Desculpa nthor, mas tu não sabes então o que é um regime laboral flexível.
Larga lá esses chavões e esses preconceitos de que num regime laboral mais flexível não existe licença de maternidade ou que este se caracteriza por ter uma licença de maternidade de menor duração.
Isso não passa de andar a fazer confusões...intencionais e que não abonam em nada para a discussão. Só metem lama.
O Estado encarrega-se de encontrar trabalho para quem está no desemprego?
Mas em que mundo tu vives? As pessoas é que têm de procurar trabalho, ora. Que raio de paternalismo bacoco. Que visão mais negativista do ser humano.
Até parece que um dinamarquês está à espera que o Estado lhe arranje emprego.
Ai que ideias mais velhas. Que...atrasadez mórbida!
Já que vi tu acreditas naquilo que queres acreditar e pronto, mesmo que isso esteja completamente em colisão com a realidade.
Agora isto, como tudo, funciona por lógica.
Num regime pouco flexível como o nosso, entrar para o quadro de uma empresa é como um casamento sem possibilidade de divórcio. A não ser que um dos conjugues morra (empresa ir à falência e/ou despedimento colectivo ou trabalhador bater as botas), o trabalhador não pode sair do quadro.
E isso leva a que as empresas evitem pôr as pessoas no quadro.
E por isso é que tens a explosão de contratos a prazo ad eternum, recibos verdes e todas outras formas de...precaridade que no fundo surgem face à inevitabilidade da dinâmica de uma economia de mercado que, para ser competitiva, não consegue trabalhar segundo os padrões quer socialistas quer fascistas, ou seja, padrões paternalistas típicos de mercados fechados sem concorrência onde o trabalho era para toda a vida e um trabalhador permanecia no mesmo emprego para sempre.
É por isso que países com regimes pouco flexíveis têm maior precaridade, por isso é que a precaridade é maior em Portugal, França, etc, quando comparados com a Inglaterra, etc.
Isto são FACTOS. Tu podes continuar com o teu discurso a afirmar exactamente o contrário. Contudo, o mundo real não muda por isso. Temos pena.
E depois há outra questão.
O mundo de hoje é um mundo onde empresas nascem e morrem todos os dias. Podes não gostar disto mas é o mundo que tens, quer nas economias de mercado pouco liberais quer nas mais liberais.
Porque este sistema é o que produz maior riqueza, temos pena que não gostes (e já vimos que não gostas, não vale a pena dizeres o contrário...), mas a economia de mercado produz maior riqueza PARA TODOS, do que qualquer outro tipo de organização económica. Isto é algo irrefutável, temos penas, mas é.
Daí que a planificação económica quer do fascismo quer do socialismo não consegue existir nem pode existir.
E isto dos regimes laborais, a sua flexibilidade ou inflexibilidade, leva depois a outras múltiplas consequências.
Num mundo onde se quer que as pessoas sejam empreendedoras, as empresas nascem e não se podem dar ao luxo, e estou a falar de PMEs, de logo de início fazerem casamentos com os empregados para toda a vida.
É impossível.
Eu sei que isto é algo que tu odeias, porque não compreendes. E não compreendes porque vives no mundo do Estado e da burocracia e da falta de concorrência e pressão selectiva, que nada tem a ver com a realidade lá de fora.
A concorrência sobre uma qualquer empresa num mundo globalizado e aberto é tremenda.
Muitas empresas que abrem, muito "empreendedor" vai...falhar. É o jogo.
É a vida. Acima de tudo é NORMAL! As coisas não dão sempre certo.
Daí que regras laborais ultrarígidas em nada promovem...o emprego.
Daí que tu, neste momento, no mundo ocidental, tens 2 realidades cada vez mais nítidas.
1. Países (regra geral protestantes) que se abriram à concorrência, que flexibilizaram o seu mercado laboral, que aceitaram o jogo da livre concorrência e que perceberam que os padrões sociais e laborais dos anos 60 não são sustentáveis e que a globalização é uma oportunidade e não uma desgraça. Esses prosperam. Ex: nórdicos, anglo-saxónicos (UK, Irlanda, USA), Holanda, etc.
2. Países que se ancoraram a um proteccionismo económico, laboral e social e que afundam...replectos de direitos e replectos de...desemprego. Ex: França, Portugal...
E por isso é que chegamos a aberrações para as teorias da esquerda (e também da direita conservadora) e que sempre defenderam o modelo francês (ou fascismo) e hoje olhamos para a França e vemos um país com uma taxa de desemprego de 10%, entre os jovens de 30%, cheio de problemas sociais porque a economia anda estagnada há anos e o desemprego permance alto. Muitos direitos para os que já têm emprego e precaridade para as gerações futuras.
E depois olhamos para o outro lado da mancha, certamente o terror do liberalismo na tua opinião, e vemos uma economia a crescer, um desemprego de...5%, e cereja em cima do bolo...MAIOR EQUIDADE SOCIAL, por uma simples razão... maior prosperidade económica que afecta positivamente...todos.
