Do blog[}

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Manuela Henriques said...
Estou em estado de choque. Tenho os dois livros em questão e estive a confirmar, tim tim por tim tim todas as «semelhanças» descritas. Infelizmente, há mais.
Admirava o Miguel Sousa Tavares, sempre o tive na conta de uma pessoa séria e recta, cheia de principios.
Isto foi a pior bofetada que ele nos podia ter dado. Que profunda desilusão!!! Como é possível?!? Espero que ele tenha uma boa explicação para as «semelhanças», mas eu já nem a quero ouvir. O «Equador» foi ontem para o lixo. Guardei «Esta Noite a Liberdade» -- o original.
Anonymous said...
Já que estamos numa de copy/paste tirei esta do J.P. George que tem um blog chamado esplanar...
“... o problema central do livro está na escrita, a qual se presta grandes reparos e deixa muito a desejar. Quero dizer: pobreza do vocabulário, limitados recursos expressivos, estilo sem matizes, descuidado, repetitivo. O suficiente para vulgarizar um livro. Feri-lo de morte. Desde logo, há qualquer coisa de errado quando um escritor utiliza, amiúde, as mesmas fórmulas: “a leitura sonolenta do Mundo, o seu jornal de todos os dias (p. 11); “a sua pacata e habitual vida de todos os dias” (p. 15); “tentando adivinhar como era a sua vida de todos os dias” (p. 44); “os rituais de todos os dias” (p. 86). Ou ainda: “regressara à sua Lisboa de sempre” (p. 12); “almoçava invariavelmente no seu clube de sempre, no Chiado” (p. 14); “João Forjaz, um dos membros do grupo das quintas-feiras e seu amigo de sempre” (p. 18); “mal tinha acabado de entrar na sala de baile, vindo do bar e das mesmas conversas de sempre com os mesmos de sempre” (p. 26); “na atitude eterna do caçador esperando a sua presa, como sempre sucedeu desde a noite dos tempos, desde que o primeiro caçador de sempre (p. 41); “a sua delicadeza de sempre” (p. 87); “meia dúzia dos seus amigos de sempre (p. 103). Exemplos como estes abundam, volta e meio tropeçamos em coisas como “o melhor peixe do mundo” (p. 23), “dar a resposta mais natural do mundo” (p. 28), “como se fosse a coisa mais previsível do mundo” (p. 34), “serviram sumo espremido das laranjas de Vila Viçosa – as melhores do mundo” (p. 36), “demorara todo o tempo do mundo” (p. 96), “o homem mais rico e mais avarento do mundo” (p. 245), “com o ar mais calmo e natural do mundo” (p. 322). Mas há mais. Diria mesmo, há muito mais: “Mergulhar na sua boca e ficar lá dentro” (p. 90); “e ele mergulhou, também de olhos fechados, naquela boca e naquela paixão” (p. 312); “a boca que, sôfrega, mergulhava na dele” (p. 323); “e mergulhou a boca na sua” (p. 332); “puxou-lhe um pouco o vestido mais para baixo e mergulhou lá dentro a língua e a cabeça” (p. 335); “agarrou-lhe a boca e mergulhou nela a sua” (p. 383).
Casos como estes denunciam desatenção, descuido, negligência. Porque, enfim, as palavras devem ser escolhidas com rigor e ponderação. E em Equador não parece ter havido esse esforço, esse trabalho. Quero dizer: Miguel Sousa Tavares não conseguiu desembaraçar-se (ou não esteve para isso?!) de certas “muletas” literárias, de certos vícios de linguagem: “via desfilar lentamente a vila” (p. 44), “a igual monotonia da paisagem que via desfilar da sua cadeira” (p. 93), “horas passadas a ver desfilar a costa angolana” (p. 118), “a paisagem desfilava ao ritmo do passo do cavalo” (p. 165); “passeando o olhar” e “passeando os seus lânguidos olhos”; “uma chuva de pingos, grossos como bagos de uva” ou “bátegas de chuva, grossas como pedras”; “rolava o cognac francês dentro do pesado copo” ou “cada um com o seu pesado copo de cognac na mão”; “o Pico de S. Tomé, eternamente afogado em nuvens e nevoeiro”, “da cor do Sol afogando-se no mar”, “quando a tarde já se afogava no mar”; “madrugada adentro”, “pela sua boca adentro”, “subira pela floresta adentro”, “que sussurrava pelo seu corpo adentro”, “o frio que lhe entrara pelo seu corpo adentro”, “mar adentro”, “água adentro”, etc.
(...) Advérbios de modo, então, nem se fala. No mesmo parágrafo, um surto pavoroso
de “estupidamente”, “imediatamente”, “ligeiramente”, “finalmente”, “subitamente”; na mesma página (89), “verdadeiramente”, “instintivamente”, “ligeiramente”, “friamente”, “seguramente”, “naturalmente”, “suavemente”. Não deixa de ser notável, porém, a capacidade de Sousa Tavares para utilizar tantos advérbios de modo numa mesma frase (p. 314): “infinitamente”, “ligeiramente”, “nervosamente”, “livremente”. Difícil é escolher entre tantos exemplos.”
E a rematar:
“ Insuficiência linguística, limitação na linguagem? Trapalhice? Custa-me a admitir, mas é o que parece.”
inominado said...
Agora a sério:
Este tipo de plágios que são aparentes à primeira leitura, podem merecer uma segunda que os relativiza.
Umberto Eco foi acusado de plagiar o escritor Robert Van Gulik, para escrever O Nome da Rosa. Por sua vez, este Van Gulik, com livros traduzidos em português, aparentava-se nas tramas literárias das suas novelas ( excelentes e baseadas em histórias de um juiz-detective, na China Imperial)a um certo ****n Doyle.
U. Eco, não gostava das comparações. No entanto, reconheceu que se baseou em certos autores para a "ideia geral" da sua obra prima.
Neste caso de MST a questão pode muito bem ser outra, ainda que misturada com esta e que ele certamente vai utilizar como argumento justificativo.
A questão grave, com MST, neste caso, parece ser a cópia pura e simples de ideias, descrições e narrativas concretas, mudando apenas pormenores sem importância e aliás, decisivas e adaptados à sua própria história.
A questão parece simples de resolver e não vai ser com certeza à paulada.
Cabe a MST o ónus de se defender de uma acusação concreta, lavrada num blog anónimo ( o que é pena, mas é compreensível)e onde os elementos disponíveis já são muitos para se dizer terminantemente que não há plágio algum.
Há, pelo menos, indícios de cópia. Se houve plágio, só uma análise aos dois livros o poderá dizer e no final de contas, só mesmo o autor o poderá confirmar.
COmo não confirma, vai ser preciso provar a quem quiser acusar.
Pela minha parte, não acuso. Constato apenas os factos que se apresentam.
Se são desagradáveis para o autor, é pena, mas deverá lemebrar-se o mesmo que em muitas das suas crónicas faz muito pior...
Cá se fazem, cá se pagam.