Processo de Bolonha: Doutores e Engenheiros a Nú

O problema foi quem ficou no meio.

Eu fiz um curso de 5 anos + 1 de estágio e sou licenciado.

Hoje faz-se um curso de 5 anos + 1 de estágio e fica-se com o Mestrado.

Eu para ficar com o mestrado, tenho de fazer 6 meses de aulas e 1 ano de tese. Então fico com um curso de 6,5 anos!

Ai então passo a receber mais que um Mestre Pós - Bolonha! Não?

Eu fiquei exactamente na mesma posição, o "meu" ano terá sido o último a terminar pré-bolonha e na mesma U que tu... [:p]

Esse 1 ano de tese não é obrigatório, ou seja, podes fazer em menos tempo (creio) desde que a consigas apresentar e defender.
 
Isto com Bolonha ficou mesmo uma confusão...

Ainda no outro dia estava com uma pessoa pós Bolonha que é mestre e fez o mesmo curso que eu com os mesmos anos... E supostamente tem vantagem em cursos públicos... Uma vergonha.

Eu para fazer o Mestrado tenho de ir penar mais 6 meses de aulas e depois 1 ano de tese. :sh)

Essa parte dos 6 meses de aulas é de facto ridícula, no meu curso por exemplo o plano curricular antes de bolonha é praticamente igual a depois, muda é a tese.

Não estou é em condições de avaliar se um projecto final de curso era mais ou menos complicado, até por alguns eram em grupo. Havia vantagem era para aquela gente que gosta de fazer o curso à conta dos "amigos", e assim poderia também fazer o projecto com os "amigos" que lhe fizeram o curso. Com a tese individual vejo muita dessa gente a não a conseguir acabar num ano só.
 
Completamente ridículo equiparar uma Licenciatura de 5 anos a um Mestrado... onde está a Tese para começar?


E Licenciatura de 3 anos não é igual ao Bacharelato! A matéria foi compactada e exigido um nº muito superior de trabalhos e projectos!

Informem-se antes de postar...

Ridículo mas é assim mesmo. Eu tive um projecto de fim de curso que me ocupou 2 semestres, com cadeiras. Agora têm 1 semestre cadeiras e no outro apenas uma tese.

No fim as teses têm o mesmo conteúdo e qualidade dos projectos de fim de curso das licenciatura pré-bolonha. Se calhar o nome "tese" tem mais status do que "projecto de fim de curso"...

Como se diz "a m$%"# é a mesma, só muda o cheiro".
 
Ridículo mas é assim mesmo. Eu tive um projecto de fim de curso que me ocupou 2 semestres, com cadeiras. Agora têm 1 semestre cadeiras e no outro apenas uma tese.

E por acaso já investigaste no sentido de saber se a dificuldade desses mesmos projectos de Final de Curso diminuiu ou manteve-se?

No fim as teses têm o mesmo conteúdo e qualidade dos projectos de fim de curso das licenciatura pré-bolonha. Se calhar o nome "tese" tem mais status do que "projecto de fim de curso"...

Como se diz "a m$%"# é a mesma, só muda o cheiro".

Estás a colocar na mesma balança a defesa de uma Tese (com toda a investigação associada) e um projecto de fim de curso?
 
E por acaso já investigaste no sentido de saber se a dificuldade desses mesmos projectos de Final de Curso diminuiu ou manteve-se?

Estás a colocar na mesma balança a defesa de uma Tese (com toda a investigação associada) e um projecto de fim de curso?

Sei dos colegas que saíram depois de mim, a unica coisa que mudou é que já não é possível ser em grupo. De resto os temas, "projectos", etc. mantém-se igual.

No meu curso já era obrigatório fazer uma apresentação e defesa do projecto de fim de curso. Falo apenas do meu caso, era perfeitamente possível fazer uma equivalência directa, mas a universidade prefere receber mais 1 ano de propinas e obrigar-nos a fazer uma Tese (mais do mesmo).

Para veres, havia a possibilidade de fazer a tese na continuação do meu projecto de fim de curso, apenas continuar o trabalho, não acrescentando nenhuma componente extra de investigação. Muitos projectos proporcionavam também a escrita de artigos científicos até.

Podem dizer-me o que quiserem, mas no meu curso, é apenas obrigar-nos a mais 1 ano do mesmo, para ter o tal título "mestre". Título que só nos diferencia em Portugal, visto que fora a minha licenciatura é equiparada ao mestrado e ninguém quer saber do nome.
 
