Aqui vai um caso veridico que aconteceu com uma paciente e um Medico Psiquitra* da cidade do Porto:
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A paciente era uma jovem, hoje uma senhora, mãe, contou uma das muitas passagens da sua vida, quando já tinha "percepções anomalas".
Eis a entrevista em directo:
Maria - (...) Passados dois dias, durante os quais não me consegui levantar, ao terceiro dia, fui lá com uma certa ansiedade de falar com o sr. dr. porque eu queria ainda ir ao salão de cabeleireira atender duas clientes (eram clientes muito boas e aquelas eu precisava delas, gratificavam-me melhor).
O médico tinha sempre muitos clientes. Eu cheguei ao consultório e perguntei à empregada se o sr. dr. iria demorar muito a atender-me, quando chegaria a minha vez (eu vi o consultório cheio de gente à espera). E a menina diz-me que só tem uma pessoa. Quando olhei, verifiquei que havia várias. A minha preocupação era o meu emprego. (...)
A senhora levantou-se e diz-me: Eu dou-lhe a vez.
Esta era a verdadeira entre as outras todas.
Entrevistador - Não notava nenhuma semelhança entre as pessoas que viu à espera da consulta e a que lhe deu a vez?
Maria - Não; era tudo igual. Aos meus olhos era tudo igual.
Pensei então que não ia demorar-me muito. Saiu uma senhora da consulta e entro eu. Comecei a conversar com o sr. dr. e tal, e coloquei-lhe logo a situação:
- Sr. doutor, então não é que eu continuo louca! Fiz os tratamentos e verifico... eu cheguei, perguntei, dizem-me que a sala só tem uma pessoa à espera e eu vejo em redor várias pessoas que estão para ser atendidas.
O médico levanta-se, abre a porta, olha e diz:
- Só está uma.
- Então é o que eu digo: continuo louca!
Lembro-me que fiquei profundamente triste, e até sem vontade de ir ao salão atender as tais clientes.
Estava assim bastante em baixo de forma, o médico estava a começar a preparar os papéis e vi, de repente, entrar do lado da porta um senhor de cabelos brancos, com um ar muito fino, muito distinto, e eu, ao olhar para ele, achei-o tão parecido com o médico que olhei para um e para o outro. E disse para comigo: São tão parecidos! Têm traços tão semelhantes entre si...
Olhava para o idoso, que sorria, calmamente, e eu disse ao médico:
- Sr. Doutor, fui louca lá fora e estou a ser agora louca cá dentro... porque vai a entrar agora um senhor de cabelos brancos com uma postura muito fina, e é muito parecido com o senhor doutor.
E ele parou:
Com uns cabelos grisalhos, aquele grisalho muito bem tratado, um homem muito bonito. E o médico perguntou:
- Como está vestido?
- Fato cinzento com risca branca.
E ele entretanto faz assim (gesto) e vejo o colete e digo:
- Tem uma risca maior, não corresponde com a risca de fora (as riscas são iguais, mas mais longas, não são iguais).
E ele foi empalidecendo.
- Traz também uma gravata do casamento (fez questão de o afirmar). É de cetim, penso, uma gravata brilhante, muito bonita.
- Consegue ver-lhe as mãos?
- Não, não consigo. Vejo só o tronco até ao começo da calça, mas não vejo mais nada.
E ele diz:
- Não consegue ver as mãos?
- Não, assim não consigo.
E o senhor entretanto - que estava a escutar, com certeza - põe uma mão pousada sobre o outro braço (a entrevistada faz o gesto) como se estivesse assim com os braços dobrados.
- Tem alguma coisa nas mãos?
- Sim, não tem os dois dedos pequenos de uma das mãos.
- Mas não tem mesmo?, frisou ele.
- Não, não tem. E tem um bocadinho mais cortado na mão.
- Mas verifique bem, por favor, não tem?
- Não, e acho que foi num acidente, tinha os dedos mas agora não tem.
E ele ficou muito constrangido.
- Então senhor doutor, eu estou mesmo maluca!
- Não, não está. Não tenho resposta para isso, mas efectivamente louca não está. Porque essa pessoa é o meu pai, que faleceu há pouco tempo e teve um acidente um tempo antes do falecimento dele.
Eu fiquei assim: então que é que se passa? Então o que é isto? Que resposta é esta? Eu queria dados. Diz ele:
- Não sei. Mas vir cá não precisa de vir mais. Vai tomar os calmantes para ficar mais calma, não entrar tão facilmente em conflitos.
Fiquei com essa medicamentação e nunca mais fui ao senhor doutor, ele disse que não era de lá.
Teria 23 a 24 anos. Aos 27 nasceu a minha filha. Hoje desapareceram as sensações. Passados dois anos vai pela primeira vez a um centro espírita idóneo no Porto.