simples: tens uma equipa de programadores afectos a alguns projectos e, com base no seu vencimento horário (calculado a partir do mensal) e nas horas de trabalho por dia podes, facilmente, distribuí-los pelas horas afectas a um projecto.
No entanto, os "informáticos" são frequentemente interrompidos com outras questões, seja de manutenção de outros desenvolvimentos anteriores, seja para resolução de problemas pontuais remetidos pelos utilizadores, etc...

Com efeito, as horas de um dia não chegam para tudo, as prioridades muitas vezes mudam, e não tens como contabilizar estes "desvios".

Resultado: tens pessoas que, a julgar pelo plano do projecto, andaram na boa vida, mas que na prática andaram a realizar trabalho que não foi imputado a nenhum outro departamento.

Ou seja, a informática realiza trabalho que não é contabilizado na totalidade, com o devido impacto que isso tem nas contas, e o trabalho de algumas pessoas não é devidamente apreciado (ou valorizado) por culpa disso.

Isto não responde à tua questão, apenas lhe confere outros contornos. Mas pode ser que ajude ao debate :)

E já para não falar quando andas uma tarde ou um dia com um problema completamente estúpido e impossível de prever e contabilizar [8b]
 
E, para baralhar mais um bocado um assunto que, já de si, não é de fácil compreensão: um programador desenvolve uma aplicação que é utilizada uma vez por trimestre. Perdeu 2 meses a desenvolvê-la. Outro, por seu lado, ficou a cargo de desenvolver uma aplicação de utilização diária, tendo completado a mesma em duas tardes.
Qual o trabalho mais valorizado, assumindo que nenhum deles se andou a baldar? O que fez a aplicação mais importante para a empresa (assumindo que é a diária), ou o que andou mais tempo a trabalhar em algo aparentemente mais complexo?

E imagina que a aplicação feita em duas tardes mostra o menu da cantina e a aplicação feita em 2 meses é usada para encontrar utilizações abusivas de cartões de crédito.
 
Será dependente do dinheiro ganho pela empresa com o trabalho do colaborador.

Então eu coloco-te uma questão:

Como divides o dinheiro ganho por uma empresa numa aplicação infomática por:
- arquitectos de software
- tipo que faz os requisitos
- quem implementa
- quem testa
- quem instala no cliente
- quem dá formação
- quem dá apoio ao cliente (help-desk)

é complicado, não achas?
 
Life lessons ... :-D

Life lessons ... :-D

Depois de tanta discussão sobre quem ganha o quê, se é muito, ou pouco, se deveria ser aumentado, se não devia, ... parece-me que falta aqui a discussão sobre o real valor do trabalho!

Pois é, como é que se pode avaliar o trabalho de cada sector de actividade? Há margem de manobra para se sustentarem divergências entre, por exemplo, o custo de produção ou o real valor, a real utilidade, de um copo de água e o de um diamante?...

Como é então? Que critérios?...

Bom dia,

Talvez em "off-topic" ... ou talvez não .... [;)] somente para partilhar algo que aprendi e que uso no âmbito das minhas funções - actualmente sou "designer de calçadas" (DE) aka. calceteiro (PT) [:)]

Um dos meus Professores do programa de Mestrado que frequentei antes de vir para Estugarda, depois de ter passado por vários Conselhos de Administração de Empresas de Seguros e Fundos de Pensões, com uma grande experiência em gerir pessoas (notar bem: gerir pessoas [;)] ), ensinou-nos umas das técnicas que utilizava quando alguém queria discutir com ele eventuais aumentos salariais / regalias / contra-partidas pelo trabalho desempenhado ... começava mais ou menos assim:

Tipo-que-queria-mais:"Precisava de mais isto e aquilo ! Quero este mundo e o outro !".

Professor: "Não tem problema nenhum. Mas espero que esteja consciente da decisão que irei tomar se eu encontrar alguém que faça o seu trabalho / desempenhe as suas funções com a mesma ou mais qualidade / diligência / resultados por igual ou menos dinheiro / contra-partidas / menos custos para a empresa ..."

