Obras no IC19 até Junho de 2008
Em Junho de 2008 já todo o IC19, entre a Buraca (Lisboa) e Ranholas (Sintra), terá sido alargado de duas para três vias de rodagem em cada sentido.
Essa realidade, porém, ainda não será suficiente para acabar com o martírio que milhares de pessoas enfrentam todos os dias nas deslocações casa-trabalho entre os dois concelhos. Isto porque continuam a faltar bons acessos de ligação ao IC19, vias circulares para retirar o trânsito de passagem do centro do Cacém e uma rede de transportes públicos em condições.
"Por mais obras que se façam, os problemas de mobilidade na área de Sintra nunca se hão-de resolver se não forem tomadas várias medidas que, de forma concertada, ajudem a aliviar a situação", diz ao DN a representante da Comissão de Utentes do IC19, Adelina Machado.
Segundo explica, "mesmo depois de terminarem estas obras de alargamento do IC19, continuam a faltar estradas em condições para se chegar até ele. É que muita gente mora longe do IC19 ou da linha férrea. Falta construir a Circular Nascente e a Circular Poente no Cacém para as pessoas terem acesso ao IC19".
"Ainda antes de começarem as obras de alargamento do IC19, tínhamos proposto que fosse adoptada uma política concertada para minimizar os efeitos dos desvios e condicionamentos de trânsito, que implicava aumentar a frequência dos transportes públicos que servem a zona", lembra Adelina Machado, concluindo que "nada disto foi feito".
"Estamos fartos e cansados de promessas. Nos ministérios e noutras entidades, ouvem as nossas propostas, concordam e vão dizendo que sim a tudo, mas depois não fazem nada e fica tudo na mesma ou até vai piorando", queixa-se.
"Nem se pode bloquear a estrada"
E até ironiza: "Nem podemos fazer bloqueios de protesto no IC19, porque a estrada já está sempre bloqueada".
Denuncia que "os transportes públicos da zona não funcionam bem, porque pertencem a diferentes empresas de camionagem e os bilhetes não podem ser utilizados nos vários autocarros".
"As pessoas perdem horas em transportes, porque os horários estão desfasados uns dos outros. Apanha-se uma camioneta e fica-se que tempos à espera do autocarro de ligação. Eles não conseguem cumprir os horários, porque, como não há corredores BUS, ficam engarrafados no trânsito. Por isso mesmo, as pessoas acabam por preferir andar de carro", conclui esta representante dos utentes.
Adelina Machado prevê que para a zona do corredor Sintra-Lisboa ainda vão viver mais pessoas, que acabarão por congestionar ainda mais os acessos viários. Segundo refere, "como a habitação está muito cara em Lisboa, as pessoas têm de ir morar para os arredores, onde aumentam as urbanizações, mas não são criadas acessibilidades". E exemplifica: "Ao pé do Hospital Amadora-Sintra está a ser construída uma grande urbanização, mas não estão a preparar acessos viários nem meios de transporte público para servir as pessoas que para ali forem viver".
Retirar trânsito do centro do Cacém
Também o presidente da Junta de Freguesia de Agualva, no concelho de Sintra, considera que o alargamento do IC19 "é importante, mas só por si não resolve o problema. O IC19 é único acesso a Lisboa. Como toda a gente tem de ir para o IC19, ficam congestionadas as vias de acesso".
Rui Castelhano afirma ao DN que "falta construir a Circular Nascente e a Circular Poente no Cacém. A Circular Nascente parte de S. Marcos e vai ter à zona sul da cidade do Cacém, em Colaride. A Circular Poente parte também de S. Marcos e terá ligação ao futuro IC16, na zona norte do Cacém, na área de Mira-Sintra".
As duas circulares "deverão funcionar como um anel de vias rápidas à volta do Cacém, retirando grande parte do trânsito do centro da cidade", diz o autarca, salientando que "actualmente não há outra forma de circulação, a não ser pelo centro do Cacém. Está tudo tão congestionado que se chega a demorar meia hora para percorrer um ou dois quilómetros".
Recorda que, "no final de 2005, a Câmara de Sintra adjudicou a elaboração do projecto para a Circular Nascente, que ficará pronto no fim do ano e custa 750 mil euros. Mas ainda está tudo só no papel. No terreno ainda não há obras nem se sabe quanto custarão. Relativamente à Circular Poente ainda não há nada". Na sua opinião, "também não fazia sentido começar já a construir as duas circulares, sem antes estarem definidas as localizações dos nós de ligação do IC16". "A câmara prevê que a construção das duas circulares custe 80 milhões de euros, valor a pagar pela autarquia e pelas Estradas de Portugal", adianta o presidente da junta de freguesia.
Relativamente à situação das obras de alargamento do IC19 para três vias de rodagem em cada sentido, fonte da empresa pública Estradas de Portugal informou o DN de que essa "empreitada teve início no nó de Alfragide, em Setembro de 2000".
O alargamento entre os nós de Queluz e do Cacém foi ontem oficialmente aberto ao trânsito e teve um custo de 13,5 milhões de euros. A mesma fonte prevê "para Janeiro de 2007 o início do alargamento entre Cacém e Ranholas, com um investimento de 18,5 milhões de euros e um prazo de execução de 18 meses", devendo terminar até Junho de 2008.
O IC19 começou a ser construído em 1985, entre a Buraca e Queluz. Seguiram-se o troço Queluz-Rio de Mouro e a extensão até Ranholas, concluída em 1995.
Fonte da empresa pública adianta que "actualmente o tráfego máximo diário regista-se no nó da Buraca e está estimado em 120 mil veículos por dia".
In DN Hoje