citação:
Originalmente colocada por Pé Leve
Simples, que seja qual for a forma como se exprimam, os que estão incondicionalmente contra a função pública atacam-na, à sua maneira, de forma cega e abrangente, sendo que nem se dão ao trabalho de fazer "a distinção"!
É que, meu caro, em 737.774 almas que servem na Função Pública concerteza que nem as suas atribuições e competências legais são todas iguais, nem as pessoas que as exercem o são...
É que, amigo André, o que eu contesto não é que parte de Função Pública funcione mal, como uma parte demasiadamente grande da privada também o faz, o que eu contesto é que não haja, claramente, a preocupação de fazer essa distinção!
A grande distinção nestas coisas são as prioridades.
Para mim, o país está acima da FP, para ti, provavelmente não (teoricamente até podes dizer que sim, mas nos exemplos práticos é que a coisa que se vê).
Ou seja, se para o bem do país, há que sacrificar comportamentos, direitos e regalias existentes na FP, eu não tenho problema nenhum em defendê-los.
É exactamente o mesmo que se passa na Educação.
Para mim, o aluno é a prioridade. Não o professor. O aluno não existe para o professor. O professor é que existe para o aluno.
Porque o grande problema da FP é que tem sido gerida para os sindicatos e para a coorporação em si, porque a força política sempre cedeu, uns governos mais outros menos, às pressões coorporativistas.
Não tem sido gerida para servir as pessoas ou o país. Veja-se o que nos indicam todos os estudos sobre os procedimentos na FP.
Mais de 60% são procedimentos puramente dirigidos para dentro. E isso está mal. Quando as instituições funcionam para servir-se principalmente em primeiro lugar, algo está mal.
Reconheço que isto é uma questão ideológica, mas é assim que penso. Não o posso evitar.
Eu não tenho nada contra os funcionários públicos nem contra a FP. Eu não acredito que possa existir um país sem FP. Não pode.
A FP é fundamental. E é imperativo que funcione bem, porque se não...atrapalha em muito o desenvolvimento do país.
A FP tem servido como um meio social político no qual o PS principalmente mas também o PSD constituiram a sua base de apoio.
O número actual de funcionários públicos não foi nem é ditado pela necessidade, nem por uma razão de melhoria e eficácia do funcionamento das instituições públicas.
Está mais que provado que mais pessoas, não significam...melhores serviços.
E basta ter como exemplo recente a última década. De 95 para cá a FP aumentou a sua força laboral em 1/3.
A qualidade ressentiu-se?
A FP serve melhor o país agora, do que em 95?
Resposta: Não.
A FP vai ter que mudar, inevitavelmente, e seria melhor para vocês que PROPUSESSEM e EXIGISSEM um sistema meritocrático e metessem na cabeça que certos comportamentos que vos deixaram adquirir ao longo dos anos são INSUSTENTÁVEIS no mundo actual.
Vocês precisam de concorrência e exigência.
Tal como o sector privado precisa.
Eu não defendo nada para vocês que não defenda para o sector privado. Nada.
A FP não se pode resumir ao que se resume hoje. Tem de atrair os melhores, tem de ser gerida e dirigida pelos melhores.
Não pode ser virada para atrair os mediocres, nem ser dirigida por mediocres.
E é aqui que a ideologia se intromete mais uma vez. A ideologia seguida por este país em relação à FP leva invariavelmente a que os melhores...fujam da FP e que os piores a desejem.
Nenhum bom aluno hoje aspira a ir para a FP. E isso devia fazer-nos pensar!!!
O contrato do Estado para com os funcionários públicos tem sido:
1. Têm emprego para toda a vida e uma vida descansada, caso assim entendam, pouca exigência nos horários, podem até só marcar corpo-presença;
2. Têm um melhor sistema de reformas e até se reformam mais cedo;
3. Em compensação ganham pior que no privado caso tenham formação superior;
4. A não ser que sejam médicos, juízes e outras poucas carreiras especiais, face à complexidade e especialização do vosso trabalho...até ganham bastante bem, o poder não vos toca e vocês levam a vossa vida.
Este contrato vem do Estado Novo e continuou com a democracia. Não pode continuar mais.
Os funcionários públicos não são mais nem menos que ninguém. Têm de viver com as regras do privado, é o que eu defendo.
Eu não acredito (como a Esquerda) que a FP é um meio de revolução social, nem tão pouco um meio de mudança social, nem tão pouco um meio de sustentação social.
A FP é e deve ser gerida por fundamentos racionais, com racionalidade e sempre tendo em vista a relação custo/benefício.
Actualmente o custo/benefício da FP é...tenebroso.