E este ponto eu sei que é algo terrível para muita gente que continua a cometer o erro do Marx que é não perceber que o capitalismo própero cria...classe média.
E toda esta situação é um fenómeno muito curioso.
O tal "modelo social europeu", que tem o expoente máximo em França, sempre atirou aos ingleses que conseguia proporcionar maior equidade social e que era "mais justo".
VEJA-SE A REALIADADE. OLHE-SE PARA A REALIDADE, PARA OS RESULTADOS.
Isso aconteceu?? Resposta: Não.
Sabes, as coisas e os sistemas não se avaliam pelo que dizem fazer...avaliam-se pela prática e os resultados. Daí que o comunismo não pode ser avaliado pela sua cartilha teórica, mas antes pelos seus resultados práticos. E o mesmo em relação ao fascismo. E o mesmo em relação às democracias e à economia de mercado e a todos os sistemas político-economico-sociais.
E a prática demonstra que os regimes, mais favoráveis a uma protecção ao trabalhador por via de uma imobilidade laboral, são piores para o trabalhador. Isto é um facto. Temos pena mas é um facto.
E com isto os países têm que tomar uma opção.
Continuar a afundar-se na ilusão de uns supostos direitos que supostamente são favoráveis aos mais fracos ou mudar de vida e adaptar-se ao mundo que existe e perceber que a protecção ao trabalhador hoje em dia não se faz por essa cartilha velha.
Um trabalhador não é protegido pelo fecho dos mercados ou pela não concorrência ou por uma rigidez laboral. O fecho dos mercados, a não concorrência, apenas o enterra a médio e longo prazo.
Hoje em dia, a nível colectivo, um trabalhador é protegido se tiver um sindicato que defenda um modelo de co-gestão, que não tenha interesses políticos por trás (no fundo que não seja um prolongamento de um qualquer partido), que saiba negociar, impôr-se e também ceder! por vezes e principalmente se parar de se organizar e trabalhar na lógica do séc. XIX dos "bons e maus", "trabalhadores e patrões", "explorados e exploradores".
As relações laborais evoluiram imenso. O mundo de hoje nada tem a ver com isso. Cada vez mais não existe (e falo principalmente das PMEs) uma relação trabalhador-patrão mas antes de COLABORADOR.
E mesmo nas grandes empresas.
Não é guerriando uns com os outros que os problemas se resolvem.
Isto não é uma guerra.
É percebendo que há que ceder de parte a parte e que há entender, de umas vez por todas que prejudicar o "patrão" prejudica o "trabalhador" e prejudicar o "trabalhador" prejudica o "patrão".
E por isso é que sindicatos que realmente defendem os seus trabalhadores são os primeiros, no mundo anglo-saxónico e nórdico, a quererem...avaliação e a quererem construir formas das empresas serem competitivas.
A nível individual um trabalhador protege-se, querendo maior formação acima de tudo e parando de olhar para as "lutas laborais" com o único propósito de um "aumento" de curto prazo.
Eu tenho muita pena quando vejo um tipo, quer a defender os diversos socialismos quer os diversos fascismos.
E não és incoerente, deixa lá. Os regimes estão extremamentes próximos, ao contrário do que o senso comum pensa. Assustadoramente iguais.
Dá pena. E dá pena porque vives numa ilusão e estás completamente out em relação ao mundo. Acreditas ainda em coisas que mais que foram demonstradas terem falhado.
E depois fazes, desculpa dizer-te, figuras rídículas de análise dos países nórdicos.
Tal como a esquerda socialista faz.
Países que nunca mas nunca seguiram a cartilha socialista, mas antes a social-democrata e que com a crise que tiveram nos anos 80, começaram a trilhar um caminho liberal. E que hoje são dos países mais liberais da Europa, quer social quer economicamente.
E a flexigurança é no fundo a transição do sistema social-democrata nórdico, para o esquema organizacional e laboral das democracias liberais do tipo anglo-saxónico.
E depois acontecem coisas muito estranhas quando olhamos para o mundo e olhamos para o teu discurso de muitos outros.
Dou um exemplo concreto: a directiva bolkestein, o horror do neo-liberalismo, e que foi defendida por quem?
UK, Irlanda, Holanda e...nórdicos!
Sim nórdicos!
Daí que temos, em termos de política económica europeia, cada vez mais um eixo que evita ao máximo a abertura dos mercados europeus à China, Índia, por exemplo, onde estão países como Portugal, França, Itália...
E países que querem exactamente o oposto, uma abertura de mercados e onde estão inevitavelmente os nórdicos, UK, Irlanda, Holanda, etc.
E onde está o Leste!
Isto são padrões de comportamento político e económico que se notam já há muito e que definem, indiscutivelmente, os 2 tipos de sistemas laborais, económicos e até sociais que coexistem na Europa. Duas visões e principalmente duas atitudes para com a globalização. Os que se adaptam e os que têm medo.
Continuar a querer ignorar isto é...bem...é aquilo que é.
O mundo não pára.