É muito simples: não há alternativa.
Para mais, eu acho que em Portugal criou-se uma falsa imagem em torno da dimensão de um dos denominados partidos de poder.
Pragmaticamente constata-se desde há muito que o único partido com verdadeira expressão em Portugal é o PS.
Porque, e dizem-me, então como é que o Cavaco conseguiu 2 maiorias absolutas e o PSD esteve no governo durante 10 anos?
Por uma coincidência de factores.
Para começar um dado importante: o Cavaco subiu ao poder com uma maioria relativa de...28% (basicamente o mesmo resultado que conseguiu com o Santana em 2005!), e o PS só não ganhou dessa vez, porque tinha surgido o PRD, o que dividiu os votos socialistas (nota: PRD + PS > PSD).
E como conseguiu a MA 2 anos depois e renovou-a em 91?
Para começar o poder em Portugal é encarado com uma subserviência já histórica, que persiste ainda nos dias de hoje.
A agenda é marcada a 100% pelo governo, as oposições arrastam-se porque são natural e inevitavelmente desprezadas e a sociedade civil é muito pobrezinha, pouco dinâmica, além de muito pequena. A crítica estruturada e razoável simplesmente não existe, a crítica neste país não foge das postas demagogicas do que "estamos cada vez mais pobres", "a culpa é do governo", "tantos impostos", etc etc. A tristeza que já se conhece..
Para mais, como o Estado tem a dimensão que tem, é importante para a sociedade em geral dar-se bem com o governo. Isto para todos os sectores, nomeadamente os media (que ainda por cima estavam nacionalizados).
Depois, apareceu com uma forma diferente de governar, mais dinâmica, mais pragmática quebrando a prática que era estilo de todos os governos após o 25 A, os anos foram de prosperidade, entrou-se na CEE, o pessoal melhorava de vida, o Estado alargava os seus cuidados sociais, surgiram hospitais, as primeiras AEs, AutoEuropa, etc.
E pronto. O PSD como "partido grande" foi isto. 10 anos. E não vai voltar a ser, nunca mais alcançará uma tal dimensão.
Se não vejamos...
O PS voltou ao poder em 95, continuaram a ser anos de prosperidade generalizada, o consumo disparou, o crédito generalizado permitiu a milhares de famílias endividarem-se, comprarem casa, carro, o Estado gastava ainda mais, tudo ainda mais feliz e contente.
E o certo é que a partir de 99, apenas a elite intelectual e económica percebeu onde aquilo dar. Se até ali, ninguém podia fazer uma crítica ao rumo que o governo tomava (se puxarem bem pela memória, era um total ultraje,não concordar com o guterrismo até 99, os media estavam completamente embevecidos, por coincidência uma situação muito semelhante à actual).
E o que é certo é que em 2001, já com a percepção de que o país estava mal, mesmo com uma demissão do PM, o PS perdeu as eleições com...2% de diferença do PSD que alcançou, vejam-se só uns 39%.
E nem 3 anos depois, o PS volta ao governo, não só por culpa do próprio PSD pelas razões que todos conhecemos mas também por um pressão constante nitidamente por parte dos media que houve desde 2002.
E, sem muitas dúvidas, o PS renovará em 2009 o seu mandato.
E, quase sem dúvidas, depois de quase 10 anos de poder lá para 2013, não vai com certeza haver por parte dos media e da sociedade a rejeição brutal, a crítica constante, o "queimanço" que houve nos últimos anos de cavaquismo.
E o PS perderá as eleições, por uns 2 ou 3% de diferença para o PSD que talvez com o CDS consiga a MA, coisa que muito duvido.
Conclusão:
PS oscila entre os 37% e os 47%. PSD oscila entre os 27% e no máximo 40%.
Em política é uma diferença considerável de dimensão.
Além de que temos que ver outra coisa. O PS ocupou nitidamente o espaço do PSD. O governo Sócrates até em estilo foi buscar inspiração onde? No PS?

Acho que qualquer um percebe onde foi buscar inspiração, desde os tiques autoritários até à importância do betão...
O PSD não serve para nada, actualmente. Não acrescenta nada, porque o PS passou a governar de forma socialdemocrata.
E vai ser empurrado para 2 cenários, ambos que nunca vão agradar aos portugueses. Ou se torna mais liberal e todos sabemos a aversão portuguesa ao liberalismo, ou para o populismo de direita que também sabemos que não agrada ao país.
E existe ainda outro factor que toma muita importância. A organização partidária.
O PSD só se organiza quando cheira a poder. Se repararem a maioria da elite partidária que é ministro ou secretário de Estado no governo quando não está no poder, não vai para a assembleia, vai trabalhar para o privado.
No PS isso acontece? Simplesmente não.
Vejam onde estão os ministros dos governos do Barroso e do Santana. Vejam onde estiveram os ministros do Guterres (incluindo o actual PM) durante o governo Barroso.
O PS é organicamente mais constante. Mais presente. Da assembleia para o governo, do governo para a assembleia.
É um verdadeiro partido de poder. O outro (PSD) é um partido que só existe quando está no poder.
Nota: As sondagens da Marketest são um pouco perigosas em termos de exagerarem a dimensão do PS pois na distribuição dos votos dos indecisos repartem-nos baseados não na votação absoluta actual mas na votação alcançada nas últimas legislativas. Onde se vê realmente a popularidade de cada um é olhando para a votação absoluta de cada partido.