Tipo-que-queria-mais (a pensar para ele):"Será que estou mesmo seguro do que valho ... ou corro o risco de ser substituído ? Se calhar é melhor meter a viola no saco! ... ou estarei à altura do desafio ? "

Invariavelmente ... o desfecho era mais ou menos este:

Tipo-que-queria-mais:"Bom, errr .. bom .. err .. não lhe tomo mais tempo. Afinal o mundo que tenho chega-me."

Professor: "Tenha um bom dia!" [;)]


Life lesson ... para ler nas entrelinhas [;)]

Cumprimentos,
 
Bom dia,

Talvez em "off-topic" ... ou talvez não .... [;)] somente para partilhar algo que aprendi e que uso no âmbito das minhas funções - actualmente sou "designer de calçadas" (DE) aka. calceteiro (PT) [:)]

Um dos meus Professores do programa de Mestrado que frequentei antes de vir para Estugarda, depois de ter passado por vários Conselhos de Administração de Empresas de Seguros e Fundos de Pensões, com uma grande experiência em gerir pessoas (notar bem: gerir pessoas [;)] ), ensinou-nos umas das técnicas que utilizava quando alguém queria discutir com ele eventuais aumentos salariais / regalias / contra-partidas pelo trabalho desempenhado ... começava mais ou menos assim:

Tipo-que-queria-mais:"Precisava de mais isto e aquilo ! Quero este mundo e o outro !".

Professor: "Não tem problema nenhum. Mas espero que esteja consciente da decisão que irei tomar se eu encontrar alguém que faça o seu trabalho / desempenhe as suas funções com a mesma ou mais qualidade / diligência / resultados por igual ou menos dinheiro / contra-partidas / menos custos para a empresa ..."

Tipo-que-queria-mais (a pensar para ele):"Será que estou mesmo seguro do que valho ... ou corro o risco de ser substituído ? Se calhar é melhor meter a viola no saco! ... ou estarei à altura do desafio ? "

Invariavelmente ... o desfecho era mais ou menos este:

Tipo-que-queria-mais:"Bom, errr .. bom .. err .. não lhe tomo mais tempo. Afinal o mundo que tenho chega-me."

Professor: "Tenha um bom dia!" [;)]


Life lesson ... para ler nas entrelinhas [;)]

Cumprimentos,
Temos cá muitos desses jmsm mas ao contrario, preferem contratar o "calceteiro" pq sai mais barato, é imigrante ilegal e não reclama, do que o "designer de calçadas" que vale mais, sabe quanto vale e exige ser contrapartidas pelo seu valor.

[;)]









 
Boxer,

Encontrar um informático que cumpra os prazos do projecto é o mesmo que encontrar um Audi TDI importado com 80,000Km reais, naqueles stands de estrada. [:D]
 
Pois é, como é que se pode avaliar o trabalho de cada sector de actividade? Há margem de manobra para se sustentarem divergências entre, por exemplo, o custo de produção ou o real valor, a real utilidade, de um copo de água e o de um diamante?...

Como é então? Que critérios?...

Dou por mim variadas vezes a pensar nisto.

Eu não vejo valor nenhum num diamante. Mesmo num carro, recentemente prometi a mim mesmo nunca mais comprar um carro novinho em folha.

Um copo de água é daquelas coisas mesmo essenciais. Mas o valor que lhe damos depende do contexto. Actualmente, num país desenvolvido, um copo de água não vale muito. Está ao alcance de qualquer pessoa, há muita água potável por aí [;)] . Num deserto, a água é capaz de valorizar bastante.

Enfim... A única conclusão a que chego sempre é que: as coisas valem o que o "mercado" oferece por elas numa determinada altura, tendo sempre em conta a envolvente/situação actual e a expectativa futura (i.e., a probabilidade de haver uma modificação severa em relação à actual - se essa probabilidade for baixa, a expectativa futura deixa de ter grande interesse).

Há "malucos" que gostam de diamantes. devido à sua rareza, os preços são altos. Mas desde que continue a haver gente "excêntrica", o preço vai continuar na mesma tendência.

Tal como todas as avaliações, há um período razoável para a previsão que se faz. Se esperarmos que daqui a 20 anos não haja água potável, a água começará a subir de preço já hoje.

