Atenção que o CDS já foi chamado de partido do táxi (4 deputados). Agora, para isso ser verdade, só se um deles for o condutor. Está ainda assim melhor. hehehe
Havia/há uma grande mistificação sobre a implantação social do CDS.
Relembremos que o CDS esteve à beira da extinção nos anos 90 e só cresceu, por mérito de um politico que é brilhante a vários níveis...mas também no vazio de oposição que o PSD viveu no Guterrismo (uma época parecida à actual onde se despejou dinheiro sobre os problemas tornando qualquer oposição uma tarefa muito difícil).
Cresceu o suficiente para com um PSD fraco, conseguir ser necessário a uma maioria absoluta em 2002, chegando ao poder e crescendo depois mais por via de estar no poder. Estar no poder dá sempre poder (veja-se o percurso do Costa/PS entre 2015 e os dias de hoje). Veja-se o que vai acontecer com o BE (vs PCP) a ter o peso que terá nesta legislatura.
Novamente em 2011 o CDS foi necessário a uma maioria do centro-direita e surfou junto do eleitorado de centro-direita na ideia de que é necessário para "moderar" o PSD.
Um pouco como o BE é agora necessário para moderar o PS e impedir os absolutismos das maiorias absolutas de 1 partido.
Mas, no final do dia, qual é mesmo a implantação do CDS? Ou os valores? Há representatividade real substancial na sociedade portuguesa?
Não há. É o grupinho de sempre de betos órfãos da velha burguesia portuguesa.
O que é preocupante é este novo esvaziamento do CDS acontece ao mesmo tempo que o PSD está tão ao centro mas também ele enfraquecido. Nos tempos do Cavaco também o estava mas forte e reforçado pelo poder. Portanto temos aqui uma coisa nova.
E isso leva a questionar-nos realmente se há espaço para qualquer tipo de direita em Portugal, isto é, direita que tem implantação social para conseguir governar e que não se limita a um subgrupo socialmente irrelevante que vive no mundo das redes.
Muitos aqui estão a achar que a solução para a direita é uma viragem ainda mais à direita (um pouco como se a IL fosse o caminho ideológico tanto para o PSD como para o CDS), mas se há coisa que se provou nos últimos anos de bonança quando a conjuntura é boa é que o país é, continua a ser, profundamente "social-democrata" e não vê qualquer prosperidade em qualquer tipo de liberalismo...
Por último, continua a confundir-se a abertura a algum discurso mais liberal no PSD num contexto de assistência da Troika e em que o Passos Coelho governou (quer quisesse quer não quisesse) com, de facto, haver uma realidade social em Portugal que seja socialmente relevante para apoiar um projecto político desses.
Mas isto sou eu a pensar com os meus botões, porque não vejo esse Passos Coelho que vocês tanto idolatram e que mais parece a caricatura que a Esquerda faz, convenientemente, dele. Um bicho papão "neoliberal". Olhando para a sua governação, não sei onde vocês encontram o homem. Que foi um moderado e muito pouco liberal, contrariamente a tua "reescritura" de História que muitos tentam fazer.