Como é que se valoriza o trabalho?

Olha, um dos grandes problemas dos departamentos informáticos por esse mundo fora é, precisamente, a contabilização do trabalho realizado.

Um exemplo muito simples: tens uma equipa de programadores afectos a alguns projectos e, com base no seu vencimento horário (calculado a partir do mensal) e nas horas de trabalho por dia podes, facilmente, distribuí-los pelas horas afectas a um projecto.
No entanto, os "informáticos" são frequentemente interrompidos com outras questões, seja de manutenção de outros desenvolvimentos anteriores, seja para resolução de problemas pontuais remetidos pelos utilizadores, etc...

Com efeito, as horas de um dia não chegam para tudo, as prioridades muitas vezes mudam, e não tens como contabilizar estes "desvios".

Resultado: tens pessoas que, a julgar pelo plano do projecto, andaram na boa vida, mas que na prática andaram a realizar trabalho que não foi imputado a nenhum outro departamento.

Ou seja, a informática realiza trabalho que não é contabilizado na totalidade, com o devido impacto que isso tem nas contas, e o trabalho de algumas pessoas não é devidamente apreciado (ou valorizado) por culpa disso.

Isto não responde à tua questão, apenas lhe confere outros contornos. Mas pode ser que ajude ao debate :)

Passa-se algo de muito semelhante com os departamentos de Manutenção Industrial.

Este tema foi parcialmente contornado usando OT's (Ordens de Trabalho) para cada solicitação que é feito ao Departamento de Manutenção.
 
Claro que é. Mas cada um deles tem o seu valor, uns mais, outros menos. Até porque trabalho igual é coisa que só existe numa linha de montagem mecanizada, e mesmo assim...

Trabalhas na área de informática???

É que eu tenho uma questão para resolver, e já dei voltas à cabeça...

Imagina que tens uma equipa de 3 pessoas, para tu avaliares a qualidade do código:
1 - faz tudo que diz respeito a bases de dados (gestão, querys)
2 - faz o interface gráfico, com validações eprocesamento de dados
3 - faz o código que liga a BD ao interface gráfico
(isto assim muito por alto)

Como é que se consegue comparar qualidade de código neste caso?
 
Para mim este assunto tem uma resposta simples:

O trabalho deve ser valorizado quando o conseguimos executar consumindo o menos possível em recursos.

Ex: Eu faço um projecto. Nesse projecto ganho 1000€. Perco 30h para o fazer. Cada hora do meu trabalhador custa-me 30€, logo 30hx30€ = 900€, tive de lucro 100€, sem contarmos com mais despesas.

Desde que haja lucro, é sempre de valorizar qq tipo de trabalho, senão, mais vale estarmos quietinhos.
 
Trabalhas na área de informática???

É que eu tenho uma questão para resolver, e já dei voltas à cabeça...

Imagina que tens uma equipa de 3 pessoas, para tu avaliares a qualidade do código:
1 - faz tudo que diz respeito a bases de dados (gestão, querys)
2 - faz o interface gráfico, com validações eprocesamento de dados
3 - faz o código que liga a BD ao interface gráfico
(isto assim muito por alto)

Como é que se consegue comparar qualidade de código neste caso?


1º o código está comentado e identado, se não, mesmo que seja codigo de qualidade então o codigo não serve para nada.

2º o código está bem estruturado, com classes e métodos, ou com funções e procedimentos, dividido em vários ficheiros, tendo os ficheiros, classes, métodos, variaveis nomes semanticos.

3º o codigo segue alguem coding stantard, ou não.

4º o código é facil de ler e de perceber

5ª o codigo preve tratatmento de erros ou simplesmente rebenta quando o erro ocorre.


Vês, apesar se ser dificel, é sempre possivel estabelecer métricas para avaliar o qualidade.
 
Trabalhas na área de informática???

É que eu tenho uma questão para resolver, e já dei voltas à cabeça...

Imagina que tens uma equipa de 3 pessoas, para tu avaliares a qualidade do código:
1 - faz tudo que diz respeito a bases de dados (gestão, querys)
2 - faz o interface gráfico, com validações eprocesamento de dados
3 - faz o código que liga a BD ao interface gráfico
(isto assim muito por alto)

Como é que se consegue comparar qualidade de código neste caso?

Consegues avaliar a qualidade do código dividindo isso em várias àreas... comentários, legibilidade do código, se segue algum standard de codificação, tratamento de erros/excepções, capacidade de abstracção, capacidade de perceber que algo é repetitivo e transforma-lo numa função, se for orientado aos objectos a forma como usa essa orientação, a separação conseguida entre as camadas de apresentação, processamento e dados, os querys se são optimizados ou não, ou com erros básicos (ex. select * from xpto é mto mau), se usa e procura usar bibliotecas já existentes em vez de reescrever sempre a roda, se usam logging, frameworks de unit testing.

