Vocês vão desculpar, mas estão a passar completamente ao lado da realidade do problema, ludibriados pelos ataques deste governo e de certos lobbys privados, interessados em destruir estruturas sociais importantíssimas para seu próprio proveito.
1 - Ora digam-me lá: já algum de vocês chegou um dia ao balcão de um organismo do Estado e conseguiu sair de lá com o documento ou o que quer que ia buscar? Ou foram só "entregar um papel para pedir um papel"?
2 - Ora digam-me lá: já algum de vocês teve que recorrer a instâncias superiores na FP para ser atendido com competência e eficiência, obtendo uma resposta ou acção justa e atempada? Ou foram simplesmente enviados para outro serviço e dpois para outro e outro ainda, de cada vez com uma resposta diferente (quando dada)?
3 - Ora digam-me lá: já algum de vocês foi atendido atempadamente num serviço público? Ou costumam estar tempos infinitos à espera, tendo, às vezes, que voltar no dia seguinte e perdendo mais um dia de trabalho?
1 - O que nos querem fazer crer é que o sistema pode funcionar com (muito) menos gente, quando isso é absolutamente impossível. Quando se fala do "monstro" que a FP representa o erário público, esquecem-se de dizer que ele existe por ordem de alguém que não os funcionários públicos. Quem criou toda esta burocracia, este vai-e-vem de papelada inútil e gastadora de tanto tempo e energias foram os senhores políticos que agora se apressam a chamar calões e imprestáveis a quem se consome atrás de um balcão. Há uma dispersão monumental de esforços para alimentar tanta burocracia, e enquanto o sistema não mudar, enquanto não forem feitas reformas estruturais na forma como a FP funciona, reduzir funcionários resultará apenas em pôr tudo a funcionar cada vez pior ou deixar DE TODO de funcionar.
2 - Já se esqueceram que quando é preciso admitir três directores para serviços, abrem vagas para seis? Pois é: entram três para trabalhar e mais três porque são "da família". Esta é a verdadeira face da corrupção em Portugal, e onde verdadeiramente se desperdiça mais dinheiro - com a agravante de, quando a coisa dá para o torto (lembram-se do fabuloso concurso de professores, só para dar um exemplo?), entra tudo em "cover-my-ass mode" e nunca ninguém tem culpa de nada. É aqui que está o verdadeiro sugadouro dos nossos impostos, e também a verdadeira raiz da ineficácia da FP: más decisões por parte de quem não sabe o que faz, que não quer fazer e nem devia fazer!
3 - Entre despedir um chefão metido à força da cunha e que nada faz e despedir um que trabalha, o que acham que vai acontecer? Entre reduzir sub-Secretários de Estado, motoristas, membros de Gabinetes ministeriais, Governos Civis e quejandos e um terço dos que estão ao balcão a atender o público, quem acham que vai ser despedido?
Ah, é verdade, já me esquecia: dizer despedido é politicamente incorrecto - vão ser "recolocados", ou lá o que é, significando isto que aos de Faro lhes será proposto irem para Chaves ou para a rua, e aos de Chaves irem para Faro ou rua.
Metam na cabeça de uma vez por todas que temos a classe política mais incompetente e mais virada para si própria de toda a Europa. As más decisões vão-se acumulando, as pessoas vão dispersando as suas energias e tempo, vão sendo atiradas umas contra as outras das maneiras artificiosas a que temos assistido, os jornais continuarão a exibir notícias encomendadas pelos gabinetes governamentais de cada vez que for necessário atacar um outro sector, mas a verdade é que o país continuará a afundar, e nós com ele, enquanto não percebermos quem são os verdadeiros culpados.
Segundo creio, estaremos ainda a uns bons 15 anos de isto dar a volta.