O que parece ter acontecido nos 44% das baixas por doença é que o secretário de estado, depois de ter chegado à posição por mérito inquestionável, resolveu tirar partido da educação recebida num colégio privado, que lhe valeu uma média adequada para o curso superior que pretendia e ao qual deve ter assistido de forma extremamente exigente, pelo menos umas três vezes, reuniu com uns amigos que são donos de uma empresa de estatística, sugerindo que tinha lá uns 300 mil euros para oferecer em pequenas parcelas a quem conseguisse provar que os portugueses faltam muito ao trabalho.
E nem foi preciso dizer mais nada, é assim, atendendo à posição da lua e do mercúrio retrógrado, considerando que a maré estava alta e o sol nasceu as 06:37, 44% do povo português está de baixa. Relatório com 300 páginas (este número também foi incluído nos cálculos da assiduidade tuga) para a Catarina a grande, conferência de imprensa, letras garrafais na CS "Quase metade da população está de baixa", "44% dos pobres não trabalham" e "Como ficar de baixa durante um ano?".
Só que não. Uns tipos que trabalham no Estado (mas já deviam estar reformados porque quando assinaram contrato era isso que lá estava), foram cruzar a informação e deram conta que não, nunca, jamais e em tempo, algum isso aconteceu.
Agora o problema é recuperar os 300 mil euros, mas disso não se fala e vai ficar tudo bem, afinal o ministério do trabalho já admitiu que os dados estavam errados, porque a ministra mandou admitir, mas só admitir, do resto não se fala.