Terrorismo 2008-08-13 00:05
Último relatório da Europol diz que em 2007 terroristas islâmicos roubaram carros de alta cilindrada no sul de Portugal e levaram-nos para o norte de África para financiar acções terroristas.
Susana Represas
Grupos terroristas islâmicos estão a roubar carros no sul de Portugal para financiar redes marroquinas. O alerta é dado no último relatório da Europol sobre terrorismo, divulgado em Maio deste ano.
De acordo com o documento o fenómeno foi detectado durante investigações a redes terroristas marroquinas que actuam no sul de Portugal e de Espanha. A Europol, que se baseia sobretudo em relatos que os estados-membro fazem sobre fenómenos terroristas, revela que “a rede está envolvida no roubo de carros de alta cilindrada no sul dos dois países que, depois, são enviados para regiões do norte de África, onde são vendidos de forma a financiarem grupos terroristas islâmicos locais”, diz o documento.
Os dados oficiais da Polícia Judiciária confirmam que o roubo de carros tem vindo a crescer nos últimos anos. Desde 2003 triplicou o número de carros roubados com recurso a violência (ver gráfico), um método mais conhecido por ‘carjacking’, em que os condutores são surpreendidos dentro do carro e ameaçados com armas de fogo. Apesar de confirmar o aumento de roubos, a Polícia Judiciária não consegue saber quantos destes carros são enviados para o estrangeiro e quantos são modificados e vendidos em Portugal.
Mas sabe-se que os Audis A3 e A4 estão no topo da lista de carros mais roubados, seguindo-se a marca BMW.
Mas segundo o relatório da policia europeia a utilização de Portugal como base de apoio logístico de redes terroristas não se restringe ao roubo de automóveis. O relatório da Europol refere que em 2007, a ETA alugou carros, também no sul do país, posteriormente utilizados em ataques em Espanha. Um facto que foi confirmado publicamente pelas autoridades portuguesas em Agosto do ano passado, quando membros da ETA alugaram um carro no Algarve, que depois explodiu junto ao posto da Guardia Civil de Durango, em Biscaia.
No capítulo dos detidos por envolvimento em organizações terroristas, o relatório da Europol, refere 32 presos em Portugal, no ano passado. Um dos casos, foi o do argelino Samir Boussa, detido no Porto, em Novembro de 2007, por suspeita de envolvimento em terrorismo. O argelino era barbeiro num bairro popular da baixa portuense e a detenção ocorreu por suspeitas de que este argelino participava na área logística de suporte à actuação da Al- Qaeda.
Os restantes 31 detidos que surgem no documento são membros do grupo de skinheads, ‘hammerskin’ que formam presos por posse de armas ilegais e pela prática de vários actos de actos de discriminação racial. Além deste caso, a Europol também condena os actos de vandalismo a um cemitério judeu em Lisboa.