Aliados
O primeiro-ministro israelense Ehud Olmert, de visita a Washington, se apressou em classificar o discurso de Obama de "muito emocionante" e "impressionante". Ele foi a primeira autoridade israelense que reagiu publicamente ao discurso de Obama.
Inicialmente, o Ministério das Relações Exteriores de Israel não quis fazer comentários, para evitar acusações de interferência em assuntos internos norte-americanos. O embaixador de Israel em Washington, Salai Meridor, tentou manter certa neutralidade.
"Os discursos que os três candidatos à presidência americana [Obama,
Hillary Clinton e o republicano
John McCain ] pronunciaram ante os delegados da AIPAC foram muito importantes e muito animadores", declarou Meridor.
No discurso, Obama reafirmou os laços "inquebráveis" entre os EUA e Israel e afirmou que, como presidente, nunca faria nada contra a segurança de Israel.
No evento, Obama afirmou ainda que Jerusalém deve permanecer como a capital "indivisível" de Israel. "Jerusalém continuará sendo a capital de Israel e deve permanecer indivisível", disse Obama durante a reunião anual. Este é um dos temas mais controversos nas negociações entre israelenses e palestinos.
Durante a guerra de junho de 1967, Israel conquistou e depois anexou a parte árabe de Jerusalém. Esta anexação jamais foi reconhecida pela comunidade internacional.
Por sua parte, os palestinos querem Jerusalém Oriental como capital de seu futuro Estado.
Meridor minimizou o alcance das declarações de Obama, recordando que o Congresso americano reconheceu em várias oportunidades a Jerusalém reunificada como capital de Israel, enquanto a administração norte-americana se mostrava mais prudente.
Uma referência clara ao projeto sempre mencionado pelos presidentes norte-americanos, mas jamais concretizado, de transferir a embaixada dos Estados Unidos de Tel Aviv para Jerusalém.
Palestinos
O presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, criticou o candidato democrata pelo discurso. Conhecido por sua política externa de diálogo aberto, Obama era a esperança dos palestinos de um governo menos pró-israelense que o do presidente George W. Bush.
"Nós rejeitamos essas propostas. Jerusalém é uma das questões que vêm sendo objeto de negociações. Todos sabem perfeitamente que Jerusalém Oriental foi ocupada em 1967 e não aceitaremos um Estado sem Jerusalém, isto deve ser claro", afirmou Abbas aos jornalistas em Ramallah.
"Os candidatos norte-americanos não podem ser mais israelenses que os israelenses. Esta linguagem não existe nem mais entre os negociadores israelenses", disse o negociador palestino Saeb Erekat.
Na faixa de Gaza, o Hamas, que controla o território desde o ano passado, também criticou Obama.
"Nós consideramos que as declarações de Obama constituem uma nova prova de hostilidade dos dirigentes americanos em relação aos árabes e muçulmanos", afirmou Sami Abu Zuhi, porta-voz do grupo.
Pois é, não quererm crer que isto já deu barraca...