Título que só nos diferencia em Portugal, visto que fora a minha licenciatura é equiparada ao mestrado e ninguém quer saber do nome.

O meu CV inglês uso sempre o termo "M.Sc.". Era bem melhor que com um curso de 5 anos bem penado fosse usar o termo BSc ou Bachelor como tenho visto.
5 anos são 5 anos e tá encerrada a questão. [:blush:]
 
Mas antes não eras mestre com 4+1, pois não?
Além que 4 anos estava no limite de licenciatura.

Não, era um licenciado e tinha uma pós-graduação. Estou só a dizer que equivalência Licenciatura(pré)->Mestrado(pós) não foi directa (na maior parte dos casos houve pelo menos uma reestruturação do currículo).

No meu caso pessoal apanhei o ano de transição, ou seja, fiz a licenciatura antiga (4 anos) e no ano em que entrou em vigor o Mestrado tive equivalência do primeiro ano (antigo 4) e fiz o estágio+defesa da tese.

Foi mais simples que fazer um mestrado pré-bolonha? Obviamente que sim, escapei-me a 1 ano curricular (que para dizer a verdade tinha muitas cadeiras partilhadas com a licenciatura - tive muitas aulas partilhadas com pessoal do mestrado antigo), mas tive que trabalhar (no estágio) e escrever e defender a tese - algo que um licenciado pela minha faculdade não tinha que fazer até então.

Agora posso dizer que os licenciados (pós bolonha) da minha área com quem tenho tido entretanto contacto estão muito mal preparados. Talvez consigam até fazer o básico, mas a imaturidade e pouca abertura de espírito e mentalidade são gritantes (talvez fruto da menor idade também).
 
Última edição:
Ridículo mas é assim mesmo. Eu tive um projecto de fim de curso que me ocupou 2 semestres, com cadeiras. Agora têm 1 semestre cadeiras e no outro apenas uma tese.

No fim as teses têm o mesmo conteúdo e qualidade dos projectos de fim de curso das licenciatura pré-bolonha. Se calhar o nome "tese" tem mais status do que "projecto de fim de curso"...

Como se diz "a m$%"# é a mesma, só muda o cheiro".


Isso depende dos cursos, no meu caso são 2 semestres também com cadeiras.

A nivel de conteúdo e qualidades dos projectos, não conheço os projectos logo não vou comparar.
 
Ridículo mas é assim mesmo. Eu tive um projecto de fim de curso que me ocupou 2 semestres, com cadeiras. Agora têm 1 semestre cadeiras e no outro apenas uma tese.

No fim as teses têm o mesmo conteúdo e qualidade dos projectos de fim de curso das licenciatura pré-bolonha. Se calhar o nome "tese" tem mais status do que "projecto de fim de curso"...

Como se diz "a m$%"# é a mesma, só muda o cheiro".

Atenção Air...

E cada um aqui descreve o que foi ou tem sido a sua experiência. O meu mestrado é integrado. Não tive nenhum semestre sem cadeiras, sendo que nos últimos 2 anos do curso, tive sempre 6 e 7 cadeiras e no último semestre, duas. No final, o balanço é mais cadeiras e uma tese que, sem desprimor, por grandes trabalhos finais de curso que tive oportunidade de ler durante a minha investigação, o nível de qualidade médio era em geral inferior. Nunca nos esqueçamos das excepções. O que Bolonha veio trazer (no meu curso, faculdade...) foi uma "profissionalização" dos trabalhos finais de curso, denominadas em Bolonha, de teses de mestrado. Falo quer em apresentação, métodos de investigação, recursos postos ao serviço dos alunos, etc...não existe nenhuma diferença da minha tese de mestrado para um das antigas de mestrado. (Falo do meu caso e dos meus colegas...) A minha tese não foi de 6 meses...foi de mais de um ano pois o tema e orientadores são resolvidos com essa antecedência.

Não tenho dúvidas que com Bolonha, os licenciados pré-Bolonha, ficaram ligeiramente prejudicados no mercado de trabalho. É como tudo, quando existem mudanças...prós e contras. Cabe ao empregador, o lado da procura, desvirtuar a ideia pré-concebida, de que os pós Bolonha são mais capazes. É verdade que desenvolvi capacidades, mas não me considero em vantagem face a ninguém, apesar de uma tese de mestrado ter sido um desafio que nunca tinha experienciado. No final, elevei os meus limites, sem dúvida.

