A mim quer-me parecer, já há muito tempo (2 ou 3 anos), que as pessoas mais info-incluídas são aquelas que mais dificuldades estão a ter para ver que o paradigma está a mudar completamente. O computador vai dexando de ser informática, para passar a ser cada vez mais um electrodoméstico, onde interessa muito pouco o que está no chassis por dentro da caixa (algum de vós sabe a marca do chip que comanda o vosso micro-ondas?). E isto sucede porque a informática em sentido lato deixou de ser um fim em si mesma, para ser tão simplesmente um meio omnipresente nas nossas vidas, que nos permite atingir outros fins. O hardware começa a ser cada vez mais uma commodity, uma tecnologia que é acessível a qualquer marca, sendo o software o verdadeiro factor de diferenciação. Por isso é que hoje em dia as marcas estão tão interessadas no ecossistema todo, e não apenas na fabricação da máquina.
O conceito é relativamente difícil de descrever, mas penso que todos sabem, no fundo, do que estou a falar. Um exemplo paradigmático desta dificuldade que os "techies" têm de entender o estado actual das coisas está precisamente no conceito de liberdade. Para mim, o Linux dá mais liberdade que o Windows ou Mac. Porque eu tenho os recursos de know-how técnicos suficientes para isso. Contudo, para o chamado utilizador médio, um Mac ou um Windows dá muito mais liberdade para ele/ela fazer o que quer do que o Linux. Pela simples razão de que à mínima dificuldade o Linux se transforma num pesadelo completo para quem não sabe o que é uma linha de comandos. Ora, este conceito de abertura ou fecho das plataformas traduz uma abordagem diferente das coisas, que muita gente de valor está a deixar escapar, porque o umbigo do mercado de hardware e software já não está apontado para eles, mas sim para o tal utilizador médio. E isso é bom e devia ser apreciado por quem trabalha no meio. Porque expande o mercado potencial.