Bem... Com a análise da telemetria disponível, começam a surgir explicações muito mais credíveis para o que aconteceu ao Russell do que as teorias dos Calimeros que acham que a Mercedes está a sabotar o seu piloto mais experiente (como se o Antonelli não tivesse até mais pontos perdidos por problemas mecânicos).
Olhando para os motores Mercedes, na secção Eau Rouge/Raidillon há uma coisa que é evidente: os McLaren tiveram uma entrega de potência muito mais eficaz do que os Mercedes. Mas, dentro da MB, fica por explicar por que razão o Russell esteve tanto pior do que o Antonelli.
Olhando para os dados, os McLaren, que são os carros da grelha com os rácios de caixa mais curtos de todo o pelotão, usaram a 7ª mudança, bem perto das 12 000 RPM. O Antonelli chegou a usar a 6ª, embora tenha feito a maior parte da secção também em 7ª, a cerca de 11 000 RPM. Todos com os motores bem acima das 10 500 RPM, zona a partir da qual os regulamentos permitem o débito máximo de combustível. Já o Russell fez essa secção toda em 8ª, com o ICE a cerca de 10 170 RPM, muito abaixo da referida zona e, como tal, longe de produzir a sua potência máxima.
Essa falta de potência do ICE é que provavelmente causou uma divergência entre o que o Russell gostaria que acontecesse e o que estava mapeado no sistema de ERS. Provavelmente, para cargas intermédias do ICE, a Mercedes tem um limite mais baixo do que os 350 kW máximos do motor elétrico, já que não devem querer gastar logo tudo no início da aceleração. O facto de o Russell sair da curva com tão pouca rotação e sem a aceleração teórica esperada pelo software levou, provavelmente, a que o sistema de ERS/MGU-K entrasse em clipping prematuro, o que explica a velocidade ter ficado "presa" nos 308 km/h. Só depois de apanhar o slipstream do Leclerc é que o Russell voltou a sair dessa zona "morta": com as rotações a subirem claramente acima das 10 500 RPM, voltou a ter a entrega total também da parte elétrica, daí ter acontecido um pico de aceleração já no final da reta.
A explicação pode ou não ser exatamente esta, não creio que a Mercedes vá explicar publicamente o que aconteceu para não dar dados aos adversários, mas é muito mais credível do que as teorias da conspiração que por aí circulam e mostra bem a complexidade estúpida destes motores.
Bem-vindos às regras de 2026 para os motores...