O caso Freeport está, como se previa, transformado em mais um cancro do regime. Esta história que se arrasta desde 2004 vai juntar-se a muitos outros cancros – como o Portucale, o BPN, as luvas dos submarinos, o ‘saco azul’ de Felgueiras e tantos outros – que se arrastam sem solução e vão estilhaçando aqui e acolá, agravando as muitas feridas desta pobre democracia.
Uma democracia tutelada por interesses de enorme opacidade, que tem mantido o Ministério Público, os juízes e a PJ dentro de limites apertados de iniciativa em matéria de crime económico, está a dar neste imenso pântano.
O regime nem admitiu válvulas de escape regenerativas, ou seja, casos de sanção exemplar que permitissem ir respirando e contendo o sentimento de impunidade em ordem. Não só não o fizeram como têm vindo a asfixiar a igualdade dos cidadãos perante a lei, através de diplomas que promovem a defesa de interesses particulares ou de grupo. Agora, face a uma acção mais incontrolada da PJ, do MP e de um juiz como Carlos Alexandre, os podres vão emergindo e deixando um cheiro nauseabundo.
Uma coisa é certa: se este caso Freeport, tal como o muito que está escondido debaixo do manto do BPN, não for explicado, então, a uma crise económica profunda há-de vir juntar-se uma terrível crise do regime democrático. Em certas alturas, já se sabe, é melhor cair tudo para construir uma coisa nova do que insistir num caminho sem remédio.