O ónus está do lado do senhor PM.
Neste momento foram lançadas suspeitas por factos ocorridos ao longo dos últimos 10 anos, tendo sempre por denominador comum a sua tutela política ou a gestão patrimonial dos bens da sua familia directa.
O que se espera de alguém com um lugar de destaque como o dele é uma resposta imediata, cabal e inequívoca a estas questões, por mais "ignominias" que sejam.
O sistema democrático é isto mesmo: estar sujeito a um constante escrutínio público da sua actuação - de outra forma, e de acordo com os seus próprios correlegionários (Alegre e comparsas), não teria sido necessário fazer o 25 de Abril.
Só que desde que é PM, esta dimensão pública tem sido manchada por vários casos polémicos, nunca verdadeiramente explicados e sempre remetidos para o subterfúgio da "cabala".
À primeira aceita-se, à segunda desconfia-se e à terceira exige-se explicações definitivas. É aqui que nos encontramos.
Pessoalmente, tenho contribuido para este tópico tão-somente porque tenho razões concretas para acreditar nos ingleses e em parte do que vem escrito na imprensa sobre o caso Freeport.
No final da década de 90 acompanhei (não por activididade profissional, mas porque fui "apanhado" no meio) do licenciamento de aterros sanitários em Portugal e vi coisas fantásticas, que nunca foram exploradas pela comunicação social. E tendo visto provas concretas e inequivocas de falsificação de documentos e pagamento de luvas em processos que nunca chegaram aos media, compreendo a verossimilidade daquilo que leio hoje, sobre um processo que tem todas as condições para seguir o mesmo caminho.
E perante o histórico, só me resta a vergonha pela gestão do país em que vivo.
E não aceito comparações com Berlusconi ou Chirac - nivelar-nos por baixo? É esta a escumalha que tem que ser varrida dos governos no mundo.