é apenas a minha visão
 
Bom dia,

Talvez em "off-topic" ... ou talvez não .... [;)] somente para partilhar algo que aprendi e que uso no âmbito das minhas funções - actualmente sou "designer de calçadas" (DE) aka. calceteiro (PT) [:)]

Um dos meus Professores do programa de Mestrado que frequentei antes de vir para Estugarda, depois de ter passado por vários Conselhos de Administração de Empresas de Seguros e Fundos de Pensões, com uma grande experiência em gerir pessoas (notar bem: gerir pessoas [;)] ), ensinou-nos umas das técnicas que utilizava quando alguém queria discutir com ele eventuais aumentos salariais / regalias / contra-partidas pelo trabalho desempenhado ... começava mais ou menos assim:

Tipo-que-queria-mais:"Precisava de mais isto e aquilo ! Quero este mundo e o outro !".

Professor: "Não tem problema nenhum. Mas espero que esteja consciente da decisão que irei tomar se eu encontrar alguém que faça o seu trabalho / desempenhe as suas funções com a mesma ou mais qualidade / diligência / resultados por igual ou menos dinheiro / contra-partidas / menos custos para a empresa ..."

Tipo-que-queria-mais (a pensar para ele):"Será que estou mesmo seguro do que valho ... ou corro o risco de ser substituído ? Se calhar é melhor meter a viola no saco! ... ou estarei à altura do desafio ? "

Invariavelmente ... o desfecho era mais ou menos este:

Tipo-que-queria-mais:"Bom, errr .. bom .. err .. não lhe tomo mais tempo. Afinal o mundo que tenho chega-me."

Professor: "Tenha um bom dia!" [;)]


Life lesson ... para ler nas entrelinhas [;)]

Cumprimentos,


Infelizmente com o Português isso não funciona. Procura-se sempre o melhor salário possível, nem que se coloque em risco de alguém tomar o lugar. Toma-se o aviso apenas como bluff e como a legislação portuguesa ajuda nesse sentido, não faz qualquer efeito.

A consciência em Portugal, é algo que é mais leve que o hidrogénio, não pesa nada. [8b]
 
Boxer,

Encontrar um informático que cumpra os prazos do projecto é o mesmo que encontrar um Audi TDI importado com 80,000Km reais, naqueles stands de estrada. [:D]

Se calhar não trabalha com os profissionais adequados!
 
Depois de tanta discussão sobre quem ganha o quê, se é muito, ou pouco, se deveria ser aumentado, se não devia, ... parece-me que falta aqui a discussão sobre o real valor do trabalho!

Pois é, como é que se pode avaliar o trabalho de cada sector de actividade? Há margem de manobra para se sustentarem divergências entre, por exemplo, o custo de produção ou o real valor, a real utilidade, de um copo de água e o de um diamante?...

Como é então? Que critérios?...
Ontem passei o dia a resolver um problema informático do dpto lá no serviço, o técnico da empresa que faz manutenção, apareceu já tarde eram quase 20h e animado (o problema já estava resolvido) disse que voltava no dia seguinte para falar com o Eng.

Os técnicos da casa andaram tb o dia todo na casa mãe a resolver problemas com os servidores e terminais e não puderam resolver nada naquele dpto.

Resumindo, o meu serviço ficou quase todo por fazer mas o resto ficou a funcionar, se o meu chefe fosse avaliar o meu trabalho ontem eu ficaria em maus lençóis apesar do trabalho todo que tive.
 
Uma questão na melhor onda «return to basics»...

Karl Marx, Max Weber, etc, tem reflexões notáveis sobre isto mesmo.
 
Então eu coloco-te uma questão:

Como divides o dinheiro ganho por uma empresa numa aplicação infomática por:
- arquitectos de software
- tipo que faz os requisitos
- quem implementa
- quem testa
- quem instala no cliente
- quem dá formação
- quem dá apoio ao cliente (help-desk)

é complicado, não achas?

Claro que é. Mas cada um deles tem o seu valor, uns mais, outros menos. Até porque trabalho igual é coisa que só existe numa linha de montagem mecanizada, e mesmo assim...
 
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