Já não vinha a este tópico há um mês e venho actualizar as minhas últimas leituras, num mês particularmente prolífero nesse aspecto:
Terminei finalmente
"Crónica do Pássaro de Corda" de
Haruki Murakami, calhamaço enorme que me deixou completamente fascinado a partir do segundo terço e que é um dos melhores livros que li até hoje. Murakami e génio são duas palavras que se confundem, não me canso de o dizer. As metáforas dele são lindas, fazem-nos pensar muito, as personagens apesar de por vezes surreais podiam ser qualquer um de nós. Murakami não é decididamente aconselhável a pessoas egocêntricas que se poderão sentir incomodadas ao levar de chapa com as mensagens subrepticiamente implícitas nos seus livros.
Depois, e numa fase em que li 4 livros seguidos dele incluindo estes 2, li
"Sputnik, Meu Amor". História mais simples mas muito bonita como sempre. Um triângulo amoroso em que as três personagens orbitam em volta uma das outras sem nunca realmente se amarem, uma espécie de amor platónico mais imposto pelas circunstâncias do que por decisão própria.
Decidi fazer uma pausa de Murakami e reli
"As Formigas" de
Boris Vian. Uma colecção de pquenos contos com um humor sórdido e muito non-sense mas muito bom.
Reli também
"A Metamorfose" de
Franz Kafka, bizarro conto sobre um caixeiro-viajante que certo dia acorda transformado num repugnante insecto que não pode abandonar o seu quarto. A reacção da família é a que se poderia esperar...
Seguiu-se o badalado
"Crepúsculo" de
Stephenie Meyer numa espécie de corte com a literatura mais pesada, apeteceu-me ler algo mais ligeiro (não obstante as 500 páginas) e
teen. Interessante história de amor entre uma rapariga e um vampiro, por vezes algo previsível mas com um final emocionante. Vi o filme no dia a seguir.
Em seguida li um ensaio sobre os Sonetos de Shakespeare,
"O Retrato de W.H." por
Oscar Wilde, em que se especula sobre quem seria W.H. presente nos sonetos. Interessante de um ponto de vista de ficar a conhecer algo mais do grande dramaturgo inglês.
Prosegui com o pequeno
"A Queda da Casa de Usher" de
Edgar Allan Poe, três pequenos contos, nada de extraordinário. Leu-se.
E hoje terminei o fabuloso
"Retrato de Dorian Gray" também de
Oscar Wilde, uma magnífica ode ao esteticismo e ao dandismo predominantes na alta sociedade inglesa de finais do séc. XIX. Lord Henry é um dos personagens mais brilhantes que conheci até hoje, muito me ri com a sua peculiar visão da vida, da beleza ("sei que vale mais ser belo que bom, mas não nego que vale mais ser bom que feio"[

]) e das mulheres. Para além disso, é um livro que aborda a interessante temática da futilidade das coisas belas e com estilo, mas vista de dentro, do lado dos fúteis. Para um dandista o que conta é o invólucro, não o conteúdo, seja no ser humano seja nas artes, e Oscar Wilde escreve de forma tão brilhante que quase convence o leitor a converter-se a tão ignóbil linha de pensamento. Verdadeira obra-prima.