Livros - O que andam a ler?

Maias, Lusiadas, etc, etc... Passei ao lado disso tudo (não estudei cá). Não li uma linha dos Maias, e sei umas quantas dos Lusiadas porque são conhecidas. Tenho, um dia, que ler isso...
 
Percebeste mal ou expliquei-me mal... O Eça tem um estilo de escrita clássico. Não "inventa", como Saramago ou Lobo Antunes (dando exemplos portugueses). Era só isso que queria dizer.

Claro que depois os gostos de cada um ditam as regras e as preferências.

Sim, o Eça tem uma escrita clássica, mas enfadonha e massuda. Para mim...

Aos anos que não lia um livro. Actualmente estou a ler "A mão do Diabo" do osé Rodrigues dos Santos. Passando à volta da ficção, há ali muita informação acerca desta malvada crise no que nos põe os cabelos brancos.... E dá para chegarmos à conclusão que a crise grega é bem pior que a nossa... Aconselho, ritmo alucinante, qual Dan Brown qual carapuça [:p]

Desse autor só li "A Filha do Capitão", gostei da história, no entanto penso que o autor não a conseguiu explorar da melhor maneira. Tenta utilizar uma prosa demasiado elaborada, para a qual não tem capacidade de escrita.
 
Depois de uma longa leitura com o "Inverno do Mundo" do Ken Follet (o qual gostei bastante, se calhar, um pouco menos que o primeiro, mas ainda assim, muito bom), estou a ler o primeiro livro da saga Gabriel Allon, "The Kill Artist" do Daniel Silva.

Um leitura um pouco exigente, ao início, pois aparecem muitas personagens em pouco tempo, mas estou a gostar bastante.
 
Se não consegues encontrar nos Maias situações actuais... vai lá vai.

Encontras situações que se assemelham a algumas de hoje em dia, mas isso não faz dos Maias um livro actual.

Aliás, nem é esse o objectivo de um livro escrito no séc. XIX.

O que eu estava a dizer é que gosto de coisas mais actuais, do quotidiano, não coisas sobre famílias cheias de peneiras de há não sei quantos anos.

Por exemplo, pegando no ensaio sobre a cegueira, um livro de J.S, que referi há alguns posts como sendo das obras dele que mais gosto, tem uma história mais contemporânea, não vai buscar coisas do tempo dos afonsinhos.
 
Encontras situações que se assemelham a algumas de hoje em dia, mas isso não faz dos Maias um livro actual.

Aliás, nem é esse o objectivo de um livro escrito no séc. XIX.

O que eu estava a dizer é que gosto de coisas mais actuais, do quotidiano, não coisas sobre famílias cheias de peneiras de há não sei quantos anos.

Por exemplo, pegando no ensaio sobre a cegueira, um livro de J.S, que referi há alguns posts como sendo das obras dele que mais gosto, tem uma história mais contemporânea, não vai buscar coisas do tempo dos afonsinhos.

Foi a descrição mais redutora que já vi d'Os Maias. Logo de uma obra que é tão mais do que isso!!!
 
Queres mais actual do que familias portuguesas cheias de peneiras e com a mania que sao uma grande coisa quando muitas vezes nao tem onde cair mortas/nao tem interesse nenhum?...
 
Se calhar não te fazia assim tão mal leres um bocado mais de Eça.

My bad.

Maçuda.

Quanto ao Eça tenha lá os livros todos já fiz várias incursões n"Os Maias", Philidor, Ilustra Casa de Ramires e... não pega mesmo.

Já agora se conseguires explicar a relação entre ler Eça e não dar erros, gostaria de ler... :rolleyes:
 
Quanto ao Eça, se há coisa que a escrita dele não é é enfadonha! O homem tinha um sentido de humor genial, nos livros dele encontram-se alguns dos maiores cromos da história da literatura[:D]
 
Acabei ontem de ler Kafka à beira mar de Haruki Murakami.

Sinopse

Kafka à Beira-Mar narra as aventuras (e desventuras) de duas estranhas personagens, cujas vidas, correndo lado a lado ao longo do romance, acabarão por revelar-se repletas de enigmas e carregadas de mistério. São elas Kafka Tamura, que foge de casa aos 15 anos, perseguido pela sombra da negra profecia que um dia lhe foi lançada pelo pai, e de Nakata, um homem já idoso que nunca recupera de um estranho acidente de que foi vítima quando jovem, que tem dedicado boa parte da sua vida a uma causa - procurar gatos desaparecidos.
Neste romance os gatos conversam com pessoas, do céu cai peixe, um chulo faz-se acompanhar de uma prostituta que cita Hegel e uma floresta abriga soldados que não sabem o que é envelhecer desde os dias da Segunda Guerra Mundial. Assiste-se, ainda, a uma morte brutal, só que tanto a identidade da vítima como a do assassino permanecerão um mistério.
Trata-se, no caso, de uma clássica (e extravagante) história de demanda e, simultaneamente, de uma arrojada exploração de tabus, só possível graças ao enorme talento de um dos maiores contadores de histórias do nosso tempo.

In: Kafka à Beira-Mar, Haruki Murakami - WOOK

kafka_a_beira_mar.jpg



Já é o segundo livro que leio deste autor e mantenho a mesma opinião. É estranho. Gosto da sua escrita mas a história em si é surreal e há que estar para aí virado para se poder apreciar devidamente este tipo de contos.
 
