A novidade de chover no inverno
Sou do tempo em que chover no inverno era coisa vulgar.
Hoje, qualquer científico da marmeleira explica que tempestade, “chuva a potes” ou dilúvio em Janeiro, não é mais do que expressão de “alterações climáticas”.
Um pagode para não deduzirem que o problema reside na insuficiência das infraestruturas de armazenamento de águas, escoamento de águas, capazes de responder a fluxos anormais de pluviosidade.
Chegam então as inundações a débito das “alterações climáticas” quando deviam ficar no deve/haver dos políticos governamentais e municipais pela ausencia de investimento neste domínio e no adiamento de obras fundamentais.
Vamos comprar energia a Espanha e França que esses têm barragens em excesso, mas “mais barragens e mini-hídricas, aqui, não ...”
Noutras latitudes, não foram na conversa da natureza trágica ou do clima que muda…
No Tennessee, nos Estados Unidos, o rio que banha o famoso vale, extravasava, ano sim ano não das suas margens, em mais de 1 050 kms de extensão, semeando tragédia e desespero.
E tudo então ficava submerso.
Até que, em 1933, o Presidente Franklin D. Roosevelt aprovou o “Tennessee Valley Authority Act” que criou uma entidade pública para a navegabilidade, o controlo de fluxos, a reflorestaçao, a preparação das margens e a promoção de barragens e fomento industrial e agrícola …
E onde havia um problema, passou a haver uma oportunidade para milhões de pessoas.
Por cá, a agua escorre com fartura no maciço central da Estrela - uma das maiores reservas na Europa - mas falta água de qualidade no território.
Construir barragens?
Isso não, vão continuar as conferências das ong’s do ambiente sentadas à mesa do orçamento e, daqui a um ano, o fado continua: ui o que chove no inverno …
E enquanto a agua segue para o mar, quantas barragens estão previstas para construção até final deste decênio?
E quantas se construiram no decenio passado?
E quando se reduzirão os dez anos necessários para o Estado licenciar uma simples barragem/mini-hídrica ?
Com tanta água doce saltando as margens, como pode cerca de 40% da população de cidades e aldeias de Portugal, ainda hoje beber água, sem absoluta qualidade e não proveniente de barragens?
As obras de regularização de leitos dos rios são menos ou mais importantes que o investimento na descarbonização ?
Passados os ultimos e ainda actuais eventos trágicos, a prática consuetudinária garante que chegados os sóis de Abril, ninguem mais lembrará de lançar o desafio ao sector privado: construam barragens!!!
Afinal, em Portugal, nas Cidades portuguesas, salvo um ou dois casos, quem faz em permanencia esta pergunta?
Que Portugal, que cidades queremos e teremos em 2035/40/50?
Quem governa a pensar nas proximas gerações e não nas proximas eleições?
Covilha, Fev 2026
Carlos Pinto