rca33, sabes bem que tenho a tua opinião sempre em consideração já que tiveste 2 Alfas Boxer, mas não posso concordar contigo.
A questão não está sequer no desafinar por ser Alfa Romeo.
Está apenas e só no desafinar.
Nenhum motor carburado desafina por obra do acaso.
(...)
Tens diversos componentes num carburador susceptíveis de desafinar, ao qual acrescentas a incapacidade do carburador se adaptar às diversas situações externas.
Por um lado (e vamos esquecer a Alfa Romeo para o caso) falamos de componentes totalmente mecânicos.
Já em 1994 eu desmontava o carburador do meu clio e limpava, afinava (posso dizer que eu tinha uma afinação para o dia-a-dia e outra para a inspecção).
Como tu sabes, muitos dos parafusos de afinação externa do carburador são isso mesmo, parafusos - muitas vezes com molas a tentar contrariar a possibilidade de desafinação pelo trepidar do motor (que os motores de carburador ainda tinham adicionalmente mais pela sua própria insuficiência).
Adicionalmente, sabes que o sistema de boías tem a sua sensibilidade, à qual acrescentas todo a possibilidade efectiva de entupimento (que não tem de ser total) dos gigleurs.
Com isto, não esqueçamos que tens o carburador como uma peça que não tem a informação (sensores) e a inteligência (centralina) dos sistemas actuais, pelo que factores externos como temperaturas exteriores, pressões atmosféricas, desgaste de outros componentes como velas ou o próprio motor resultam num funcionamento irregular que se tenta melhorar através da afinação do carburador - mesmo quando a culpa não é directamente deste.
Tu não apanhaste certamente essa época, mas durante muitos anos, era frequente os carros chumbarem nas inspecções por excesso de CO medido nos gases de escape, e os valores para carros a carburador (sem catalizador, portanto) eram/são substancialmente superiores aos permitidos aos carros com catalizador e injecção electrónica.
Hoje se um carro chumbar por excesso de gases, ou tem um problema no catalizador ou em algum sensor do mesmo, já que em termos de afinação a centralina está sempre a adaptar-se às diversas situações (quer do motor quer ambientais).
Ainda voltando aos carburadores utilizados no clio, posso dizer-te que tive também um de serviço, e uma das operações que eu assisti mais do que uma vez nas revisões (e falamos da marca) era precisamente o ajuste da afinação do carburador.
O Alfa 33 1.5 TI que o meu pai comprou novo terá andado até cerca dos 100.000 km (se tanto e já na mão de outro dono), e posso confirmar que nunca foi afinado...
...mas também posso confirmar que desde que se iniciaram as inspecções que o carro passava com boa vontade (devido a CO a mais) e agarrado à desculpa de ser um carro de cidade.
O outro que mencionei (da minha mãe) desafinou-se a sério ao ponto de te veres aflito para arrancar numa subida. Tu metias o motor às 4000 rpm, largavas a embraiagem e ele pura e simplesmente perdia rotação sem força.
A direito funcionava aparentemente "bem", e na antiga Mocar foi afinado (no período de garantia de 1 ano).
De facto esse problema veio resolvido, mas verdade seja dita que o ralenti nunca mais ficou tão certinho como era originalmente.
Os Alfa não ganharam fama de desafinarem por acidente, não nos vamos enganar com isso!
É claro que os Alfas estavam longe de serem os únicos a desafinarem, mas o facto de terem um sistema de carburadores mais complexo (até pelo número e posição) tornavam-nos mais sensíveis às desafinações e consequentes re-afinações.
Aqui não se trata de ser Alfa Romeo ou Toyota, trata-se da tecnologia ser excessivamente arcaica e ter um conjunto de limitações.
Aliás, nota que tu dizes que andas há um ano com a mesma afinação, mas se não está 100% afinado, não é grande sinal. [

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