Mas isto é sempre a mesma história. Ao empregador cabe conhecer muito bem o mercado....quantos e quantos têm "n" pós-graduações no seu CV que todas juntas não valem o que à partida parecia prever?
 
Não, era um licenciado e tinha uma pós-graduação. Estou só a dizer que equivalência Licenciatura(pré)->Mestrado(pós) não foi directa (na maior parte dos casos houve pelo menos uma reestruturação do currículo).

No meu caso pessoal apanhei o ano de transição, ou seja, fiz a licenciatura antiga (4 anos) e no ano em que entrou em vigor o Mestrado tive equivalência do primeiro ano (antigo 4) e fiz o estágio+defesa da tese.

Foi mais simples que fazer um mestrado pré-bolonha? Obviamente que sim, escapei-me a 1 ano curricular (que para dizer a verdade tinha muitas cadeiras partilhadas com a licenciatura - tive muitas aulas partilhadas com pessoal do mestrado antigo), mas tive que trabalhar (no estágio) e escrever e defender a tese - algo que um licenciado pela minha faculdade não tinha que fazer até então.

Agora posso dizer que os licenciados (pós bolonha) da minha área com quem tenho tido entretanto contacto estão muito mal preparados. Talvez consigam até fazer o básico, mas a imaturidade e pouca abertura de espírito e mentalidade são gritantes (talvez fruto da menor idade também).

Isto são já consequências das medidas facilitistas do Ministério da Educação. E vai ser ainda pior.
 
Isto são já consequências das medidas facilitistas do Ministério da Educação. E vai ser ainda pior.

Se fôr é do MCES...

Quanto à minha opinião, faço minha a do AMGFan.

Eu apanhei o processo de transição/cosmética, mas tive que mudar de estabelecimento de ensino para fazer mestrado (FCTUC), 1 ano de aulas + 1 de tese. Estou neste momento a acabar e pelo menos neste não considero que haja facilitismo.
 
Última edição:
Atenção Air...

E cada um aqui descreve o que foi ou tem sido a sua experiência. O meu mestrado é integrado. Não tive nenhum semestre sem cadeiras, sendo que nos últimos 2 anos do curso, tive sempre 6 e 7 cadeiras e no último semestre, duas. No final, o balanço é mais cadeiras e uma tese que, sem desprimor, por grandes trabalhos finais de curso que tive oportunidade de ler durante a minha investigação, o nível de qualidade médio era em geral inferior. Nunca nos esqueçamos das excepções. O que Bolonha veio trazer (no meu curso, faculdade...) foi uma "profissionalização" dos trabalhos finais de curso, denominadas em Bolonha, de teses de mestrado. Falo quer em apresentação, métodos de investigação, recursos postos ao serviço dos alunos, etc...não existe nenhuma diferença da minha tese de mestrado para um das antigas de mestrado. (Falo do meu caso e dos meus colegas...) A minha tese não foi de 6 meses...foi de mais de um ano pois o tema e orientadores são resolvidos com essa antecedência.

Não tenho dúvidas que com Bolonha, os licenciados pré-Bolonha, ficaram ligeiramente prejudicados no mercado de trabalho. É como tudo, quando existem mudanças...prós e contras. Cabe ao empregador, o lado da procura, desvirtuar a ideia pré-concebida, de que os pós Bolonha são mais capazes. É verdade que desenvolvi capacidades, mas não me considero em vantagem face a ninguém, apesar de uma tese de mestrado ter sido um desafio que nunca tinha experienciado. No final, elevei os meus limites, sem dúvida.

Mas isto é sempre a mesma história. Ao empregador cabe conhecer muito bem o mercado....quantos e quantos têm "n" pós-graduações no seu CV que todas juntas não valem o que à partida parecia prever?

O meu curso também ficou mestrado integrado e praticamente ficou tudo na mesma. A diferença tese-projecto de fim de curso depende muitos dos alunos, quem diz que não farias um projecto de fim de curso da mesma qualidade da tese? Será que as condições, requerimentos, etc. mudaram assim tanto? Eu não acho...

Depois mesmo sabendo da tese com 1 ano de antecedência, custa-me a acreditar que a qualidade seja a mesma comparando com pessoas que começaram o mestrado depois de 5 anos de curso, sabendo o tema da tese 2 anos antes de a defender. Sendo que muitas vezes a tese era continuação de trabalhos de fins de curso, tendo mais 1 ano curricular e 1 ano em exclusivo para a tese.

