EUA: Onda de choque chega a Portugal
FMI mais pessimista face à economia nacional. EUA aprovaram plano para sanear o sistema financeiro
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ALEXANDRA FIGUEIRA
No mesmo dia em que a Câmara de Representantes do Congresso norte-americano aprovou o plano de ajuda ao seu sistema financeiro, o FMI veio dizer que, em Portugal, 2009 será ainda pior para a economia do que este ano.
A previsão de crescimento da economia feita pelo Fundo Monetário Internacional é a mais pessimista até à data, mas já inclui o novo cenário traçado pela crise financeira. Em vez dos 1,7% de crescimento do PIB previstos por Bruxelas ou dos 1,5% estimados pelo Governo, o FMI acredita que Portugal irá crescer apenas 0,7%, este ano. Em 2009, a riqueza produzida não deverá passar dos 0,6%.
As previsões, justificou à Lusa o ministro das Finanças, "são baseadas na forte deterioração das condições da economia mundial". Teixeira dos Santos admite, até, voltar a rever a estimativa do Governo para o crescimento da economia "no momento próprio".
O relatório do FMI reconhece que os perigos colocados à economia decorrem do "abrandamento no crescimento do crédito, causado pela turbulência financeira internacional". Além disso, menciona a valorização do euro, que prejudica as exportações, e o preço das matérias-primas.
Quanto ao sistema financeiro, o Fundo entende que é "sólido e bem supervisionado", apesar de "terem surgido vulnerabilidades" no passado recente. Por isso, abre espaço a mais controlo da liquidez dos bancos e do sistema de garantia dos depósitos, em que Portugal assegura até 25 mil euros. Ainda, elogia medidas como a simplificação da Administração Pública, o Simplex, e a revisão em curso da Lei do Trabalho.
As estimativas do FMI foram reveladas no mesmo dia em que a Câmara de Representantes do Congresso norte-americano votou, pela larga maioria de 263 votos contra 171, a favor da versão revista do Plano Paulson, que procurará sanear o sistema financeiro dos Estados Unidos. Pouco tempo depois, a maior intervenção de um Governo na economia dos EUA desde a Grande Depressão, no valor de 700 mil milhões de dólares, foi assinada em lei pelo presidente George Bush. A Bolsa reflectia o optimismo da aprovação, ao seguir com ganhos.
Ainda antes da aprovação, o Presidente da República Cavaco Silva apelava a uma votação positiva, considerando que a crise resulta de um "falhanço de grande dimensão na regulação e na supervisão dos mercados financeiros norte-americanos".
Hoje será a vez de a Europa se sentar à mesa para discutir a crise. França, Alemanha, Itália e Reino Unido encontram-se em Paris com o presidente da Comissão (Durão Barroso), do Eurogrupo, (Jean-Claude Juncker) e do Banco Central Europeu (Jean-Claude Trichet). Um dos temas será a criação de um fundo europeu.
http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Economia/Interior.aspx?content_id=1022020