Não esquecer o TGV,
A ser na margem sul, o traçado teria ser repensado e viria pela margem sul do Tejo, o que tornaria o TGV muito mais barato, já incluindo uma nova ponte/túnel sobre o Tejo a ligar ao Braço da prata.
E já agora:
[FONT=Georgia,Times New Roman,Times,serif]Ambientalistas e turismo juntos na solução "Portela + 1"
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13.06.2007, Ana Fernandes, Inês Sequeira e Paulo Miguel Madeira
[FONT=Georgia,Times New Roman,Times,serif]A reavaliação da Ota face ao Campo de Tiro de Alcochete veio dar novas forças aos defensores de outras alternativas que pareciam afastadas[/FONT]
Receosos dos impactes sobre as áreas protegidas do Tejo e do Sado por causa da especulação imobiliária que seguirá o aeroporto para Alcochete e dos acessos, os ambientalistas estão cautelosos em relação à nova proposta de localização. Mas antes de se discutirem opções, defendem que se deveria primeiro provar que é necessária a construção de um grande aeroporto, considerando que a opção Portela +1 nunca foi devidamente avaliada - uma posição partilhada com a Confederação do Turismo Português, que considera também urgente o Governo viabilizar imediatamente um aeroporto secundário para companhias aéreas de baixo custo (low cost).
"Até podemos estar errados", admite Susana Fonseca, da Quercus, "mas o certo é que, além de discursos e pareceres, nunca se estudou a fundo se há mesmo necessidade de se construir um grande novo aeroporto." Para a ambientalista, este é um problema crónico português: a enorme tendência de construir, e construir sempre em grande.
"Temos de avaliar tudo para perceber o que é melhor para Portugal, sabendo que tráfego vai ser desviado pelo aeroporto de low-cost em Beja ou pelo TGV, assim como pelo Aeroporto Sá Carneiro, e ver se realmente precisamos de uma grande infra-estrutura ou se não bastaria um aeroporto mais pequeno para low-cost sem os luxos de um internacional", defende Susana Fonseca.
Para a associação, o problema em Alcochete pode não ser a localização da estrutura em si mas os impactos que gerará indirectamente fruto dos acessos e da pressão imobiliária. Sobretudo sabendo-se da proximidade de duas zonas húmidas de importância comunitária e da existência do maior aquífero do país.
CTP pede estudo de turistas
As dúvidas sobre a necessidade de um grande aeroporto são partilhadas pelos representantes do sector do turismo, que apelam à realização de um estudo de mercado para quantificar o número de turistas que chegarão a Portugal, via transporte aéreo, durante os próximos anos.
"Não se pode pensar que o crescimento mundial do turismo vem todo para Portugal, há hoje uma forte concorrência dentro do sector", afirmou ao PÚBLICO o presidente da confederação, José Carlos Pinto Coelho.
Face à "degradação da qualidade" do aeroporto lisboeta e às "limitações" no crescimento, a CTP considera aliás que é urgente "pôr imediatamente a funcionar um aeroporto para companhias aéreas low cost", aproveitando para isso uma base militar da Área Metropolitana de Lisboa, "e ir-se ampliando conforme seja necessário". A base do Montijo ou o Campo de Tiro de Alcochete são opções em cima da mesa.
Nas contas da CTP, a solução Portela + 1 permite servir cerca de 22 milhões de passageiros logo à partida: as obras em curso no aeroporto lisboeta vão expandir a respectiva capacidade anual para 17 a 18 milhões de pessoas, a que se juntariam outros quatro milhões com o aproveitamento de uma das bases militares.
Por outro lado, um aeroporto com menos custos e taxas mais baixas, atraindo mais passageiros, é essencial para concorrer directamente com os aeroportos espanhóis. As taxas aplicadas sobre o transporte aéreo em Espanha - que estão abaixo da média europeia - são praticamente metade daquelas que existem em Portugal, salienta a confederação.
Falhas da Ota, diz geógrafo
Um menor efeito positivo sobre o tecido socioeconómico ao nível nacional e um mais difícil acesso ferroviário serão os principais inconvenientes de uma eventual opção pela localização do novo aeroporto da região de Lisboa no Campo de Tiro de Alcochete, disse ontem também o geógrafo Jorge Gaspar, que coordenou a equipa técnica do Programa Nacional de Política de Ordenamento do Território (PNPOT), enviado há meses pelo Governo para aprovação pela Assembleia da República.
No entanto, este geógrafo, professor catedrático aposentado, apontou também ao PÚBLICO lacunas em relação à Ota, indicando que "todo o processo é vergonhoso", pois "nunca foi feito um estudo de custos/benefícios". Questiona mesmo quem é que introduziu a Ota no processo de decisão: "Quem o fez devia vir justificar por que é que o fez."
A Comissão Europeia tem uma posição de "neutralidade" em relação à localização do novo aeroporto mas admite que se o projecto for numa região mais pobre, como é o caso da Margem Sul, poderá receber mais apoios do FEDER. Fonte comunitária reconheceu ontem, em Bruxelas, à Agência Lusa que, se o projecto for na Margem Sul do Tejo, terá a "possibilidade teórica" de receber mais dinheiros do FEDER (Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional), visto situar-se numa região do país considerada menos desenvolvida. No entanto, a mesma fonte advertiu que mais fundos para um projecto significam menos para outros, não sendo de prever que Bruxelas aceite desviar uma quantidade elevada de dinheiros do FEDER para um projecto da dimensão do novo aeroporto.
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