E muitas vezes é tb por simples inspecção, muitas pessoas para fazerem um ciclo para iterar sobre uma colecção de dados fazem-no das maneiras mais estranhas. Outro exemplo clássico é o harcoding a evitar completamente e dá direito a crucificação [:D]
 
Última edição:
Respondendo mais propriamente ao tópico.

O real valor do trabalho é dado, pura e simplesmente pela lei do mercado.

Em trabalhos iguais, o trabalhador A pode considerar justo o valor dado pelo seu trabalho e o trabalhador B pode achar injusto.

O que pode fazer o trabalhador B, ou conformar-se ou ir à procura de outro lugar em que o seu trabalho seja mais valorizado. Se não existe outro lugar em que o trabalho seja mais valorizado, então possivelmente o trabalhador B terá que ver que provalvelmente já lhe estavam a dar o real valor pelo seu trabalho.

Concretizando com dados reais (espero não começar nenhum guerra) toda a gente se queixa dos baixos salários praticados no nosso pais.

O que podem fazer as pessoas, apenas uma coisa, irem à procura de salarios mais altos. Querem apostar que se 1 milhão de portugueses, dos que ganham o salario minimo, emigrasse, que pela lei da oferta/procura, o salario minimo iria aumentar.

Tenho 29 anos, trabalho à 8. Já tive 3 empregos, sempre mudei para melhor, porque sempre achei que o meu trabalho devia ser mais valorizado. Até posso achar que devia ser mais valorizado, mas se não conseguir mudar para melhor, então provavelmente já estou a usufruir o real valor do meu trabalho. Aí so me resta uma coisa, emigrar, para um país onde se valorize mais o meu trabalho. Se esse país não existir, então por muito que eu ache que deva ser mais valorizado, só me resta conformar. São as leis do mercado a actuar e a dar-me o real valor pelo meu trabalho.
 
Boxer,

Encontrar um informático que cumpra os prazos do projecto é o mesmo que encontrar um Audi TDI importado com 80,000Km reais, naqueles stands de estrada. [:D]

E como é atribuída a culpa nesses casos? [:D]
Ao próprio informático? À gestão do projecto? À empresa, cujos departamentos estão habituados a solicitar a informática, mas que nunca implementou uma forma de controlar e contabilziar esses imprevistos? [;)]

Repara: ele pode não acabar o projecto no prazo estipulado, mas pelo meio pode ter evitado que a empresa "parasse" por algumas vezes [;)]
E isso fica registado aonde? Não é contabilizado, não é remunerado, não é apreciado...
 
Trabalhas na área de informática???

É que eu tenho uma questão para resolver, e já dei voltas à cabeça...

Imagina que tens uma equipa de 3 pessoas, para tu avaliares a qualidade do código:
1 - faz tudo que diz respeito a bases de dados (gestão, querys)
2 - faz o interface gráfico, com validações eprocesamento de dados
3 - faz o código que liga a BD ao interface gráfico
(isto assim muito por alto)

Como é que se consegue comparar qualidade de código neste caso?

O melhor código há-de ser, grosso modo, aquele que faz o minimo de acessos à BD (e usando os processos mais rápidos, mas isso também depende da BD, dos índices, das chaves, ...), que deixa o maior número de validações possíveis ao interface e que processa os dados de forma perceptível em blocos lógicos. Também vai depender das tabelas/ficheiros que usa, da forma como os dados se separam (ou como os queremos separados), etc...

Já agora... é linguagem OO ou estruturada?
 
Depois de tanta discussão sobre quem ganha o quê, se é muito, ou pouco, se deveria ser aumentado, se não devia, ... parece-me que falta aqui a discussão sobre o real valor do trabalho!

Pois é, como é que se pode avaliar o trabalho de cada sector de actividade? Há margem de manobra para se sustentarem divergências entre, por exemplo, o custo de produção ou o real valor, a real utilidade, de um copo de água e o de um diamante?...

Como é então? Que critérios?...


eh! eh! Pé Leve, vai ser mais do mesmo!!![:D] [:D] [:D] Sector Publico vs Privado...
para saberes o real valor do trabalho (ou de qualquer coisa!!!) ou o valorizares, tens que saber primeiro o seu real custo, e nem queiras saber o custo do trabalho por hora/pessoa, no sector publico !!![:p] [:p]
 
Trabalhas na área de informática???

É que eu tenho uma questão para resolver, e já dei voltas à cabeça...