Já é o segundo livro que leio deste autor e mantenho a mesma opinião. É estranho. Gosto da sua escrita mas a história em si é surreal e há que estar para aí virado para se poder apreciar devidamente este tipo de contos.

Isso para mim é uma obra-prima. Surreal sim, tem de ser lido sem estar à espera de realismo. Ou então podemos-lhe chamar realismo mágico, como se faz aos livros do Garcia Marquez.

Eu neste momento estou a ler o 3º volume do 1Q84 e é mais do mesmo: estupidamente bom e surreal (até andam por lá duas luas no céu e tudo).
 
Isso para mim é uma obra-prima. Surreal sim, tem de ser lido sem estar à espera de realismo. Ou então podemos-lhe chamar realismo mágico, como se faz aos livros do Garcia Marquez.

Eu neste momento estou a ler o 3º volume do 1Q84 e é mais do mesmo: estupidamente bom e surreal (até andam por lá duas luas no céu e tudo).

O próximo que ler, mudarei o chip do pragmatismo para o do surrealismo. [;)] Mas ele escreve bem, disso não tenho dúvidas - como se a minha opinião para o escritor fosse importante. [:D]

Ando a ganhar coragem para a minha Nemésis - A montanha mágica.
 
Isso para mim é uma obra-prima. Surreal sim, tem de ser lido sem estar à espera de realismo. Ou então podemos-lhe chamar realismo mágico, como se faz aos livros do Garcia Marquez.

Eu neste momento estou a ler o 3º volume do 1Q84 e é mais do mesmo: estupidamente bom e surreal (até andam por lá duas luas no céu e tudo).
Olha, somos dois!
Adorei os 2 primeiros volumes! No terceiro, estou nas primeiras 70 páginas e ainda não percebi bem para onde vai, mas as personagens por ele criadas e o ambiente em que se inserem são qualquer coisa de especial! Já para não falar em todas as situações surreais (acho que é mesmo o termo certo).

É a minha terceira incursão pelo mundo Murakamiano ("Kafka..." e "Sputnik..." são as outras duas) e já é dos meus autores favoritos. :)


 
O próximo que ler, mudarei o chip do pragmatismo para o do surrealismo. [;)] Mas ele escreve bem, disso não tenho dúvidas - como se a minha opinião para o escritor fosse importante. [:D]

Ando a ganhar coragem para a minha Nemésis - A montanha mágica.

A montanha mágica do Thomas Mann? Li-o para aí à uns 15 anos...não foi fácil mas no fim até gostei:)
 
Olha, somos dois!
Adorei os 2 primeiros volumes! No terceiro, estou nas primeiras 70 páginas e ainda não percebi bem para onde vai, mas as personagens por ele criadas e o ambiente em que se inserem são qualquer coisa de especial! Já para não falar em todas as situações surreais (acho que é mesmo o termo certo).

É a minha terceira incursão pelo mundo Murakamiano ("Kafka..." e "Sputnik..." são as outras duas) e já é dos meus autores favoritos. :)



Eu vou um bocadinho mais à frente e também estou curioso pelo que vai sair dali. Se bem que se bem conheço o Murakami (e tendo lido os livros todos dele já conheço um bocado) é capaz de não ir dar a lado nenhum e termos de ser nós a fazer um final a nosso gosto.

Keyser, ainda relativamente ao surrealismo e às pontas soltas dos livros do Murakami, lembrei-me de uma frase do António Lobo Antunes que me parece lapidar no assunto em questão: "os livros servem para serem escritos pelos leitores". A interpretação que dou a esta frase é que um bom livro é como um filme, sendo que o escritor é apenas o argumentista e o leitor é o realizador. Já que estás com o "Kafka à beira mar" ainda bem presente na memória, agora imagina que o Kafka Tamura era meio maluco e algumas das personagens do livro só existiram na cabeça dele. Quando me lembrei disso foi como um estalo, é uma das interpretações possíveis para a história, cada um terá a sua. Até porque o Murakami nunca se descose muito sobre os seus livros, ele prefere que sejamos nós o "realizador"[;)]

A montanha mágica do Thomas Mann? Li-o para aí à uns 15 anos...não foi fácil mas no fim até gostei:)

É isso. Custa um bocado passar algumas partes, o livro é enorme mas no fim percebe-se que se leu algo de muito bom. Recordo aqui o que escrevi na altura em que o li:

"É um livro quase sem enredo, extremamente filosófico e onde a acção se mistura com reflexões do autor (passadas através das personagens) sobre a vida e a morte, a razão e o espírito, a doença, o humanismo, o amor e acima de tudo sobre o Tempo.
Chega-se ao fim com a sensação de que não se leu história nenhuma, mas sim que se viveu aquela história, pois o livro é sobre mim, sobre ti, sobre todos nós, assim saibamos nós interpretar o autor.

"A Montanha Mágica" é muito mais que um livro, é um tratado filosófico sobre a vida e os seus ingredientes, e é daqueles livros que merecem ser revisitados uns anos mais tarde para melhor compreensão."
 
Raista, se eu te dissesse quantas vezes me questionava sobre quando é que ele dizia o Kafka ou o Nakata acordavam do(s) sonho(s) ou era(m) internado(s) numa clínica para loucos...[:D] [;)]
 
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