@jomaso
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Covid-19: Depois do Pacote da Mobilidade a pandemia aperta os gananciosos que do nada apareceram com frotas de milhares de camiões
Empresas com sede no Leste estão a desmembrar-se e já há milhares de motoristas no desemprego e camiões a serem entregues às financeiras
Com o fecho na Europa de dezenas de unidades industriais da cadeia estruturada de produção automóvel, o sector do TRM está a ser seriamente afectado. Dias muito sombrios ameaçam o horizonte.
As grandes multinacionais nascidas e sediadas no Leste, quase exclusivamente para contornarem as regras sociais e da concorrência, face à empresas do Centro, Norte e Sul da Europa, estão a suspender parcialmente e até totalmente as suas actividades.
As primeiras grande vítimas estão a ser os trabalhadores, nomeadamente os oriundos de países latino-americanos, que foram atraídos para o sonho europeu e agora estão sós e abandonados na "terra de ninguém".
A par da mão-de-obra escrava (como temos caracterizado os trabalhadores a quem são dadas as condições mínimas de sobrevivência), as próximas vítimas serão as empresas do TRM, que sempre trabalharam legalmente.
Numa busca natural de meios de sobrevivência essas empresas, as que ainda existirem aquando da retoma económica, vão entrar desesperadamente nos negócios com preços ainda mais esmagados. A consequência directa vão ser as baixas das cotações dos fretes.
Passo contínuo, entraremos numa selvática guerra de preços, que vai dizimar muitas empresas e fazer novas vítimas.
Como entre "mortos e feridos" alguém vai escapar, como sempre nestas circunstâncias, também vão aparecer bons negócios. Mas não serão nos fretes, mas nos camiões usados.
Perante os riscos de solvabilidade muitas empresas vão entrar em incumprimento dos créditos. A sequência deste filme de terror, obrigará à perda de património e à devolução de milhares e milhares de camiões às financeiras.
No passo seguinte entram em acção as execuções judiciais por incumprimento de liquidação de créditos, e de imediato vão surgir no mercado europeu milhares de camiões usados.
Por hoje ficamos por aqui, mas não abdicamos de um destes dias voltar aqui a escrever sobre quem são os culpados do que possa vir a acontecer aos trabalhadores e empresários, que vão serão as grandes vítimas da cegueira das financeiras que colocaram rios de milhões de euros em créditos nessas empresas.
Empresas? Não! organizações económicas com pés de barro, associados a "leitarias" do dinheiro barato.
Por detrás do florescimento se regras, como cogumelos, das empresas do TRM com sede no Leste, há muito boa gente que teve um torcicolo no pescoço e não olhou para os perigos, porque forem cúmplices com a ganância e coniventes com a cegueira de quem do nada, de um dia para o outro, passou a ter frotas com milhares de camiões.
Enquanto a "coisa" deu, muitos foram os que viveram à volta da teta. E agora terão coragem de assumir a responsabilidade pelos males que estão a fazer às empresas do TRM, que sempre se empenharam para dignificar os direitos dos trabalhadores e praticar uma concorrência sã?
Opinião LB
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