Imagina que tens uma equipa de 3 pessoas, para tu avaliares a qualidade do código:
1 - faz tudo que diz respeito a bases de dados (gestão, querys)
2 - faz o interface gráfico, com validações eprocesamento de dados
3 - faz o código que liga a BD ao interface gráfico
(isto assim muito por alto)

Como é que se consegue comparar qualidade de código neste caso?

Não sou gestor de projecto.

Mas penso que há formações para avaliar isso.
 
Esta é uma das questões basilares das socieaddes, tal como aquela outra sobre o valor da vida de cada pessoa: em teoria deveria a vida de toda e qualquer pessoa ter o mesmo valor, mas na realidade até tabelas existem funcionalizando esse valor a cargos exercidos, rendimentos obtidos, idade, etc, etc, numa matriz complexa que coloca nessa mesma matriz de avaliação valores morais, económicos, culturais, sociais, etc...
 
Olha, um dos grandes problemas dos departamentos informáticos por esse mundo fora é, precisamente, a contabilização do trabalho realizado.

Um exemplo muito simples: tens uma equipa de programadores afectos a alguns projectos e, com base no seu vencimento horário (calculado a partir do mensal) e nas horas de trabalho por dia podes, facilmente, distribuí-los pelas horas afectas a um projecto.
No entanto, os "informáticos" são frequentemente interrompidos com outras questões, seja de manutenção de outros desenvolvimentos anteriores, seja para resolução de problemas pontuais remetidos pelos utilizadores, etc...

Com efeito, as horas de um dia não chegam para tudo, as prioridades muitas vezes mudam, e não tens como contabilizar estes "desvios".

Resultado: tens pessoas que, a julgar pelo plano do projecto, andaram na boa vida, mas que na prática andaram a realizar trabalho que não foi imputado a nenhum outro departamento.

Ou seja, a informática realiza trabalho que não é contabilizado na totalidade, com o devido impacto que isso tem nas contas, e o trabalho de algumas pessoas não é devidamente apreciado (ou valorizado) por culpa disso.

Isto não responde à tua questão, apenas lhe confere outros contornos. Mas pode ser que ajude ao debate :)

Passa-se algo de muito semelhante com os departamentos de Manutenção Industrial.

Este tema foi parcialmente contornado usando OT's (Ordens de Trabalho) para cada solicitação que é feito ao Departamento de Manutenção.

Um grande descanso, para o departamento que tem de ocorrer a todo o lado como se de um bombeiro se tratasse. [;)]

Por exemplo, na PT existe um limite temporal atribuído desde que a avaria é comunicada até que é dada como resolvida.

Os técnicos devem concluir segundo os padrões base da empresa a resolução da avaria nesse espaço de tempo, sendo considerado como óptimo esse período. Acima desse tempo, são analisadas as condicionantes que levaram a que a avaria demorasse mais tempo a ser solucionada.
O curioso é que a engrenagem emperra porque a PT deixou de atribuir estas tarefas aos seus próprios funcionários e passou a subcontratar empresas privadas.


A avaliação deveria ser feita de forma justa e tendo em conta as condicionantes e capacidades do individuo que é alocado a um determinado trabalho.
Os metodos devem ser estudados de acordo com todas as condicionantes, o que não podemos é deixar que somente os burocratas e os gestores decidam qual o tempo atribuido para a execução de uma tarefa, e qual a nota a atribuir ao desempenho.

Sempre que deixamos financeiros tratar de questões técnicas, quase por certo que temos asneira ou conflitos.
 
Sim, o Karl Marx é um excelente exemplo.

Este pessoal agarrado [:D]

O pessoal agarrado costuma ser o da banda da exploração do trabalho de outrem... Agarram-se ao dinheiro como a mais nada. A mão deles está calhada para receber muito e dar pouco...

Eu diria mais.

Os "pseudo agarrados" são a razão pela qual o prato da balança não pende actualmente, já e só, para um lado.


Agora chamar "agarrados" ( e outros mimos que por aqui têm surgido ) a todos os que têm uma visão diferente ...

É de uma pobreza de espírito confrangedora

:(
 
Já agora, e como reparei neste preciso momento ...
Pé Leve
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Hoje 14:58:53
A mesquinhez da pontuação atribuída a um tópico voltou não é !!!???

Desde que o assunto não colha simpatia para alguém ou que o mesmo tópico tenha sido criado por um determinado user (alguns), vá de atribuir logo o rótulo de mau.

Não há duvida, neste mundo ninguém está interessado na pluralidade e na isenção.

O que interessa é silenciar e proteger interesses.

[8b] :sh) [:vm)]
 
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