Eu sei que o dia tem 24h, mas mesmo assim...

Eu não me sinto prejudicado cá fora, sou visto da mesma maneira como os novos mestres, mas acho engraçado a diferenciação que dão em Portugal, principalmente em concursos públicos, pois para as empresas é igual ao litro.
 
Isto são já consequências das medidas facilitistas do Ministério da Educação. E vai ser ainda pior.

E tem muito a ver com a idade em si. Conheço algumas pessoas que trabalham em recursos humanos de várias empresas e queixam se do mesmo, que muitos dos licenciados com 21 22 anos são demasiado crianças. Entram para uma empresa e á primeira contrariedade fazem logo uma tempestade e não se chateiam nada de abandonar o emprego.
Não é uma regra geral mas verifica se bastantes vezes.
 
O meu CV inglês uso sempre o termo "M.Sc.". Era bem melhor que com um curso de 5 anos bem penado fosse usar o termo BSc ou Bachelor como tenho visto.
5 anos são 5 anos e tá encerrada a questão. [:blush:]

Cinco anos são cinco anos que te dão o grau oficial de Licenciado. Independentemente do que quer que seja, ao indicares um titulo que não tens, podes ter alguns problemas em documentação oficial. Não deixam de ser "falsas declarações".
 
Eu sou licenciado de 5 anos.

Quer dizer que só pq não fiz uma tese devo receber menos? Que um bolonha?

Isso das antigas licenciaturas de 5 anos e os antigos bacharelatos de 3 deram alguma barraca na implementação de Bolonha.

Os bacharelatos porque tiverem "supostamente" que se reformularem para licenciaturas, e os licenciados de 5 porque tiveram que "supostamente" reformular para mestrado integrado.

Quem sofreu menos alterações foram as antigas licenciaturas de 4 que agora são três: mantém o titulo/grau, mantém o currículo, intensificando tudo para ter menos um ano mas dando o mesmo.

O erro que muitos incorrem com Bolonha é assumirem que o que interessa são os ANOS de curso VS o conteúdo do mesmo.

Um bacharel não é por ter os mesmos 3 anos que um novo licenciado que deve ter direito ao titulo automático de licenciado do mesmo modo que um antigo licenciado de 5 não deve ter o titulo automático de mestre.

Para os devidos efeitos um bacharel antigo e um licenciado novo são DIFERENTES, do mesmo modo que um licenciado de 5 é diferente de um mestre de 5.

NO ENTANTO, o que se verificou com os mestrados integrados, e com os bacharelatos antigos foi um upgrade administrativo SEM upgrade curricular em grande parte das instituições. Mantiveram os currículos e fizeram um upgrade aos títulos.

Para ser correcta a implementação de Bolonha nestes casos o antigo bacharel deveria fazer um 4 ano para ter equivalência a um licenciado de 3 e um licenciado de 5 deveria fazer um 6º ano ( tese) para ser equivalente um mestre de 5.

Um bom compromisso seria os antigos licenciados de 5 fazerem 1 ano adicional para cadeiras/tese e assim teriam o titulo devido.
 
E tem muito a ver com a idade em si. Conheço algumas pessoas que trabalham em recursos humanos de várias empresas e queixam se do mesmo, que muitos dos licenciados com 21 22 anos são demasiado crianças. Entram para uma empresa e á primeira contrariedade fazem logo uma tempestade e não se chateiam nada de abandonar o emprego.
Não é uma regra geral mas verifica se bastantes vezes.

Apesar de não ser dos RH, dou alguma formação ou informação a pessoas que entram de novo sobre a área onde actuo e nota-se que, apesar de licenciados (alguns) são muito "verdes".
Pessoas mesmo que não licenciados mas com outra experiência destacam-se mais pela positiva.

Também por esse lado as próprias turmas de Pós-Laboral costumam ter bons resultados (comparativamente).
 
Última edição:
Cinco anos são cinco anos que te dão o grau oficial de Licenciado. Independentemente do que quer que seja, ao indicares um titulo que não tens, podes ter alguns problemas em documentação oficial. Não deixam de ser "falsas declarações".

Basta escrever "University degree"... Aqui divide-se em "technical degree" e "university degree". Simples.
 
Voltar
Superior