Existem cerca de 6000 linguas e dialectos no mundo e cerca de 3000 estão em risco de desaparecer.
A UNESCO estima que até ao ano 2050 desaparecerão cerca de 90%.
A proporção desta tendência deve-se ao facto de 96% de todas as línguas serem faladas apenas por 3% da população mundial, ou seja, são as línguas das pequenas comunidades que estão mais ameaçadas.
Com um total de 196, a Índia encabeça a lista de países com maior número de línguas ameaçadas. É seguida pelos EUA com 192 e pela Indonésia com 147.
Algumas destas línguas são faladas por apenas meia dúzia de pessoas. Pode ver-se o atlas das línguas em risco
aqui.
A biodiversidade das espécies está para a vida na Terra como esta diversidade das linguas está para a cultura humana e por isso é de facto imperioso proteger estas línguas étnicas.
Segundo George Steiner, uma língua que desaparece é um mundo que se acaba.
De acordo com a UNESCO para travar esta tendência é necessário recorrer à educação, aos media, à criação de museus assim como à recriação teatral de costumes.
A maior ameaça actual é a simplificação de exigida pela internet, mas no passado a rádio e a televisão já fizeram bastantes estragos.
No território nacional a lingua mais falada é inquestinavelmente o português, tendo no entanto o mirandês também o estatuto maior de língua e não de dialecto, como aconteceu no passado.
Apesar disso, existem em algumas regiões do país calões próprios, como é o caso de Mira de Aire e Minde.
No último
Região de Leiria, o calão mirense mereceu destaque.
Segundo Carlos Alberto "actualmente não ultrapassarão a dúzia o número de pessoas que dominam o calão mirense, código linguístico com três séculos nascido em Mira de Aire e que corre o risco de desaparecer para sempre."
O que deve ser feito para preservar esta forma de cultura própria e única do nosso concelho?
(Bio)diversidade cultural em risco - Vila Forte